O relatório ruralista contra o Cimi e os Povos Indígenas no MS. Cinco minutos de insanidade

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12 Maio 2016

“Seguem algumas observações a respeito do malfadado relatório da CPI do Cimi. O palco acabou, e agora Mara? Os povos indígenas do Brasil estão reunidos em Brasília no 12 Acampamento Terra Livra. Os povos e a história farão justiça”, escreve Egon Heck, do secretariado nacional do Conselho Indigenista Missionário – CIMI, ao enviar o artigo que publicamos a seguir.

Eis o artigo.

Cai a máscara. Entram em cena os atores. Três dos cinco membros da CPI do Cimi fazem uma sessão relâmpago e aprovam um relatório. Ou melhor, apenas oficializam o que tentaram construir em cinco meses: a criminalização dos povos indígenas e seus aliados.

Fonte: Egon Heck

O relatório de 222 páginas, que anunciam enviar a inúmeros órgãos e entidades, desde a Presidência da República até o Vaticano, é eivado de afirmações tendenciosas, sendo o Cimi citado como "Organização criminosa", cuja atuação desestabiliza o agronegócio (Agora MS 11/05/2016).

Em vários momentos, o deputado Pedro Kemp observou a tendenciosidade dos trabalhos, pois o objetivo das oitivas pareciam se limitar à tese já construída contra o Conselho Indigenista Missionário. Quem minimamente acompanhou as oitivas durante mais de quatro meses, não tem dúvidas de que se pretendeu apenas retardar o reconhecimento dos territórios dos povos indígenas, fazendo acusações contra lideranças indígenas e seus aliados.

As perguntas dos ruralistas que comandavam as sessões, impreterivelmente incluíam depois de acusações, o mesmo questionamento: Então vocês concordam que o Cimi incita e apoia financeiramente a invasão de terras?

O Cimi, em nota pública manifestou:

Consideramos que o conteúdo do relatório preliminar mostra-se inteiramente fantasioso na identificação dos reais motivos e da origem dos conflitos fundiários envolvendo os povos indígenas e latifundiários do estado do Mato Grosso do Sul e completamente ineficaz no que tange à proposição de soluções efetivas para tema.

As pedaladas antiindígenas de Cunha

Meu radinho anunciava um fato importante. Entre chios e interferências, só consegui entender que Cunha caiu. Até aí ainda parecia dentro de um contexto de normalidade, pois o país não comportava mais ter um de seus poderes comandado por pessoa acusada de tamanhos desmandos. Apesar do aumento do chiado, ainda consegui ouvir o placar esmagador. Com 11 votos a zeros, o Supremo Tribunal Federal os 11 a 0 (onze a zero) confirmou o afastamento de Eduardo Cunha.

Fonte: Egon Heck

Ao deligar o radinho em Terra Ronca, minha única forma de comunicação durante aquela semana, fui dormir com o coração aliviado. Recordava o ditado da minha infância: a Justiça tarda, mas não falha. E o Brasil voltou a ampliar seu espaço de esperança.

Cunha se notabilizou por atitudes antiindígenas, dando a impressão de que não apenas transmitia com fidelidade os intentos da bancada ruralista, mas demonstrava incumbir-se da missão com grande esmero. Inúmeras foram as vezes que indígenas foram barrados na entrada da dita “Casa do Povo”, sendo recepcionados quase sempre por policiais e/ou seguranças. Foi Cunha que liberou a instalação da CPI da Funai e do Incra que tenta, a todo custo, atacar organizações do campo.

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