A rebelião americana contra a ameaça nuclear: "Parem o presidente"

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08 Abril 2026

Democratas e ex-apoiadores de Trump: "Removam Donald Trump antes que ele cometa crimes de guerra." Congresso aprova moção para impedi-lo.

A informação é de Paolo Mastrolilli, publicada por La Repubblica, 08-04-2026. 

O espectro de um holocausto nuclear, 81 anos após Hiroshima, ressurgiu no cenário global, a tal ponto que a Casa Branca foi forçada a negar que tenha considerado o uso da bomba atômica contra o Irã. A preocupação cresceu a tal ponto que diversas vozes, incluindo a da ex-congressista republicana e apoiadora de Trump, Marjorie Taylor Greene, chegaram a invocar a Vigésima Quinta Emenda da Constituição, que permite a destituição de um presidente considerado incompetente antes que ele possa provocar uma catástrofe humanitária capaz de desencadear a Terceira Guerra Mundial.

Tudo começou com a mensagem que Trump publicou ontem de manhã, enquanto fazia a contagem regressiva para seu ultimato de destruir a infraestrutura elétrica e civil da República Islâmica sem qualquer progresso nas negociações: "Uma civilização inteira morrerá esta noite. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá." Greene se rebelou: "Vigésima Quinta Emenda. Nenhuma bomba foi lançada sobre os Estados Unidos. Não podemos matar uma civilização inteira. Isso é maligno e insano." Marjorie era uma das apoiadoras mais fervorosas de Trump, mas o abandonou por causa do escândalo Epstein.

Ela sempre foi porta-voz do movimento MAGA, que buscava priorizar os Estados Unidos, pondo fim a guerras intermináveis e certamente não desencadeando mais uma no coração do Oriente Médio. Anthony Scaramucci, que atuou como diretor de comunicação da Casa Branca durante seu primeiro mandato por dez dias, foi além: "Acordem: ele está incitando um ataque nuclear! Exijam sua remoção imediata." Tucker Carlson, outro ex-apoiador de Trump, também expressou a mesma preocupação: "Se você chegar ao limite do seu poder convencional, o que lhe resta? Armas nucleares."

— Anthony Scaramucci

Rumores e temores de um bombardeio atômico começaram a circular tão rapidamente em sites e redes sociais que a Casa Branca sentiu a necessidade de intervir para desmenti-los. Trump ameaçou destruir infraestrutura elétrica e pontes, e por essa razão, armas nucleares não seriam necessárias, a menos que a intenção seja usá-las, como em Hiroshima, para forçar a rendição do regime. Isso representa um dilema para os militares, que, como apontou o senador Kelly, podem recusar ordens ilegais.

E não é apenas o pesadelo nuclear que preocupa os Estados Unidos, já que até mesmo atacar alvos civis e infraestrutura — pontes, usinas de dessalinização e usinas de energia — com armas convencionais pode levar a acusações de crimes de guerra. Por esse motivo, segundo a NBC, o Pentágono apresentou ao presidente uma série de opções que incluem alvos de "uso duplo", utilizados tanto para fins militares quanto civis, para evitar acusações de crimes de guerra contra os EUA.

O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, não se contentou com as meras palavras de alguns porta-vozes, anunciando sua intenção de reapresentar imediatamente a moção para limitar as decisões militares do presidente em relação ao Irã: "Precisamos apenas dos votos de dois republicanos para aprová-la." Isso serve como um lembrete da responsabilidade do partido do presidente, que até agora o seguiu cegamente. E dezenas de parlamentares democratas se apressaram em pedir a destituição do presidente, invocando a Vigésima Quinta Emenda ou outras disposições constitucionais. Entre eles estão Alexandria Ocasio-Cortez, Rashida Tlaib e Ro Khanna, bem como o senador Ed Markey.

— Eric Swalwell

A Vigésima Quinta Emenda à Constituição foi ratificada em 1967 para esclarecer a sucessão presidencial. O Artigo 4 permite que o vice-presidente e a maioria do Gabinete, ou um órgão nomeado pelo Congresso, declarem um presidente inapto para o cargo, substituindo-o pelo vice-presidente interino. Essa emenda nunca foi invocada antes, mas o ex-conselheiro Steve Bannon disse a Jeffrey Epstein que deveria ser usada no primeiro mandato. Ela exige que membros do governo, ou do Congresso, atualmente de maioria republicana, se voltem contra seu líder. É improvável que isso aconteça, a menos que o espectro de um massacre nuclear se torne tão real a ponto de chocar as consciências.

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