A Copa do Mundo da fé: de De la Fuente a Lamine Yamal, um campeonato "secular" entre religiões

Foto: Noah Holm/Unplash

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16 Junho 2026

"A maioria dos 1.248 jogadores dos 48 países que competem na Copa do Mundo é cristã, embora o torneio de 2026 tenha a maior representação de países com identidade e cultura muçulmana."

O artigo é de Jesús Bastante, publicado por Religión Digital15-06-2026.

Eis o artigo. 

A bola começa a rolar em Atlanta. A seleção espanhola dá o pontapé inicial na Copa do Mundo de 2026, com plena confiança em suas chances de se sagrar campeã pela segunda vez em sua história, 16 anos depois do gol espetacular de Iniesta na África do Sul. Este torneio, sediado por Estados Unidos, Canadá e México, também tem um forte componente religioso. Embora não saibamos muito sobre as crenças dos membros da La Roja (a seleção espanhola), é evidente que a religião também desempenha um papel importante, tanto dentro quanto fora de campo. Vimos isso após a partida entre Alemanha e Curaçao: jogadores de ambas as equipes se uniram para rezar no círculo central.

Não sem problemas, já que os regulamentos da FIFA sancionam qualquer "slogan, declaração ou imagem de natureza política, religiosa ou pessoal" que os jogadores possam usar. Acabaram-se os tempos em que a imagem da Virgem Maria ou de Cristo era vista nas camisas, e a presença de crucifixos ou símbolos religiosos em pingentes e outros itens também é proibida. Se os árbitros notam esses detalhes é outra questão. O que a FIFA não pode impedir é que os jogadores se unam para rezar, individualmente ou coletivamente, ou comemorem um gol erguendo os olhos para o céu, ajoelhando-se ou fazendo o sinal da cruz (algo muito comum, especialmente na Europa e na América Latina).

Como se reza esta Copa do Mundo? Messi, a cada gol marcado, aponta para o céu. Mohamed Salah, por sua vez, ajoelha-se, imitando a oração islâmica. Muitos jogadores brasileiros são flagrados oferecendo orações ao Todo-Poderoso antes do início da partida, e na Espanha sabemos, por exemplo, da intensa fé católica professada pelo técnico da nossa seleção, Luis de la Fuente. E, mais recentemente, houve a confissão islâmica de Lamine Yamal, em resposta aos cânticos antimuçulmanos durante uma das partidas recentes da seleção no estádio do Espanyol, o que resultou em uma sanção da Federação.

Maioria cristã, aumento do islamismo

A maioria dos 1.248 jogadores dos 48 países que competem na Copa do Mundo é cristã, embora o torneio de 2026 tenha a maior representação de países com identidade e cultura muçulmana. No total, doze seleções são de países de maioria muçulmana: Uzbequistão, Irã, Jordânia, Catar, Arábia Saudita, Iraque, Turquia, Bósnia e Herzegovina, Marrocos, Tunísia, Argélia, Senegal e Egito.

Gestos visíveis incluem a seleção croata assistindo à missa antes da partida. Apesar da ascensão do islamismo, os cristãos continuam sendo maioria nas seleções nacionais. A grande maioria das equipes da América Latina, Europa, África Subsaariana, Estados Unidos e Canadá vem de sociedades com maioria católica, protestante ou evangélica. O pentecostalismo e os movimentos evangélicos têm uma presença crescente nas seleções africanas e latino-americanas. Seleções como Gana, Nigéria, Brasil e Colômbia incluem jogadores que pertencem a igrejas neopentecostais e cujas celebrações servem como testemunhos explícitos: cânticos, orações em grupo, ajoelhar-se no chão — práticas que desafiam os limites dos regulamentos da FIFA.

Alguns jogadores de futebol não têm medo de professar sua fé. O ex-jogador do Barcelona, Memphis Depay, atacante da seleção holandesa, converteu-se ao cristianismo em 2016 e, desde então, compartilha sua fé publicamente em diversos locais ao redor do mundo. "A fé me dá paz interior. Posso confiar na minha fé, em Deus, nas minhas orações; é assim que vivo minha vida", explica. Enquanto isso, o equatoriano Moisés Cancedo faz parte do ministério esportivo Atletas em Ação, juntamente com outros jogadores de sua seleção. Ronald Araújo, outro jogador do Barcelona que atua pelo Uruguai, se identifica como metodista. "Sou cristão e fui a um lugar com uma rica história cristã. Precisava desse tempo de paz, de solidão, de tranquilidade, para me reconectar com o que acredito, com Jesus, para entender muitas coisas, porque tinha muitas perguntas."

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