A acomodação da esquerda alimenta o descrédito na política

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Por: Cesar Sanson | 10 Fevereiro 2016

Ascensão de Jeremy Corbyn no trabalhismo inglês e do socialista Bernie Sanders entre os democratas americanos mostram que há espaço para a luta no campo oposto ao receituário de mercado. É necessário ousadia. O comentário é de Marcio Pochmann, professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho - Unicamp, em artigo publicado por Rede Brasil Atual - RBA, 07-02-2016.

Eis o artigo.

Na Grande Depressão após 1929 a esquerda conseguia oferecer saídas importantes e consistentes, ainda que variadas, para a crise profunda do capitalismo. Da alternativa radical evidenciada pela experiência de socialismo proveniente da Rússia desde 1917 às propostas reformistas, mas não menos importantes, dos governos trabalhistas e social-democratas já em efervescência nos países escandinavos.

Diante da ineficiência das políticas econômicas dominantes defendidas pelos bancos e o rentismo tradicional da época, que teimavam em manter ativo o receituário liberal da não intervenção do Estado, o sofrimento da população era imenso e generalizado pelo chamado socialismo dos ricos. Não somente o desemprego em massa, mas a pobreza e desigualdade dominavam o circuito da desagregação dos tecidos social e político das sociedades vigentes.

Estranhamente, a grande crise atual do capitalismo de dimensão global instalada desde o ano de 2008 encontra escassa oferta de saídas à esquerda. Segue predominando o receituário neoliberal de centrar no Estado a fonte dos problemas do capitalismo atual, não mais identificado à solução, como no passado.

A acomodação e submissão dos governos ao diagnóstico e prognóstico das forças dos mercados e protagonizado pela mídia dominante tem tornado cadente a credibilidade dos partidos que se apresentam como de esquerda no espectro político existente. Desde a derrocada das experiências de socialismo real nos anos de 1990 desapareceu a polarização em torno das alternativas radicais ao capitalismo.

Ao mesmo tempo, os partidos trabalhistas e social-democratas engataram a marcha da terceira via na política, uma espécie de neoliberalismo com descontos. Se auto intitularam de reformas modernizantes (neoliberais), com a face humana para diferenciarem do mesmo receituário desumano.

As contestações internalizadas ao adornamento de concessões dos partidos que se declaram de esquerda se mostraram frágeis. Em geral, apresentaram evidenciadas demarcadas por divisões internas que no máximo se constituíam enquanto formação de novos partidos, mas de pouca expressão eleitoral.

Registra-se como fato recente mais relevante a escolha pelo Partido Trabalhista inglês do novo líder Jeremy Corbyn, que tem apontado para a oferta de um programa radical alternativo à crise capitalista de dimensão global. E com isso, para o abandono das políticas de terceira via evidenciadas desde a ascensão dos governos de Tony Blair e Gordon Brown entre 1997 e 2010.

Agora tem ganhado expressão no interior do processo eleitoral aberto nos Estados Unidos a ascensão do senador Bernie Sanders nas primárias do Partido Democrata. Ele se apresenta como socialista e tem empolgado parcela crescente do eleitorado com propostas que aqui no Brasil poderiam ser assemelhadas à introdução da tributação no setor financeiro (a CPMF), a instalação do Sistema Único de Saúde (o SUS), a gratuidade no ensino superior, entre outras.

Percebe-se que há espaço significativo para as políticas no campo ideológico da esquerda, embora a oferta tenha sido tímida, quando não escassa. A ausência de ousadia para tanto talvez ajude a revelar o quadro geral de acomodação e protelação de saídas da crise de dimensão global, quando não o próprio desânimo e descrédito com o sistema político atual.

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