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Por: Jonas | 22 Setembro 2015

Francisco chegou ontem a Havana e, hoje, inicia suas atividades formais com uma missa multitudinária na Praça da Revolução, da qual também participará Cristina Fernández. Espera-se que a Presidente, que viajou especialmente para este momento, saúde o Papa ao término da cerimônia, mas não está prevista uma reunião particular entre os dois. Esta será a sétima vez que se encontram desde que o argentino assumiu como papa, há pouco mais de dois anos. Quatro dessas ocasiões foram audiências privadas.

A reportagem é de Washington Uranga, publicada por Página/12, 20-09-2015. A tradução é do Cepat.

Jorge Bergoglio permanecerá na ilha até a próxima quarta-feira e embora nenhuma fonte oficial tenha confirmado, muitos elementos apontam que terá um encontro com Fidel Castro. O porta-voz vaticano Federico Lombardi disse que “com toda probabilidade é previsível que (o encontro) irá acontecer”. O Vatican Insider, um meio de comunicação italiano que habitualmente apresenta informação de primeira mão, afirmou, citando “fontes próximas ao entorno papal”, que “a conversa (...) foi solicitada pelo Vaticano e a diplomacia cubana deu o seu beneplácito”.

Na terça-feira, 15 de setembro, o jornal Granmma, do Partido Comunista Cubano, dedicou sua capa ao papa. No editorial, destaca-se que “escutaremos as palavras de Sua Santidade com respeito e atenção, mostrando que somos um povo educado e nobre, que como digno anfitrião apresentará sua história, cultura e tradições”. E também recorda que Cuba se encontra “imersa no processo de atualização de seu modelo socioeconômico, comprometida na defesa da soberania popular” para “preservar suas conquistas sociais e alcançar o maior bem-estar para todos, sem exclusões”. O primeiro encontro entre Fidel Castro e um papa ocorreu no dia 19 de novembro de 1996, quando o então presidente de Cuba foi recebido no Vaticano por João Paulo II.

Dois anos depois, Karol Wojtyla visitou Cuba e Castro esteve presente na missa, em Havana. Bento XVI esteve em Cuba em março de 2012 e nessa ocasião também houve um encontro com Fidel Castro – que, naquele momento, já não era presidente –, ocorrido na sede da nunciatura (embaixada do Vaticano), em Havana.

Em 1997, falando na Jamaica, Castro havia dito que “Cristo foi um grande revolucionário... Era um homem cuja doutrina toda se consagrou aos humildes, aos pobres, a combater a humilhação do ser humano. Eu diria que existe muita coisa em comum entre o espírito, a essência de sua pregação, e o socialismo”. Em uma introdução de 1998, para um livro que reuniu as contribuições de João Paulo II e Fidel Castro durante a visita do polaco a Cuba, ‘Diálogos entre João Paulo II e Fidel Castro’, o então arcebispo Jorge Bergoglio admitiu que “desde que, em 1980, Fidel Castro propõe ‘uma aliança estratégica entre cristãos e marxistas’, não parou com as suas tentativas de encontrar e demonstrar convergências ou pontos de conexão entre o catolicismo e os postulados da revolução”.

Frei Betto é um sacerdote católico brasileiro, teólogo da libertação, que teve grande proximidade com a Revolução Cubana e permanente diálogo com Fidel. Em maio de 1985, o cubano e o brasileiro se reuniram para conversar sobre religião e sobre a experiência pessoal do dirigente cubano a respeito do tema. O encontro deu origem, depois, ao livro ‘Fidel e a religião’. “Recordo essas horas de entrevista com muita emoção”, disse Frei Betto. “Essa entrevista foi um presente de Fidel ao povo de Cuba, que é um povo que tem profundas raízes religiosas, um povo crente, um povo que vive os valores do Evangelho, da solidariedade, o altruísmo, a crença de que é possível criar uma civilização e que todos vivam com seus direitos, ou o que, teologicamente, como dizemos, todos vivam como filhos de Deus”.

Guzmán Carriquiry, um leigo uruguaio muito próximo de Bergoglio e que ocupa a vice-presidência da Comissão Pontifícia para América Latina, disse em uma reportagem, concedida ao Vatican Insider, que é “errôneo fazer uma leitura principalmente política à viagem de Francisco a Cuba e os Estados Unidos” e sustentou que o Papa “vai a Cuba para abraçar o povo cubano na caridade de Cristo, para confirmar os fiéis na fé e para agradecer a Igreja da ilha por sua fidelidade durante tempos duros e difíceis, que pertencem ao passado”.

De fato, as autoridades da Igreja em Cuba admitem que hoje as relações com o governo de Raúl Castro são boas. O principal interlocutor eclesiástico é o cardeal Jaime Ortega, um homem em boa sintonia com Bergoglio. A Conferência Episcopal Cubana reagiu rapidamente “com profunda satisfação” ao indulto de mais de 3.500 presos, anunciado pelo governo em razão da chegada de Francisco. Sabe-se também que, discretamente, mas sem pausa, o Estado cubano devolveu à Igreja Católica templos, recintos religiosos, casas paroquiais, terrenos e edificações que lhe pertenciam e que haviam sido confiscados pelo governo revolucionário.

Por outra parte, a dissidência cubana também solicitou uma entrevista com Francisco e as chamadas Damas de Branco pediram para falar com o Papa, “para que saiba o que está acontecendo em Cuba”. Nada se conhece, nem foi confirmado a respeito desta possível reunião. No entanto, de Miami, a porta-voz das Damas de Branco, María Elena Alpizar, disse que é necessário que o Papa escute diretamente os dissidentes, “porque seu cardeal (Ortega) não vai lhe dizer a verdade”. O porta-voz vaticano, Federico Lombardi, manifestou, antes de partir de Roma, que o Papa “não tem em sua agenda” uma reunião com os grupos dissidentes.

Em declarações jornalísticas, Carriquiry admitiu “a melhora nas relações entre a Santa Sé e Cuba” em comparação às visitas pontificais anteriores, ressaltou que “desta vez há um papa latino-americano” e enfatizou “o reconhecimento do presidente cubano, Raúl Castro, pela contribuição diplomática do Vaticano, um fator que reforça ainda mais a autoridade e a esperança que Francisco leva consigo viajando a ilha”.

Durante os quatro dias que durará sua visita, além de Havana, o Papa visitará Holguín e Santiago de Cuba, e celebrará três missas, nas quais está prevista a participação de multidões. Embora apenas 5% dos cubanos se declarem formalmente católicos, na atualidade, o povo cubano mantém uma tradição religiosa na qual predominam os cultos sincréticos de origem africanos. A Igreja que teve um peso político institucional importante na história do país, perdeu essa ascendência com a chegada da revolução, com quem também travou duras batalhas. As relações se recompuseram a partir de João Paulo II e o catolicismo continua tendo influência cultural, sobretudo, nos setores dirigentes. Também dirigentes políticos identificados com o processo revolucionário mostram, hoje, abertura ao religioso e inclusive insinuam seu retorno às fileiras do catolicismo, do qual alguma vez fizeram parte eles próprios ou suas famílias.

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