Francisco: Romero mártir inclusive depois da morte, difamado e caluniado

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Por: André | 03 Novembro 2015

Óscar Arnulfo Romero, arcebispo de San Salvador, assassinado em 1980 pelos esquadrões da morte de seu país enquanto presidia a missa e que foi beatificado pelo Papa Francisco em 23 de maio passado, foi “difamado, caluniado e enlameado” após sua morte. Por esta razão, seu martírio “continuou”, “inclusive por causa dos seus irmãos no sacerdócio e no episcopado”, com a “pedra mais dura que existe no mundo: a língua”. A denúncia foi feita pelo Papa Francisco na conclusão do seu discurso dirigido aos participantes da peregrinação de El Salvador, que foram a Roma justamente para agradecer pela beatificação de dom Romero.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi e publicada por Vatican Insider, 30-10-2015. A tradução é de André Langer.

“O martírio de dom Romero – afirmou o Papa – não foi no momento da sua morte, foi um martírio, testemunho de sofrimento anterior: perseguição anterior até a sua morte. Mas também posterior, porque uma vez morto – eu era jovem sacerdote e fui testemunha disso –, uma vez morto foi difamado, caluniado, enlameado”. Seu martírio, disse Francisco deixando de lado o discurso escrito, “foi continuado inclusive por seus irmãos no sacerdócio e no episcopado. Eu ouvi pessoalmente essas coisas, ou seja, é lindo vê-lo também assim, um homem que segue sendo mártir. Após dar a sua vida, seguiu deixando-se açoitar por todas essas incompreensões e calúnias. Isso dá força, só Deus sabe. Somente Deus conhece as histórias das pessoas, e quantas vezes as pessoas que deram sua vida continuam sendo lapidadas com a pedra mais dura que existe no mundo: a língua.”

O Papa agradeceu aos 500 peregrinos salvadorenhos que foram recebidos na Sala Régia do Palácio Apostólico, que chegaram a Roma com “alegria pelo reconhecimento como beato de dom Óscar Arnulfo Romero, pastor bom, cheio de amor de Deus e próximo dos seus irmãos aos quais, vivendo o dinamismo das bem-aventuranças, chegou até a entrega da sua vida de maneira violenta, enquanto celebrava a Eucaristia, sacrifício do amor supremo, selando com seu próprio sangue o Evangelho que anunciava”.

Francisco recordou que ninguém nasce mártir, mas que se trata de uma “graça que o Senhor concede”, e, em seguida, retomou sua audiência de 7 de janeiro passado, na qual recordou as palavras do próprio Romero: “Todos devemos estar dispostos a morrer por nossa fé, mesmo que o Senhor não nos conceda esta honra... Dar a vida não significa apenas que matem alguém; dar a vida, ter espírito de martírio, é entregá-la no dever, no silêncio, na oração, no cumprimento honesto do dever; nesse silêncio da vida cotidiana; dar a vida aos poucos”.

O mártir, prosseguiu o Pontífice argentino, “não é alguém que ficou relegado ao passado, uma bela imagem que adorna os nossos templos e que recordamos com certa nostalgia. Não, o mártir é um irmão , uma irmã, que continua nos acompanhando no mistério da comunhão dos santos, e que, unido a Cristo, não ignora o nosso peregrinar terreno, nossos sofrimentos e nossas angústias. Na história recente desse querido país, ao testemunho de dom Romero somou-se o de outros irmãos e irmãs, como o Pe. Rutilio Grande, que, temendo perder a vida, ganhou-a, e foram constituídos intercessores de seu povo perante o Vivo, que vive pelos séculos dos séculos, e tem em suas mãos as chaves da morte e do abismo”.

Jesuíta, colaborador de Romero, Rutilio Grande também foi assassinado pelos esquadrões da morte, mas em 1977. Sua causa de beatificação começou há poucos meses em El Salvador. Ao apresentar a beatificação de Romero e anunciando a de Rutilio, o postulador da causa do arcebispo de El Salvador, dom Vincenzo Paglia, contou que durante estes anos houve “montanhas de papéis escritos contra a beatificação de Romero”.

Ao princípio da audiência, dom José Luis Escobar, presidente da Conferência Episcopal de El Salvador, fez uma saudação, em nome dos peregrinos, na qual disse que não podia expressar plenamente seus sentimentos de gratidão pela beatificação do “melhor filho” de El Salvador, com a qual se escreveu “a mais bela página da história da nossa Igreja e do nosso país”.

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