“O sistema energético baseado no petróleo nos leva a um desastre ecológico”, afirma assessor do Papa

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Por: Jonas | 10 Novembro 2015

“O sistema energético baseado no petróleo nos leva um desastre ecológico”. Assim, de modo claro e categórico, afirmou, ontem, dom Marcelo Sánchez Sorondo, diretor da Chancelaria das Academias pontifícias das Ciências e das Ciências Sociais, ao analisar, em uma Jornada organizada pela Pontifícia de Comillas, a encíclica Laudato Si do Papa Francisco.

A reportagem é de José Manuel Vidal, publicada por Religión Digital, 06-11-2015. A tradução é do Cepat.

Com o título ‘Ecologia, Ciência e Teologia’, a Faculdade de Teologia e a cátedra de Ciência, Tecnologia e Religião da Pontifícia de Comillas organizaram um encontro de reflexão sobre a Laudato Si’.

Na apresentação da Jornada, o reitor da Comillas, Julio L. Martínez, disse que, em sua avaliação, o “Papa com a encíclica nos pede diálogo e nos abre ao campo do diálogo interdisciplinar, que é uma questão que também preocupa há tempo nossa Universidade, porque nesse diálogo estão os direitos das pessoas e o futuro da Humanidade”. E acrescentou: “A realidade é complexa e só podemos apreendê-la pela multidisciplinaridade”.

Enrique Sanz, o decano da Faculdade de Teologia de Comillas, agradeceu o trabalho dos organizadores e participantes e apresentou dom Sánchez Sorondo. Após a projeção de um documento sobre a encíclica, o chanceler das academias de Ciências da Santa Sé dissertou sobre ‘A novidade da Laudato si’’.

O curial vaticano ficou agradecido pelo convite da Comillas, “templo do saber” e “centro jesuíta e, como o Papa também o é, isso impressiona mais”. Assim que entrou no assunto, dom Sorondo afirmou que a encíclica é uma síntese de três dimensões: a religiosa, a científica e a social.

No que diz respeito à dimensão religiosa, o prelado argentino afirmou que a Laudato Si’ está “amalgamada a uma teologia nova”, que focaliza o Reino de Deus. “Não é totalmente teilhardiana, mas insiste na volta ao Pai”.

Uma encíclica, pois, profundamente religiosa, na qual se pede ao homem que cuide da criação, sem cair em uma visão romântica da mesma. “Trata-se de não utilizar a criação como uma máquina, mas, sim, de acompanhá-la, de guardá-la, de desenvolver todas suas potencialidades, colaborando com a terra”. É o que Sorondo definiu como “visão franciscana”.

Além de religiosa, a encíclica papal é científica, ou seja, “assume os dados da ciência. Ao contrário do que fez a Igreja, encabeçada pelo jesuíta cardeal Belarmino, nos tempos de Galileu. Ainda que Sánchez Sorondo tenha dito a esse respeito que Galileu “não foi condenado, vivia na casa de um cardeal, tinha uma filha freira e inclusive há alguns que o querem tornar santo”.

No campo científico, a encíclica sustenta que “o aquecimento global se deve aos gases de efeito estufa”. Ou seja, “o sistema baseado no petróleo nos leva a um desastre ecológico”. Algo que, segundo o arcebispo curial, já é sustentado pelos próprios economistas. “O petróleo também não é o combustível mais barato, porque é subvencionado pelos Estados”. Como consequência, “são os pobres que o estão pagando aos ricos, porque as petroleiras se fazem subvencionar pelos Estados”.

“Conversão ecológica”

É necessária, portanto e como pede o Papa na encíclica, “uma conversão ecológica” que, na avaliação de Sánchez Sorondo, passa pela potencialização ao máximo das energias renováveis e da biodiversidade.

Como exemplo prático de apoio à biodiversidade, o prelado se referiu a um projeto que já está em marcha e que ele mesmo visitou na Amazônia brasileira. “Ali, com a ajuda da Igreja, do Governo e de diversas associações, fizeram o levantamento de mais de 80 povos que se autoabastecem, com gente absolutamente convencida de que o futuro passa pela conservação da biodiversidade, em uma espécie de reduções jesuítas amazônicas”.

Além da religiosa e a científica, a encíclica tem uma terceira dimensão: a social. Porque “não é uma encíclica só ecológica, mas também social”. Por isso, destaca as consequências sociais da mudança climática. Por exemplo, que “as consequências da utilização do petróleo e do carvão são sofridas pelos povos e as pessoas mais pobres. Pobreza sobre pobreza”. Ou seja, “se não a tratamos bem, a natureza se volta como um bumerangue contra nós, especialmente contra os mais pobres dos pobres”.

E Sánchez Sorondo denuncia que não só aumenta a pobreza, como também “as formas extremas de exclusão e de escravidão: sobretudo, o trabalho forçado das crianças, a prostituição, a venda de órgãos ou o tráfico de pessoas”. “O trabalho forçado é uma nova forma de escravidão, com 30 milhões de pessoas que a sofrem no mundo”, afirmou.

Após explicar brevemente as três dimensões da encíclica, Sánchez Sorondo insistiu em que a teologia presente nela é “dinâmica” frente às teologias “mais estáticas” de outras encíclicas papais.

Também quis desfazer uma acusação que se costuma fazer ao texto de Francisco. “A encíclica não é pessimista. O que adverte é que estamos a tempo, mas que temos que mudar” e caminhar não só para a ‘regra de ouro’, mas para o projeto das Bem-aventuranças, para regular a sociedade atual. Porque “a terra não são dos ricos, mas, sim, dos bem-aventurados”.

A jornada encerrou com uma mesa-redonda, na qual interviram os professores Ignacio Pérez Arriaga, diretor da Cátedra PB de energia e sustentabilidade Comillas, e Pedro Fernández Castelao, do departamento de Teologia Fundamental, moderada por José Manuel Caamaño, diretor da cátedra Ciência, Tecnologia e Religião da Pontifícia Comillas.

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