Papa Francisco clama por uma “reforma profunda da economia mundial” que evite “sacrifícios ante o altar do progresso”

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18 Junho 2021

 

“Uma reforma profunda da economia mundial” para conseguir “condições laborais decentes e dignas, que provenha de uma negociação coletiva e que promova o bem comum”. O Papa Francisco traçou um plano para a economia pós-coronavírus, que reúne políticos, empresários, trabalhadores e sindicalistas em um projeto comum, e que evite “o consumismo cego”, o isolacionismo e os nacionalismos como “receitas”, em vez de apostar pela proteção dos trabalhadores, especialmente os mais vulneráveis, e um chamado à igualdade da mulher.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 17-06-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

 

Numa extensa vídeo-mensagem à 109ª Assembleia da Organização Internacional do Trabalho, Bergoglio destaca o “momento crucial da história social e econômica”, que “apresenta sérios e amplos desafios para todo o mundo”, perante os quais é necessário “continuar a exercer um cuidado especial do bem comum”. “Aqui também precisamos de uma reforma do modelo econômico, uma reforma completa da economia. A forma de governar a economia tem que ser diversa, também tem que mudar.

A realidade é teimosa: “Muitas das interrupções possíveis e previstas ainda não se manifestaram, portanto, decisões cuidadosas serão necessárias. A diminuição da jornada de trabalho nos últimos anos resultou em perda de empregos e perda de vidas. Redução da jornada de trabalho para quem mantém o emprego. Muitos serviços públicos, assim como empresas, enfrentaram enormes dificuldades, alguns correndo o risco de falência total ou parcial. Em todo o mundo, assistimos a uma perda de empregos sem precedentes em 2020”, afirma o Papa.

 

Não os irmãos “descartáveis”

Diante disso, Francisco está empenhado em “evitar as velhas fixações no lucro, isolacionismo e nacionalismo, consumismo cego e a negação das evidências claras que apontam para a discriminação contra nossos irmãos e irmãs ‘descartáveis’ em nossa sociedade”.

“Pelo contrário”, acrescenta, “procuremos soluções que nos ajudem a construir um novo futuro de trabalho baseado em condições de trabalho decentes e dignas, que venha da negociação coletiva, e que promova o bem comum, uma base que fará do trabalho um componente essencial de nosso cuidado com a sociedade e a criação”.

“Somos chamados a priorizar nossa resposta aos trabalhadores que estão à margem do mundo do trabalho e ainda afetados pela pandemia de covid-19: trabalhadores pouco qualificados, diaristas, trabalhadores do setor informal, trabalhadores migrantes e refugiados, aqueles que fazem o que muitas vezes é chamado de ‘trabalho tridimensional’: perigoso, sujo e degradante, por isso podemos continuar a lista”, enumerou o Papa.

O que podemos fazer? Francisco redigiu algumas respostas. “Em primeiro lugar, é missão essencial da Igreja apelar a todos para trabalharem juntos, com governos, organizações multilaterais e sociedade civil, para servir e zelar pelo bem comum e garantir a participação de todos nesta empreitada”, com um objetivo claro: “Ninguém deve ficar de fora”, acrescentou, apostando num diálogo baseado na igualdade de direitos e deveres entre todas as partes.

 

“Sindicalizar-se é um direito”

Em segundo lugar, “garantir que todos recebam a proteção de que precisam de acordo com suas vulnerabilidades: doença, idade, deficiência, deslocamento, marginalização ou dependência” para os quais “sistemas de proteção social” devem ser apoiados, bem como o acesso de todos “aos serviços de saúde, alimentação e necessidades humanas básicas”. Uma atenção que se torna especial em meio à pandemia.

Por fim, “a proteção dos trabalhadores e dos mais vulneráveis deve ser garantida pelo respeito aos seus direitos essenciais, inclusive o direito de sindicalização. Ou seja, sindicalizar-se é um direito”, afirmou Bergoglio.

 

Sacrifícios “diante do altar do progresso”

Depois de denunciar a economia do descarte, “sacrificando os que ficaram no chamado ‘altar do progresso’”, o Papa preconiza “medidas que corrijam as situações injustas ou incorretas que afetam as relações de trabalho, tornando-as totalmente subjugadas à ideia de ‘exclusão’”, ou violando os direitos fundamentais dos trabalhadores”.

“Que nos estremeça profundamente o que está ocorrendo à nossa volta. É chegado o momento de eliminar as desigualdades, de curar a injustiça que ataca a saúde de toda a família humana”, proclamou o Papa, que defendeu uma justa remuneração aos trabalhadores, uma regulação uniforme aplicável ao trabalho “como garantia para os trabalhadores”.

 

Mulheres que choram por liberdade

Francisco ressaltou também que a pandemia atingiu gravemente “as mulheres da economia informal, incluindo vendedoras ambulantes e empregadas domésticas”, cujos filhos “estão expostos a um maior risco para a saúde”, uma vez que, sem “creches acessíveis”, devem acompanhá-las até seus locais de trabalho ou permanecem em suas casas sem proteção.

“Há uma grande necessidade de garantir que a assistência social chegue à economia informal e preste atenção especial às necessidades específicas das mulheres e meninas”, afirma o Papa.

A pandemia revelou “que muitas mulheres em todo o mundo continuam a clamar por liberdade, justiça e igualdade” e que, embora tenha havido “melhorias notáveis no reconhecimento dos direitos das mulheres e na sua participação no espaço público, ainda há muito a se avançar em alguns países”.

 

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