A mão do papa no novo chefe dos bispos italianos. Artigo de Lorenzo Prezzi

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26 Mai 2022

 

"O Card. Zuppi, que vem da Comunidade de Santo Egídio, tem em suas fileiras a atenção ao social, o diálogo aberto com todos e uma visão internacional. De resto, ele terá que se valer de competências e generosidade a procurar alhures", escreve Lorenzo Prezzi, teólogo italiano e padre dehoniano, em artigo publicado por Domani, 25-05-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo.

 

A nomeação do card. Matteo Maria Zuppi, arcebispo de Bolonha, como presidente da Conferência Episcopal Italiana é relevante para o futuro da entidade e das 226 dioceses católicas italianas, mas é marcada pelo paradoxo.

 

A expectativa do Papa Francisco por uma escolha autônoma dos bispos, expressa abertamente nos primeiros meses de seu pontificado, se choca com uma indicação quase milimétrica do papa sobre o novo presidente (cf. entrevista ao Corriere della sera, 3 de maio). A lista tríplice elaborada pela assembleia (Mons. Antonio Raspanti, Card. Matteo Maria Zuppi, Card. Augusto Paolo Lojudice) de fato responde à identidade solicitada por Francisco. A resistência dos bispos em escolher autonomamente o presidente se alinhou com a expectativa do papa de um vértice episcopal em sintonia com seu magistério.

 

Esta última condição é favorável para um renovado protagonismo da Igreja no país, mas também exposta à constatação de alguns desafios, em parte herdados da gestão do card. Gualtiero Bassetti - uma figura de grande humanidade e espiritualidade, mas não de forte liderança - e em parte previsíveis. Entre os empenhos, honrados apenas parcialmente nos últimos cinco anos, se podem citar os desejos expressos pelo papa em seu primeiro encontro com os bispos italianos em 2014, a renovação da pastoral reconfirmada no encontro eclesial de Florença em 2015, uma explicitação mais original em relação aos temas sociais e políticos e a estrutura dos setores centrais da Conferência dos Bispos.

 

Redução de dioceses

 

Pouco foi feito sobre a redução do número de dioceses além da unificação de algumas dioceses sob o mesmo bispo. Não é particularmente brilhante a obra das conferências episcopais regionais das quais o Papa Francisco esperava um impulso criativo. Mais eficaz é resposta italiana sobre as indicações relativas ao funcionamento dos tribunais eclesiásticos em relação aos processos de anulação de matrimônios, em correspondência com o sínodo sobre a família e a abertura aos divorciados novamente casados.

 

A burocracia dos setores da CEI passou por uma renovação radical no que diz respeito ao poder adquirido durante a gestão do card. Camillo Ruini (1991-2006), mas com uma dificuldade crescente para cobrir papéis-chave. Mons. Stefano Russo (2018-2022) interpretou bem o serviço funcional e discreto que lhe havia sido pedido.

 

O desafio mais relevante dizia respeito à renovação da pastoral. O Papa Francisco lançou a ideia de um sínodo nacional por ocasião do encontro eclesial em Florença em 2015. O apelo por um renovado protagonismo das comunidades cristãs em um contexto social que não é mais "de cristandade", embora nunca formalmente contrariado, não recebeu o consenso e o impulso necessário para começar, também devido à pandemia.

 

Somente em 2021 começou o trabalho, que vê os dois primeiros anos dedicados à escuta das comunidades e dos não crentes interessados. A atual assembleia geral fará uma primeira avaliação do mesmo.

 

No âmbito social as atividades são numerosas, enquanto é mais frágil a interlocução com o mundo político. O “entrismo” de Comunhão e libertação e o “frontismo” dos Neocatecumenais têm se mostrado menos criativos e duradouros do que a tradição católico-democrata que, no entanto, vê a extinção de suas gerações mais numerosas.

 

Os novos desafios

 

Bassetti focou muito na retomada da mística-política de Giorgio La Pira com as convenções de Bari (2020) e Florença (2022). O fechamento apenas aos bispos do Mediterrâneo no primeiro caso e o evidente distanciamento do Papa Francisco no segundo enfraqueceram eventos que poderiam se revelar promissores.

 

Entre os novos desafios que se perfilam, o mais relevante é o de concluir um sínodo nacional que, contornando a celebração daquele do Vaticano (sempre o tema da sinodalidade em 2023) deveria terminar em 2025. O que está em jogo não é apenas o protagonismo dos leigos, a colaboração sistemática dentro da Igreja, uma capacidade renovada de diálogo com a sociedade italiana atual, mas sobretudo uma forma eficaz de anúncio evangélico para as gerações futuras.

 

Imediata e urgente é também a questão dos abusos dos eclesiásticos na Igreja italiana, que até agora tem recebido uma atenção limitada. De qualquer forma, longe de um quadro adequado de conhecimento e intervenção. Menos em evidência, mas não menos importante, é o tema da economia para sustentar as obras eclesiais e as dioceses, bem como o da elaboração cultural dentro da práxis pastoral.

 

O Card. Zuppi, que vem da Comunidade de Santo Egídio, tem em suas fileiras a atenção ao social, o diálogo aberto com todos e uma visão internacional. De resto, ele terá que se valer de competências e generosidade a procurar alhures.

 

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