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19 Novembro 2015

"Veremos qual 'Roma' prevalecerá, se as palavras de abertura do Papa ou a prudência do Sínodo dos bispos. Por certo, é paradoxal para um protestante, por uma vez, “torcer” pelo Sumo Pontífice e não por um organismo colegial como o Sínodo", comenta Luca Maria Negro, Pastor Batista e direitor do portal Riforma, em artigo publicado por Riforma.it, 17-11-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

Eis o artigo.

Na rubrica radiofônica “o caminho para a unidade”, que cuidou, uma vez ao mês, para o programa “Culto evangélico” da Rádio ‘ RAI (e que vem publicada também em Reforma), por duas vezes me ocupei do tema dos casais mistos – ou melhor, interconfessionais -, aqueles onde um cônjuge é católico e o outro pertence a outra confissão cristã. Falamos disso em outubro para dar voz às esperanças da Rede internacional das famílias interconfessionais, que solicitavam ao Sínodo dos bispos sobre a família de deixar de considerá-las como um “problema” e de reconhecer, ao invés, sua riqueza e potencialidade. As famílias interconfessionais solicitavam em particular um passo em frente na possibilidade, para os cônjuges, de receberem juntos a eucaristia ou Ceia do Senhor, como se desejaria (coisa que por norma é possível nas igrejas evangélicas, mas não na igreja católica).

Pela segunda vez, em novembro, retornamos ao argumento para lamentar a frustração destas esperanças: o relatório final do Sínodo há pouco concluído, de fato, sobre esse ponto reafirma quanto é previsto pelo Diretório ecumênico de 1993, isto é, que “embora os esposos de um matrimônio misto tenham em comum os sacramentos do batismo e do matrimônio, o compartilhamento da Eucaristia não pode ser senão excepcional”. Embora, no debate sinodal, houvera propostas de abertura, no final prevaleceu a posição mais prudente (ou mais conservadora). Mas, até quando será possível frear as pressões da base das igrejas, que pede faz tempo que se supere o escândalo da divisão dos cristãos à mesa eucarística? Um velho adágio diz: Roma locuta, causa finita. Ou seja; quando Roma falou, não há mais nada a fazer. Mas, trata-se de um dito que talvez, com o atual Pontífice, seja revisto. Há poucos dias, Francisco, de fato, nos reservou uma nova surpresa, durante a visita à Igreja luterana de Roma (15 de novembro).

À pergunta de Anke de Bernardinis, uma luterana de Roma, casada com um católico, que dizia “dói-nos muito ser divididos na fé e não poder participar juntos da Ceia do Senhor” e perguntava “que coisa podemos fazer para chegar, finalmente, à comunhão sobre este ponto?”, o Papa Francisco tornou sua a pergunta da senhora de Bernardinis, interrogando-se: “Compartilhar a Ceia do Senhor é o fim de um caminho ou é o viático para caminhar juntos? Deixo a pergunta aos teólogos”, acrescentou Francisco, mas pouco mais adiante se deu sozinho a resposta: “’Isto é o meu corpo, isto é o meu sangue’, disse o Senhor, ‘fazei isto em memória de mim’, e isto é um viático que nos ajuda a caminhar”. E aconselhou seguir a consciência: “Vede vós... É um problema ao qual cada um deve responder. Mas, dizia um pastor amigo: ‘Nós cremos que o Senhor está presente ali. Está presente. Vocês creem que o Senhor está presente'. E qual é a diferença? ‘São as explicações, as interpretações... ’ A vida é maior do que as explicações e interpretações. Sempre fazeis referência ao batismo: ‘uma fé, um batismo, um Senhor', assim nos diz Paulo, e de lá tirais as consequências. Eu não ousarei jamais dar permissão de fazer isto porque não é minha competência. Um batismo, um Senhor, uma fé. Falais com o Senhor e ides em frente. Não ouso dizer mais nada”.

Bergoglio, em suma, está muito mais na frente do que os bispos. Parece-me que o seu pensamento nessa matéria seja claríssimo: acima de tudo, primado da consciência. A afirmação que não ousará jamais dar uma “permissão” de compartilhar a Ceia “porque isto não é minha competência” não seja lida como um pilatesco “lavar as mãos”. Vejo aí antes (mas talvez sejam os meus “óculos protestantes”?). O reconhecimento do fato que a Ceia não é nossa e sim, precisamente, do Senhor: “Falai com o Senhor e ide em frente”. E depois, a Ceia não como contribuição final de um caminho de unidade, mas como viático – isto é literalmente “providenciada para a viagem” – que nos permite caminha junto para a unidade. Roma locuta, causa finita?

Veremos qual “Roma” prevalecerá, se as palavras de abertura do Papa ou a prudência do Sínodo dos bispos. Por certo, é paradoxal para um protestante, por uma vez, “torcer” pelo Sumo Pontífice e não por um organismo colegial como o Sínodo. Em todo o caso, obrigado ao irmão Francisco que nos permite uma vez mais esperar por uma nova primavera ecumênica.

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