Papa Francisco em Cuba, advertência aos EUA

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21 Setembro 2015

O universo latino-americano, ideologicamente espúrio e muito menos dogmático do que o comunismo stalinista, é em grande parte novo e desconhecido para o catolicismo estadunidense, formado até hoje na identificação entre americanismo e cristianismo. Romper essas barreiras entre povos é um dos carismas globais do catolicismo e do papado.

A opinião é do historiador italiano Massimo Faggioli, professor de história do cristianismo da University of St. Thomas, em Minnesota, nos EUA. O artigo foi publicado no sítio TheHuffingtonPost.it, 20-09-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A visita de Francisco a Cuba faz parte da mensagem de unidade do papa ao continente americano. Ela se soma à visita aos Estados Unidos (programada por Bento XVI antes da sua renúncia e bem antes da hipótese muito recente de uma etapa em Cuba), mas não é um "stopover", uma parada técnica, e não apenas pela duração da visita na ilha caribenha (relativamente longa em relação às dimensões de Cuba).

Francisco vai para Cuba na onda da vitória diplomática obtida nos últimos meses com a reconciliação entre Cuba e Estados Unidos: depois de mais de meio século de tensões, o papel do Vaticano foi essencial, reconhecido formalmente tanto por Obama quanto por Raúl Castro. Mas não é uma celebração, mas uma reafirmação das capacidades diplomáticas da Santa Sé: não apenas para a Cuba de Castro, mas para os Estados Unidos da extrema polarização política que se estende hoje também para as questões internacionais e de segurança (especialmente o dossiê do acordo com Irã sobre a energia nuclear). A viagem a Cuba é uma advertência indireta aos Estados Unidos acerca das responsabilidades da superpotência global em relação a um mundo aos pedaços.

O segundo motivo que torna a visita interessante é o fato de que o Papa Francisco pôs novamente em discussão o paradigma geopolítico católico, que, no século XX e especialmente após o fim da Segunda Guerra Mundial, via a Igreja Católica como parte do eixo norte-atlântico – apesar da vocação universalista do catolicismo, verdadeiro adversário ideológico do comunismo. O papa argentino é muito mais do que uma pincelada exótica na sacada da Praça de São Pedro. Ele redefine a percepção do catolicismo: social e política (a partir dos pobres) e geopolítica (a partir do Sul do mundo).

O terceiro motivo é a nova relação entre o catolicismo e um universo político e cultural como o sul-americano: carne e sangue da Igreja global, mas até agora distante dos centros do poder papal. Os insultos dos comentaristas conservadores estadunidenses que veem em Francisco um "papa comunista" revelam as ansiedades da alma imperial norte-americana.

A visita de Francisco a Cuba de 2015 vem depois das de João Paulo II e de Bento XVI. Mas a percepção política dessa visita de Francisco é totalmente diferente e por muitas boas razões. Tanto Wojtyla quanto Ratzinger haviam sido (de modos diferentes) baluartes contra a contaminação ideológica entre catolicismo e comunismo na Igreja da Guerra Fria. O Papa Francisco viveu (como muitos europeus) em um país onde muitos católicos eram comunistas, e muitos comunistas eram católicos; o seu primeiro superior no posto de trabalho (laboratório químico) foi uma comunista (mulher) com a qual o futuro papa permaneceu em relações de amizade por um tempo muito longo.

A viagem americana de Francisco faz parte de um percurso de descoberta do americanismo católico para o jesuíta Bergoglio. Mas a viagem de Francisco que une Cuba e Estados Unidos não é menos importante para os norte-americanos: representa uma etapa na descoberta da dimensão global do catolicismo.

Esse universo latino-americano, ideologicamente espúrio e muito menos dogmático do que o comunismo stalinista, é em grande parte novo e desconhecido para o catolicismo estadunidense, formado até hoje na identificação entre americanismo e cristianismo. Romper essas barreiras entre povos é um dos carismas globais do catolicismo e do papado.

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