D. Raúl Vera e “Las Patronas”, premiados pela luta a favor dos migrantes de passagem pelo México

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27 Abril 2016

O bispo Raúl Vera López e “Las Patronas”, um grupo de mulheres que dá de comer a migrantes em sua passagem pelo México, foram premiados com a Medalha ao Mérito da Universidade Veracruzana (UV), no espaço da Feira Internacional do Livro Universitário (FILU), que em sua edição de 2016 tem a França como país convidado.

A reportagem é de Eirinet Gómez, publicada por La Jornada, 25-04-2016. A tradução é de Evlyn Louise Zilch.

Durante a cerimônia de premiação Sara Ladrón de Guevara, reitora da UV, disse que há alguns anos, o país encontra-se afundado em uma guerra irracional e absurda, “uma guerra sobre cujo estouro ninguém consultou-nos, onde já não é possível distinguir os lados em disputa, e onde podem se intercambiar os papéis e a situação não modificaria o nível de violência que nos afeta”.

"Trata-se de uma guerra que custou milhares e milhares de vidas humanas, e que deixou inúmeras famílias afundadas no luto, na dor, na tristeza, na impotência, frustração e raiva".

Neste contexto de guerra, "que custou a vida de centenas” – senão de milhares – de pessoas inocentes, Ladrón de Guevara disse que pessoas como Raúl Vera e Las Patronas representam o caminho para a paz.

Em Saltillo, Coahuila, Raúl Vera "recorda a sua experiência ao lado de Samuel Ruiz durante o processo de paz, após o levante zapatista, em Chiapas, e dedica seu trabalho pastoral para a defesa dos direitos trabalhistas dos trabalhadores na região, para a defesa dos direitos humanos dos migrantes, e em defesa dos familiares das pessoas desaparecidas".

Em Amatlán de los Reyes, Veracruz, "Las Patronas estão há mais de 20 anos estendendo as mãos para oferecer aos migrantes um alimento que lhes abrande os estômagos, mas acima de tudo, que lhes apazigue, ou seja, que lhes traga paz à alma".

"Raúl Vera e Las Patronas deram início a uma empresa utópica que pressupõe a uma confiança vertiginosa no homem, estão percorrendo o que talvez seja o único caminho para a verdadeira paz”, disse Ladrón de Guevara, que agradeceu o exemplo de vida e o esforço para trazer a paz para uma sociedade – hoje mais do que nunca – que necessita dela.

A reitora da UV disse que a casa de estudos assim como eles busca contribuir para a defesa dos direitos humanos e o direito dos jovens a uma educação superior gratuita e de qualidade.

Depois de receber a Medalha das mãos de Ladrón de Guevara, o bispo Raúl Vera dedicou o prêmio às vítimas a quem os defensores dos direitos humanos servem e com as quais compartilham a vida.

“Sem as vítimas não faríamos nada na defesa dos direitos humanos, são elas quem realmente estão resistindo, e estão estabelecendo o padrão para corrigir a direção equivocada na qual está caminhando o mundo de hoje”.

“A experiência de conviver com elas, sofrer com elas, compartilhar suas condições é uma honra. É uma honra para nós quando junto a elas, somos perseguidos e depreciados como elas”, disse o religioso.

Diante de um auditório cheio de participantes, Raúl Vera disse que “quando alguém vê a grande diferença que existe entre o que sofre as injustiças e o que as pratica, que grande satisfação e privilégio é estar onde estão eles, onde estão os que sofrem”.

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