11 Mai 2026
"O problema não é apenas quem pode entrar para o clube nuclear, mas o próprio fato de que esse clube continue a existir", escreve Tonio Dell'Olio, padre italiano, jornalista e presidente da associação Pro Civitate Christiana, em artigo publicado por Mosaico di Pace, 07-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Claro, que eu ficaria preocupado se o Irã conseguisse concluir seu programa nuclear militar e desenvolver a bomba nuclear. Mas também não é como se pudéssemos dormir tranquilos hoje sabendo que o "botão fatídico" já está nas mãos de outros líderes do planeta, como Kim Jong-un.
Por que deveria me tranquilizar saber que tal capacidade de destruição tão absoluta também pertence a governos que mudam conforme os humores da política, as tensões internacionais ou até mesmo a instabilidade de um presidente que delira diariamente, negando o que afirmou no dia anterior e ameaçando, ameaçando, ameaçando? O problema não é apenas quem pode entrar para o clube nuclear, mas o próprio fato de que esse clube continue a existir.
Os Estados Unidos são, além disso, a única nação a ter usado a bomba atômica, e as vítimas de Hiroshima e Nagasaki ainda clamam por justiça.
Nenhum Tribunal de Nuremberg jamais julgou aquele massacre, enquanto o mundo continua a considerar "legítimo" que algumas potências mantenham milhares de ogivas capazes de obliterar a vida na Terra.
O verdadeiro objetivo não pode ser impedir que outros possuam armas nucleares militares enquanto os mais fortes se retiram até mesmo do Tratado de Não Proliferação.
O único caminho crível é o desarmamento nuclear global, progressivo e verificável. Qualquer outra coisa significa conviver todos os dias com a possibilidade do irreparável.
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