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22 Dezembro 2021

 

A Conferência Episcopal é obrigada a retificar sua inação nos casos de abusos sexuais perpetrados por eclesiásticos.

 

O cardeal e presidente da Conferência Episcopal Espanhola, Juan José Omella.

 

A reportagem é de Ricardo Rubio, publicada por El País, 19-12-2021.

 

O sofrimento causado pelo abuso sexual está frequentemente associado à descrença, silêncio ou rejeição por parte das pessoas ou instituições às quais a vítima se dirige para denunciar a agressão. É o caso em que existem numerosos cidadãos cujos agressores pertenciam à Igreja Católica. Ao apelar para a sua hierarquia, durante anos encontraram sistematicamente um muro de silêncio ou, em casos excepcionais, com boas palavras e falsas promessas.

O resultado desta atitude obstrucionista tem sido, por um lado, a ausência total de justiça - e menos ainda de reparação - e, por outro, a impunidade prática tanto para os agressores como para os que os encobriram. Em outubro de 2018, El País começou a publicar aquela que é a maior investigação realizada sobre abusos sexuais dentro da Igreja Católica na Espanha, desde os anos 1940 até os dias de hoje. Um trabalho rigoroso em que foi aplicado um critério restritivo que começou com a publicação de 34 casos e que, hoje, já cobre mais de uma centena.

Este jornal lançou a única referência contábil de casos conhecidos na Espanha, também divulgados por outros meios de comunicação, e neste momento somam 364 casos e 956 vítimas, 10 vezes mais do que há três anos. Durante esse tempo, centenas de outras vítimas de abusos perpetrados pelo clero ou no ambiente da Igreja contataram este jornal por meio de um e-mail criado para esse fim. Pessoas, não necessariamente leitores, que finalmente viram uma instância em que pelo menos podem ser ouvidos de forma objetiva e sem preconceitos. É um primeiro passo essencial que a hierarquia eclesiástica os negou sistematicamente.

Sob o princípio de que o trabalho jornalístico é um serviço à sociedade e em face da evidente passividade demonstrada até agora pela hierarquia católica espanhola, El País enviou diretamente ao Papa Francisco - cuja veemente condenação dos abusos foi explícita e reiterada desde o logo no início de seu pontificado - um relatório com outras 251 queixas feitas de relatos confiáveis acompanhados de evidências confiáveis.

A maioria das ordens religiosas presentes na Espanha, para as quais foi enviada a documentação, confirmaram que abrirão investigações. É hora de a Conferência Episcopal Espanhola (CEE) adotar uma atitude responsável e corrija sua relutância em encomendar uma investigação independente de casos que afetam dioceses. Uma obra dessas características levada a cabo pelo próprio CEE seria marcada desde o início pela inevitável suspeita de ser juiz e parte.

Isso tem sido entendido durante os últimos 20 anos pelas Conferências Episcopais dos Estados Unidos, Alemanha ou França, que confiaram livremente a várias organizações independentes um trabalho cujo objetivo principal é fazer justiça às crianças e adolescentes que viram sua confiança traída, em primeiro lugar pelos abusos em si próprios e depois pelo muro da descrença, do silêncio e da incompreensão por parte da instituição a que pertenciam os agressores e para a qual se dirigiram em busca de uma proteção que nunca veio.

 

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