Integração solar e eólica é alvo de recentes estudos

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12 Novembro 2011

A energia solar promete ganhar espaço na matriz elétrica brasileira, tanto que crescem os investimentos em pesquisas e novas tecnologias nessa área. Furnas, por exemplo, fechou parceria com a hidrelétrica chinesa Três Gargantas para o desenvolvimento de energias renováveis em diversas partes do mundo. Segundo Cláudio Semprine, assistente da diretoria de novos negócios, uma das ideias em análise é construir usinas solares integradas aos parques eólicos que a empresa instalou no Rio Grande do Norte e no Ceará.

A reportagem é de Carmen Nery e publicada pelo jornal Valor, 10-11-2011.

"Estamos iniciando as pesquisas, mas já sabemos que a integração eólica e solar diminui riscos, pois os sistemas solares podem assumir a carga em eventual interrupção dos aerogeradores eólicos. Já estamos discutindo com a Três Gargantas uma parceria para o próximo leilão de eólica", diz Semprine. A empresa também testa com o Centro de Pesquisas da Eletrobras (Cepel) duas tecnologias solares com a instalação de painéis fotovoltaicos e coletores termossolares em diversas partes do país. "A expectativa é ter um projeto de usina solar até o fim de 2012."

Na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), pesquisadores liderados pelos professores Adriano Moehlecke e Izete Zanesco desenvolveram uma tecnologia para a produção em escala comercial de células solares e de módulos fotovoltaicos. O grupo desenvolveu, em parceria com empresas como Eletrosul, Petrobras e Companhia Estadual de Energia Elétrica do RS (CEEE) uma planta-piloto com 12 mil células e 200 módulos. O plano de negócios apontou a viabilidade econômica do projeto. "Procuramos investidores porque o projeto exige fortes investimentos em P&D, típico de indústrias de alta tecnologia", explica Moehlecke.

Para o pesquisador, o que vai deslanchar esse mercado são as regras para regular a compra e a venda de energia. A regulamentação está prevista para o primeiro trimestre de 2012 e vai permitir às residências serem produtoras independentes, com medidores para registrar o consumo e o crédito de energia. "Na segunda etapa, será preciso negociar com as concessionárias a aceitação da energia gerada pelos módulos residenciais. Saindo a regulamentação, o governo terá de criar um programa de incentivos e de exigências de nacionalização. Se não fizer isso, teremos uma importação em massa", defende Moehlecke.

Outra expectativa é quanto ao leilão que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) se prepara para realizar no primeiro trimestre de 2012. Para Marcelo Prado, diretor de marketing da GE Energy para a América Latina, a cadeia nacional não está preparada para a energia solar. "É preciso criar uma política de geração de demanda. No caso da eólica, a procura foi criada com os leilões. Fala-se em um leilão de 10 MW, mas ele não pode ser isolado. Tem que ser contínuo, se o objetivo for criar uma indústria nacional", alerta Prado.

Pioneira na instalação de uma usina solar em Tauá, pequena cidade com alto índice de insolação, localizada a 360 km de Fortaleza (CE), a MPX procura municípios em outros Estados do Nordeste para ampliar os investimentos em energia solar. O projeto exigiu investimento R$ 10 milhões para o desenvolvimento uma usina de 1 MW, cuja integração foi feita pela área de engenharia da empresa que desenhou um projeto com painéis fotovoltaicos da Kyocera e inversores da Engeteam. Agora, serão investidos mais R$ 7 milhões por meio de um contrato com a GE, parceira da empresa nas usinas a gás, para mais 1MW e a perspectiva de atendimento ao restante dos 5 MW que já foram autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

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