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Por: André | 01 Dezembro 2015

Estima-se que 135,8 milhões de estadunidenses foram às compras entre o Dia de Ação de Graças – na quinta-feira passada – e o último fim de semana. A avidez para conseguir qualquer produto com desconto provocou cenas de luta livre.

A reportagem é de Gustavo Veiga e publicada por Página/12, 29-11-2015. A tradução é de André Langer.

O Black Friday, ou Sexta-feira Negra, é um convite para o consumismo desenfreado. Nos Estados Unidos, o epicentro de uma moda que se estendeu a outros países para vender de tudo, acabou em brigas em diferentes centros comerciais. Milhões de compradores foram atrás de eletrodomésticos, roupa, celulares e armas para aproveitar as promoções de 70%. Mas a avidez para conseguir qualquer produto com desconto provocou cenas de luta livre, empurrões, arrebatamentos e tumultos que se tornaram virais nas redes sociais.

Em um comunicado, a Federação Nacional do Varejo (NRF, por sua sigla em inglês) estimou que 135,8 milhões de estadunidenses foram às compras entre o Dia de Ação de Graças – na quinta-feira passada – e o último fim de semana. Milhares, como em 2014, adquiriram armas de diversos calibres a preços reduzidos. Uma prova de como funcionam as pautas de consumo nos Estados Unidos.

O Black Friday, chamado assim porque os comerciantes anotam suas perdas com tinta vermelha e os lucros com tinta preta, desta vez derivou em muito mais que aglomerações em frente às portas do Wal-Mart ou da cadeia comercial Macy’s. Os fregueses entraram em tropel nas lojas, mas também arrancaram televisores das mãos de outros, acabaram aos socos em um shopping ou jogados ao chão disputando no braço uma TV de plasma. A polícia teve que intervir e efetuou prisões. No Twitter, os usuários postaram vídeos nos quais podem ser vistas brigas entre duas ou mais pessoas.

Segundo informou o jornal The New York Daily News, dois compradores se pegaram no braço no centro comercial St. Matthews de Louisville, Kentucky. Em um shopping da cidade de Florença, no mesmo Estado, houve outro incidente em que um grupo de homens começou a brigar até que a polícia interveio. Uma mulher arrancou das mãos de uma menina negra uma caixa e sua mãe começou a defendê-la em meio a uma avalanche de clientes correndo atrás de um mesmo produto.

Nestes dias, os centros comerciais dos Estados Unidos começaram a alimentar o consumo no Dia de Ação de Graças, que é quando o presidente dos Estados Unidos indulta um peru que se salva de ser transformado em alimento. Na última quinta-feira, Obama indultou dois: Honest e Abe, como foram batizados. Nessa mesma noite, começaram os incidentes nas lojas. As vendas chegaram a 1,7 bilhão de dólares. Cerca de 25% maiores que em 2014. E as imagens que se viram não foram muito diferentes daquelas que ocorreram em anos anteriores. As pessoas entraram correndo nos hipermercados, saquearam literalmente as gôndolas, precipitaram-se sobre qualquer eletrodoméstico e sua pulsão pelo consumo chegou ao extremo de brigarem entre si.

Houve descontos para cada gosto ou necessidade. Em roupas, telefones celulares, eletrodomésticos e brinquedos, ramos em que chegaram até a 70%. Também em viagens, com descontos de 10%. Algumas enganosas, segundo denunciam as associações de consumidores.

Ainda não há dados sobre como repercutiu o último Black Friday na venda de armas de fogo, um artigo de consumo massivo nos Estados Unidos. Mas são conhecidos os números de novembro de 2014, quando o FBI estimou que houve um recorde de compras baseado em suas próprias estatísticas. A Sexta-feira Negra é um dos dias “de mais trabalho” para o FBI, devido às transações com armas, admitiu Stephen Fischer, porta-voz da agência, no ano passado. Estima-se que os estadunidenses adquiriram 150 mil armas nesse Black Friday. O organismo federal processou quase três consultas de antecedentes criminais por segundo, três vezes mais que a média diária, em 2014. Cada pessoa que quer comprar uma arma nos Estados Unidos deve se submeter a essa fiscalização.

No ano passado, o FBI analisou 21 milhões de pedidos de consulta de antecedentes e negou a compra de uma arma em apenas 1,1% dos casos, segundo seus próprios dados. Em boa medida fica muito claro porque nos Estados Unidos ocorreram massacres na escola secundária Columbine (1999), na Universidade Virginia Tech (2007), no cinema Aurora em Colorado ou no colégio primário Sandy Hook em Newtown, Connecticut (ambas em 2012) e onde morreram dezenas de crianças e jovens.

O Black Friday tem seus detratores no mundo financeiro, embora pareça curioso. Alguns especialistas, como o jornalista Michael McKenna, defendem que está em decadência: “No ano passado, as vendas durante o fim de semana caíram 11% porque o Black Friday não conseguiu atrair as multidões como alguma vez já o fez”, assinalou em um artigo recente publicado no sítio Sala de Inversión.com.

O dia de ofertas foi inclusive boicotado, como aconteceu em Ferguson, Missouri, em 2014. Em repúdio ao assassinato do jovem negro Michael Brown pela polícia, vários manifestantes convocaram pelas redes sociais o Backout Black Friday (Apaga a Sexta-feira Negra). Reuniram-se na frente de um centro comercial de Saint Louis, deitaram-se no chão e forçaram o seu fechamento temporário em meio a uma avalanche de consumo que costuma terminar em chutes e empurrões.

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