“Quem experimentou o inferno pode se tornar um profeta”, diz Papa aos presos no México

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Por: Jonas | 19 Fevereiro 2016

Uma reunião que não poderia faltar e particularmente importante para o Papa Francisco (na foto, recebe um presente dos detidos): o encontro com os presos. Ao chegar a Ciudad Juárez, o Papa visitou o Centro de Readaptação Social estatal N. 3 (Cereso), onde há cerca de 3.000 presos e mais de 200 presas. A prisão faz parte de um projeto de requalificação dos institutos penitenciários do estado de Chihuahua, que obteve um reconhecimento pelo respeito aos padrões internacionais nesse campo. Na capela do Instituto, 700 presos escutaram o discurso de Francisco, que saudou pessoalmente 50 deles, 30 homens e 20 mulheres.

 
Fonte: https://goo.gl/YnYCwC  

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 17-02-2016. A tradução é do Cepat.

Na capela do centro de reclusão, foi entregue um presente do Papa, um Cristo de cristal, que foi apresentado com estas palavras: “Bom dia, e lhes agradeço a presença aqui – disse o Papa – e agradeço todo o bem que fazem aqui, mil maneiras de fazer o bem que não são vistas e vocês vão se deparar com muita fragilidade, por isso quis trazer esta imagem com o mais frágil, o cristal, é o mais frágil, quebra, e Cristo na cruz é o mais frágil da humanidade, no entanto, com essa fragilidade nos faz ir adiante”.

Depois, durante o encontro com os presos, uma delas, Evelia Quintana, saudou o Pontífice em nome de todos: “Sua presença, aqui, é um chamado a todos os que se esqueceram que, aqui, há seres humanos”. “Se a vida e nossos atos – acrescentou – nos colocaram na obscuridade, talvez não seja para morrer nela, mas, ao contrário, para mudar e iluminar os outros. O dia que em que recebi minha sentença, alguém me disse para não perguntar o que faço aqui, mas, sim, para que estou aqui. Obrigado por se lembrar de nós”.

O tema central do discurso do Pontífice foi a misericórdia no ano jubilar, mas também uma “reinserção social” que comece fora da prisão: “Quem sofreu a dor ao máximo, e que poderíamos dizer “experimentou o inferno”, pode se tornar um profeta na sociedade. Trabalhem para que esta sociedade que usa e joga não continue fazendo vítimas”.

Francisco recordou que “não há lugar onde sua misericórdia não possa chegar, não há lugar e nem pessoa que não possa ser tocada. Celebrar o Jubileu da Misericórdia com vocês é recordar o caminho urgente que devemos tomar para romper os círculos da violência e da delinquência”.

O Papa criticou o sistema atual: “Já contamos com várias décadas perdidas pensando e acreditando que tudo se resolve isolando, afastando, encarcerando, abrindo mão dos problemas, acreditando que estas medidas solucionam verdadeiramente os problemas. Esquecemos de nos concentrar no que realmente deve ser nossa preocupação: a vida das pessoas; suas vidas, as de suas famílias, a daqueles que também sofreram por causa deste círculo da violência”.

É por isso que “as prisões são um sintoma de como estamos como sociedade, são um sintoma, em muitos casos, de silêncios e omissões que provocaram uma cultura do descarte. São um sintoma de uma cultura que deixou de apostar na vida; de uma sociedade que foi abandonando seus filhos”. A reinserção e a reabilitação começam, afirmou Bergoglio, “criando um sistema que poderíamos chamar de saúde social, ou seja, uma sociedade que procura não adoecer contaminando as relações no bairro, nas escolas, nas praças, nas ruas, nos lares, em todo o espectro social. Um sistema de saúde social que procure gerar uma cultura que atue e busque prevenir aquelas situações, aqueles caminhos que acabam deplorando e deteriorando o tecido social”.

E, por outro lado, às vezes se tem a sensação de que “as prisões se propõem mais a impedir as pessoas de continuar cometendo crimes, do que a promover os processos de reabilitação que permitam atender os problemas sociais, psicológicos e familiares que levaram uma pessoa a determinada atitude. O problema da segurança não se esgota somente encarcerando, mas, ao contrário, é um chamado a intervir enfrentando as causas estruturais e culturais da insegurança, que afetam toda a rede social”.

A reinserção social dos detidos, explicou o Papa, “começa com a inserção de todos os nossos filhos nas escolas, e de suas famílias em trabalhos dignos, gerando espaços públicos de entretenimento e recreação, habilitando instâncias de participação cidadã, serviços de saúde, acesso aos serviços básicos, citando apenas algumas medidas”.

 “Celebrar o Jubileu da Misericórdia com vocês – acrescentou sem ler o texto – é repetir essa frase que escutamos antes, muito bem dita e com tanta força: quando deram a minha sentença, alguém me disse para não questionar o porquê estou aqui, mas, sim, para quê? Que este questionamento nos leve adiante, que nos faça ir pulando as cercas desse engano social que acredita que a segurança e a ordem só se conquista aprisionando”.

Sabemos que “não é possível voltar ao antes, sabemos que o realizado, realizado está – concluiu Francisco -; por isso, quis celebrar com vocês o Jubileu da Misericórdia, já que isso não quer dizer que não haja possibilidade de escrever uma nova história para frente. Vocês sofrem a dor da queda, sentem o arrependimento de seus atos e sei que, em muitos casos, entre grandes limitações, buscam refazer sua vida a partir da solidão”.

“Não se esqueçam – foi o convite do Pontífice – que também possuem ao seu alcance a força da ressurreição, a força da misericórdia divina que faz novas todas as coisas. Agora, a parte mais dura, mais difícil, mas que possivelmente seja a que mais fruto gere: lutem daqui dentro para reverter as situações que geram mais exclusão. Falem com os seus, contem sua experiência, ajudem a frear o círculo da violência e a exclusão. Quem sofreu a dor ao máximo, e que poderíamos dizer ‘experimentou o inferno’, pode se tornar um profeta na sociedade. Trabalhem para que esta sociedade que usa e joga não continue fazendo vítimas”.

“E ao dizer a vocês estas coisas – acrescentou -, recordo aquilo de Jesus, que quem estiver livre de pecado que jogue a primeira pedra, e eu teria que ir. Ao dizer estas coisas para vocês, não faço como quem está na cátedra, com o dedo elevado, faço a partir da experiência de minhas próprias feridas, de meus próprios pecados, que o Senhor quis perdoar e reeducar. Faço a partir da consciência de que sem sua graça e minha vigilância poderia tornar a repeti-los. Irmãos, ao entrar em uma prisão, sempre me questiono: por que eles e não eu? E é um mistério da misericórdia divina”.

Francisco animou as pessoas que trabalham na prisão (dirigentes, agentes, capelães e voluntários): “Todos vocês, não se esqueçam, podem ser sinais das entranhas do Pai”.

Como presente para o Pontífice, os detidos prepararam um báculo de madeira com um crucifixo decorativo. O bastão, de 190 centímetros, pode ser dividido em quatro partes. Outros presos organizaram uma pequena orquestra batizada “Livres na música”, para oferecer a Francisco um pequeno concerto musical. Na sua chegada ao Cereso, escutava-se um ‘Papacorrido’ dedicado especialmente ao Pontífice, com a música típica dos ‘corridos (mariachi) mexicanos’.

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