Energia solar ganha força dias antes de conferência sobre o clima em Paris

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20 Outubro 2015

Da Europa até os Estados Unidos, passando pela China e pela África, a energia solar vem avançando de forma impressionante em todo o mundo e a cada dia se afirma como a energia do futuro. Vem ganhando espaço mesmo na França, "pátria" da energia nuclear. Em muitos países, a energia solar já não precisa de subsídios, tendo se tornado competitiva em relação à energia eólica, mas também ao carvão e ao gás, na produção de eletricidade.

A reportagem é de Jean Michel Bezat, publicada por Le Monde, 17-10-2015.

Uma competitividade que será reforçada no dia em que os governos decidirem dar um preço ao CO2 que é lançado na atmosfera, uma perspectiva ainda muito otimista, a um mês e meio da abertura da Conferência de Paris sobre o Clima (COP21).

Em 2010, a moratória sobre a conexão das usinas solares decidida pelo governo para estourar a bolha especulativa havia derrubado um setor incipiente. Uma vez estabilizado, o mercado voltou com mais força.

Na França, a energia solar ainda não é rentável sem as tarifas de venda para EDF [estatal de energia]. Seu preço médio chega a 87 euros (R$ 380) por megawatt-hora (MWh), sendo que os 58 reatores nucleares da EDF produzem eletricidade a 42 euros por MWh. Mas se não forem levados em conta os sobrecustos associados à necessidade de se apoiar a energia solar em usinas térmicas para compensar sua intermitência, a energia fotovoltaica será menos cara que a eletricidade produzida por EPRs (reatores nucleares de terceira geração), que passará de 100 euros por MWh.

Em 15 países, a eletricidade solar atingiu a "paridade de rede", ou seja, o custo de produção do megawatt-hora é idêntico à tarifa cobrada do consumidor. Esse custo agora oscila entre 58 euros e 87 euros (R$ 253 e R$ 380). E sem as medidas anti-dumping adotadas por Bruxelas em 2013, que encareceram os equipamentos chineses, a energia solar ganharia mais competitividade.

Em cinco anos, o cenário mundial mudou radicalmente. Depois do "massacre" do excesso de produção entre os fabricantes de painéis, que derrubou grande parte da indústria alemã e muitas empresas chinesas, as americanas First Solar e Sunpower (que têm 60% de participação da Total) e seis grupos chineses, entre eles a gigante Yingli, agora dominam o mercado das células fotovoltaicas. Tendo se tornado um produto de base fabricado em grande escala, seu custo caiu cinco vezes desde 2010.

Uma dinâmica bem real

O custo da instalação dos parques solares e da integração ao seu ambiente também caiu muito graças a uma industrialização do processo, que permitiu ganhar em produtividade. Na Europa e nos Estados Unidos, esses custos caíram para menos da metade em dois a cinco anos, mais do que em regiões de mão de obra barata como a Índia, onde é possível colocar em funcionamento um parque solar entre 12 e 18 meses a partir do lançamento do projeto.

A potência do parque solar aumenta a cada ano. Desde 2010, ela avançou mais do que nos 40 anos anteriores. A Europa, que por um tempo foi líder do mercado mundial graças à Alemanha e à Itália, cedeu essa posição à China, que tem uma política ambiciosa de redução do carvão por necessidades de saúde pública. Ela sozinha poderia atingir 150 gigawatts dentro de cinco anos (contra 36 GW no final de junho de 2015), acaba de anunciar um dirigente do setor energético.

A China é seguida pelos Estados Unidos e pelo Japão, que está sem energia nuclear desde a catástrofe de Fukushima em março de 2011. Na Índia, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, anunciou 100 mil megawatts em 2022 por um investimento de US$ 100 bilhões (R$ 384 bilhões).

É preciso ver essas metas em números com cautela, mas elas traduzem uma dinâmica bem real. Tanto os pesos-pesados franceses do setor (Total, EDF Energies Nouvelles, Engie...) quanto os pesos-médios (Neoen, EREN RE, Solairedirect...) têm apostado cada vez mais no mercado internacional, sobretudo em países emergentes com falta de energia e forte insolação.

Segundo a Agência Internacional da Energia (AIE), os custos de produção convergirão à medida em que o mercado se expandir. Segundo ela, isso deverá levar a uma queda de 25% no preço em 2020, 45% em 2030 e 65% na metade do século, "levando a um leque de US$ 40 a US$ 160 por MWh com um custo do capital de 8%". Com essa perspectiva, a agência acredita que o sol poderá ser a principal fonte de produção de energia, à frente das energias fósseis, da energia eólica, das usinas hidrelétricas e da energia nuclear.

O fotovoltaico (16%) e o solar térmico (11%) totalizariam então 27%, evitando a emissão de mais de 6 bilhões de toneladas de CO2 por ano a partir de 2050. Seria preciso que os países demonstrassem boa vontade e abrissem mão de políticas de "stop-go", mas também que pesquisadores e indústrias conseguissem um avanço tecnológico no armazenamento de energia, que teria uma dupla vantagem: garantir um abastecimento 24 horas por dia e valorizar o preço de um quilowatt-hora que se pode vender pelo melhor preço quando a demanda é alta.

Restam os financiamentos, que podem representar uma porcentagem considerável (15% a 20%) do custo final de um projeto. As usinas solares fotovoltaicas e térmicas "têm uma grande capacidade capitalística, pois todos os gastos são efetuados antes", lembrou em 2014 a diretora executiva da Agência Internacional da Energia, Maria van der Hoeven, ao apresentar seu plano de ação para a energia solar.

Baixar o custo do capital, portanto, é de importância primordial. Dinheiro não falta, ele pode vir de bancos públicos, estabelecimentos privados ou veículos financeiros, como os investimentos americanos de alto rendimento (yieldcos) que surgiram em 2014. Os investidores agora sabem que a energia solar se tornou uma máquina de fazer dinheiro muito segura.

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