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09 Março 2016

Cinco dias após a coerção a Lula e sua reação surpreendente, a coalizão entre velha mídia, Operação Lava Jato e oposição parece manter-se na ofensiva. Ela assustou-se com o discurso combativo do ex-presidente na sexta-feira, mas reagiu dobrando a aposta, como apontado aqui ontem. A reação começou no fim-se-semana e se mantém. Enquanto isso, Lula parece ter dificuldades para materializar seu discurso combativo, iniciando mobilização popular pelo país. É vítima das contradições de seu projeto, e ainda não encontrou uma equação para resolvê-las.

O comentário é de Antonio Martins, editor de Outras Palavras, em artigo publicado por Outras Palavras, 08-03-2016.

Embora ninguém deva desprezar sua capacidade de fazê-lo, o tempo corre: a convocação para os atos pelo impeachment, no próximo domingo, segue. Já a possível resposta ainda não parece certa. Pouco se fala, até agora, de uma manifestação em 31 de março, organizada em conjunto pela Frente Brasil Popular (cuja espinha dorsal são os partidos de esquerda e as centrais sindicais próximas a eles) e a Frente Povo Sem Medo (liderada pelo MTST). Talvez a dificuldade deva-se a enfoques contraditórios sobre o sentido do ato. Para a presidente da UNE, trata-se de agir em defesa de Lula e Dilma. Para o MTST, “contra a reforma da previdência e o ajuste fiscal”. Haverá tempo para uma síntese?

Equanto isso, o jornalista Luís Nassif lançou hoje, em sua coluna do Jornal GGN, uma nova hipótese: o surgimento de um fato novo, que sacudiria o tabuleiro político e salvaria o mandato de Dilma, mas não a candidatura de Lula (nem, talvez, sua liberdade). Eis suas especulações:

a) A Procuradoria Geral da República dispararia, nos próximos dias, denúncias muito consistentes contra Eduardo Cunha e algumas dezenas de parlamentares eleitos com seu apoio financeiro. Além de Cunha, poderiam rodar Renan Calheiros, Romero Jucá e outros;

b) O terremoto político que se seguiria acabaria frustrando a tentativa de impeachmet — um congresso enlameado não teria autoridade para cassar o mandato da presidente.

c) No entanto, a onda de denúncias terminaria tragando também Lula — ou com prisão (agora facilitada pela decisão do STF, que permite encarcerar após julgamento em segunda instância) ou com condenação mais branda, que ainda assim o tornaria inelegível em 2018.

d) Após estes abalos, Dilma teria campo livre para formar um “governo de coalizão”, um tampão semelhante ao mandato de Itamar Franco.

Nassif não vê com bons olhos a possibilidade. Afirma que “levará anos até que um novo arco político ganhe consistência para unir o país em torno de um projeto factível”.

Porém, a hipótese permite lançar indagações cruciais. Uma operação desta envergadura, por parte da Procuradoria Geral da República, precisa ser preparada longamente. Qual o grau de informação da presidente Dilma — e do ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo — a respeito? Haverá relação entre a hipótese e a atitude recente de Dilma, que passou a avalizar as pautas estratégicas que os conservadores querem impor ao Congresso?

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