Deslocados climáticos: 250 milhões em dez anos

Fonte: Unsplash

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13 Novembro 2025

Isso equivale a uma média de 67 mil pessoas por dia que precisaram deixar suas casas devido a enchentes, secas, ondas de calor e outros eventos climáticos extremos causados pelas mudanças climáticas.

A reportagem é publicada por Noticias ONU, 10-11-2025. A tradução é do Cepat.

Nos últimos dez anos, os desastres relacionados ao clima provocaram cerca de 250 milhões de deslocamentos internos, o equivalente a cerca de 70 mil deslocamentos por dia, de acordo com o relatório mais recente da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR).

“Sejam as enchentes que devastam o Sudão do Sul e o Brasil, as ondas de calor sem precedentes no Quênia e no Paquistão ou a escassez de água no Chade e na Etiópia, as condições climáticas extremas estão levando comunidades já frágeis ao limite”, afirmou a agência da ONU.

“Por outro lado, em meados de 2025, 117 milhões de pessoas haviam sido deslocadas por guerras, violência e perseguição, embora os retornos à Síria e ao Afeganistão neste ano tenham contribuído para reduzir o número de deslocados em todo o mundo em comparação com 2024.

A guerra e o clima se retroalimentam

75% dessas 117 milhões de pessoas vivem em países que enfrentam alta ou extrema exposição a riscos relacionados ao clima.

“As condições climáticas extremas estão colocando ainda mais em risco a segurança das pessoas; elas estão interrompendo o acesso a serviços essenciais, destruindo casas e meios de subsistência e forçando famílias – muitas das quais já fugiram da violência – a fugir novamente”, disse Filippo Grandi, chefe do ACNUR.

“Trata-se de pessoas que já sofreram perdas imensas e agora estão enfrentando as mesmas dificuldades e devastação novamente. Elas estão entre as mais afetadas por secas severas, enchentes mortais e ondas de calor sem precedentes, mas são as que têm menos recursos para se recuperar.

Sistema de proteção no limite

Em todo o mundo, os sistemas básicos de sobrevivência para refugiados já estão sob pressão, alertou o ACNUR.

Por exemplo, em algumas áreas afetadas por inundações no Chade, refugiados recém-chegados que fogem da guerra no Sudão, país vizinho, recebem menos de 10 litros de água por dia, muito abaixo dos padrões de emergência.

As evidências também indicam que, até 2050, os campos de refugiados mais quentes poderão enfrentar quase 200 dias de estresse térmico extremo por ano, com sérios riscos à saúde e à sobrevivência.

“Muitos desses lugares provavelmente se tornarão inabitáveis devido à combinação mortal de calor extremo e alta umidade”, afirmou a agência da ONU para refugiados.

Ameaça de degradação do solo na África

Observou que 1,2 milhão de refugiados retornaram para suas casas até o início de 2025, mas metade deles chegou em áreas “vulneráveis às mudanças climáticas”. Além disso, 75% do solo do continente africano está se deteriorando e mais da metade dos assentamentos de refugiados estão localizados em áreas de “alto estresse”.

“Isso está reduzindo o acesso a alimentos, água e renda”, enfatizou a agência da ONU, o que alimenta o recrutamento por grupos armados em partes do Sahel e exacerba conflitos e deslocamentos repetidos.

Apesar das crescentes necessidades, a falta de financiamento e “um sistema de financiamento climático profundamente injusto” deixaram milhões de pessoas desprotegidas.

Atualmente, os países afetados por conflitos que acolhem refugiados recebem apenas um quarto do financiamento climático de que necessitam.

“Os cortes no financiamento estão limitando severamente nossa capacidade de proteger refugiados e famílias deslocadas dos efeitos de eventos climáticos extremos”, disse Grandi no dia da abertura da COP30, a cúpula climática da ONU, em Belém, Brasil.

“Se queremos estabilidade, precisamos investir ali onde as pessoas estão mais vulneráveis.” “Para evitar mais deslocamentos, o financiamento climático precisa chegar às comunidades que já vivem em situação de vulnerabilidade. Elas não podem ser abandonadas. Esta COP precisa levar a ações concretas, não a promessas vazias”.

Outras conclusões do relatório do ACNUR:

• 1,2 milhão de refugiados retornaram para suas casas até o início de 2025, metade deles para áreas vulneráveis às mudanças climáticas.

• Até 2040, o número de países que enfrentam riscos climáticos extremos poderá aumentar de três para 65.

• Desde abril de 2023, quase 1,3 milhão de pessoas que fugiram do conflito no Sudão buscaram refúgio no Sudão do Sul e no Chade, dois dos países menos preparados para lidar com a crescente emergência climática.

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