O Papa denuncia que existem “alianças muito perigosas que têm uma visão distorcida do mundo”

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10 Julho 2017

No último sábado, 08 de julho, segundo e último dia da reunião do G20 em Hamburgo, o Papa Francisco reiterou seu apelo aos líderes dos países mais ricos do mundo para que solucionem “o principal problema” do mundo de hoje: “o problema dos pobres, dos fracos, dos excluídos, que inclui os migrantes”. À sua solução, na opinião do Pontífice, opõem-se as “alianças muito perigosas entre potências com uma visão distorcida do mundo”, como podem as que existem entre os Estados Unidos e a Rússia ou entre Putin e Assad na Síria.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 08-07-2017. A tradução é de André Langer.

Em uma entrevista publicada neste sábado no jornal italiano La Repubblica, o Papa deu voz novamente às suas inquietações em relação à reunião do G20, como o fez na sexta-feira em sua mensagem para o encontro. Texto este em que o Bispo de Roma insistiu em que os políticos “devem dar prioridade absoluta aos pobres, aos refugiados, aos sofredores, aos deslocados, aos excluídos, sem distinção de nações, raças, religião ou cultura”, e que “repudiem os conflitos armados”.

O jornalista e fundador do jornal italiano, Eugenio Scalfari, manteve, na quinta-feira passada, uma conversa com o Pontífice argentino, que foi publicada neste sábado e na qual Francisco intensifica sua preocupação com os resultados da reunião de Hamburgo.

“Preocupo-me com as alianças muito perigosas entre as potências que têm uma visão distorcida do mundo: a América e a Rússia, a China e a Coreia do Norte, Putin e Assad durante a guerra na Síria”, disse o Papa.

Em detalhe, Francisco explica que sua preocupação é, sobretudo, com “a migração”, pois “há países em que a maioria dos pobres não provém das correntes migratórias, mas das calamidades sociais, e em outros há poucos pobres locais, mas teme-se a invasão dos imigrantes”.

“Por isso, preocupa-me o G20, porque afeta os migrantes dos países de meio mundo e são afetados cada vez mais com o passar do tempo”, acrescenta.

Francisco reclama da Europa sua responsabilidade, depois que “o colonialismo partiu da Europa e teve seus aspectos positivos, mas também negativos. Fez com que a Europa se enriquecesse, fosse o mais rico do mundo e, também, o destino principal dos povos migratórios”.

O Pontífice compartilha a ideia de uma “Europa federal” e convida os países do Velho Continente a se mexerem ou, adverte, “a Europa se transformará em uma comunidade federal ou não terá nenhum valor neste mundo”.

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