Francisco Suárez 400 anos depois

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22 Junho 2016

No próximo ano celebra-se os 400 anos de morte de Francisco Suárez. Trazer à tona o pensamento deste jesuíta de origem espanhola, que viveu na aurora da modernidade um momento de transição tão pontente em possibilidades quanto pleno de desafios, é um exercício intelectual e ético instigante para nosso tempo. A primeira Guerra Mundial impossibilitou as celebrações dos 300 anos de morte deste pensador, que pode ser considerado o pai do direito internacional, chamado por ele de “direito das gentes”.

Desta forma, ao mesmo tempo que se tenta construir a memória de Suárez e dos demais os pensadores da chamada segunda escolástica ou Escola Ibero-americana da Paz, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU lançou no final da tarde da terça-feira, 20-06-2016, o VII Colóquio Internacional IHU. Metafísica e Filosofia Prática. A atualidade do pensamento de Francisco Suárez 400 anos depois.

Marcelo Aquino, Alfredo Culleton e João Vila-Chã, na sala Ignacio Ellacuría (Fotos: Ricardo Machado)

O evento será realizado na Unisinos entre os dias 25 e 28 de setembro de 2017. O lançamento contou com a presença do Prof. Dr. João Vila-Chã, da Pontifícia Universidade Gregoriana – PUG Roma e da Conférence Mondiale des Institutions Universitaires Catholiques de Philosophie - COMIUCAP, do Prof. Dr. Marcelo Fernandes de Aquino, reitor da Unisinos e do Prof. Dr. Alfredo Culleton, coordenador do PPG em Filosofia da Unisinos.

Francisco Suárez, ontem e hoje

João Vila-Chã
“Creio que figuras como Francisco Suárez deixaram uma obra filosófica monumental. Não se pode entrar na aventura teológica e filosófica de seu próprio tempo sem abraçar os grandes desafios que se colocam à inteligência humana e Suárez é um exemplo, ele está entre o mundo antigo e o mundo novo”, analisa João Vila-Chã. “Ele torna-se, pelo período que viveu, um exemplo paradigmático do que é o o papel da filosofia e da universidade atualmente”, complementa.

Para o professor uma das principais contribuições no pensamento de Suárez é sua perspectiva não imanente de olhar para o horizonte, permitindo ver o futuro com ousadia e com isso ser capaz de perceber o Outro. “O diálogo para ser profundo precisa tomar a posicao do outro a sério e necessitamos ser capazes de construir qualquer coisa em conjunto”, propõe.

Mesmo quatro séculos depois de seus escritos, nas sociedades contemporâneas, onde a violência e a intolerância são traços culturais marcantes, o pensamento de Suárez permanece vivo. “O diálogo das culturas e civilizações se faz para tornar possível a construção de um espaço em que o diálogo não se torne algo carente de sentido. Ele deve ser paciente, pois o que levou milênios para ser construído não pode ser resolvido em uma questão de dias, meses ou anos”, defende Vila-Chã. “Temos que reconhecer que temos que mudar o paradigma em que uns são apenas sujeitos do poder de outros e passar a exigir a transformação das nossas próprias culturas”, complementa.

Suárez, vida e obra

Alfredo Culleton

Antes da fala do professor Vila-Chã, durante a abertura do evento, o professor Alfredo Culleton chamou atenção para o acervo com 75 obras sobre o jesuíta espanhol na biblioteca da Unisinos, das quais 23 são de autoria do próprio Francisco Suárez e chamou atenção para a retomada de seu pensamento. “Há gerações que não conhecem Suárez. Então em pleno século XXI, uma época em que os preconceitos começam a cair, é importante conhecer esses pensadores que são fundamentais no pensamento da América Latina. É uma honra poder sediar esse evento aqui na Unisinos, um evento de uma tradição ibero-americana que influencia a teoria do direito internacional e dos direitos humanos”, ressalta.

Futuro

Marcelo Fernandes de Aquino

Para o reitor da Unisinos, professor e jesuíta Marcelo Fernandes de Aquino, a universidade se sente honrada em sediar um evento da dimensão histórica e teórica de Francisco Suárez. "Tenho fascinação por toda atividade prática de origem anglo-saxã, mas tão robusta quanto essa é a tradição ibérica que ficou reprimida, ou melhor, recalcada e hoje temos a oportunidade de recuperar esse importante autor”, coloca.

E é na inspiração do passado, que o reitor projeto o futuro da Unisinos. “Estamos nos firmando cada vez mais naquilo que nos propomos de até 2025 sermos uma universidade global de pesquisa e isso incluiu a pesquisa em filosofia. Esse evento abre, também, perspectivas muito ricas e que são históricas na Companhia de Jesus”, projeta. 

Dossiê Escola Ibero-americana da Paz

Confira as entrevistas publicadas na última edição da revista IHU On-Line debatendo o tema da Escola Ibero-americana da paz.

- Escola Ibero-Americana e a Filosofia sobre um mundo em expansão. Entrevista especial com Alfredo Culleton, publicada na edição 487 da revista IHU On-Line, de 13-06-2016.

- Francisco Suárez e seus diálogos atemporais com as questões do espírito humano. Entrevista especial com João Vila-Chã, publicada na edição 487 da revista IHU On-Line, de 13-06-2016.

- A Escolástica e sua reflexão sobre a fé e os parâmetros éticos no novo mundo. Entrevisa com Luiz Fernando Rodrigues, publicada na edição 487 da revista IHU On-Line, de 13-06-2016.

- Direito originário indígena: o cerne da intepretação escolástica do respeito aos povos. Entrevista especial com Pedro Calafate, publicada na edição 487 da revista IHU On-Line, de 13-06-2016.

- A condição universal da humanidade dos povos e a soberania de seus príncipes. Entrevista especial com Sílvia Loureiro, publicada na edição 487 da revista IHU On-Line, de 13-06-2016.

- Raízes históricas dos direitos humanos na conquista da América: o protagonismo de Bartolomé de Las Casas e da Escola de Salamanca. Artigo de Fernanda Frizzo Bragato, publicada na edição 487 da revista IHU On-Line, de 13-06-2016.

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