“Responderemos com democracia”, diz Tsipras

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Por: Jonas | 30 Junho 2015

Entre a meia-noite de sexta-feira e a madrugada do sábado europeu, o líder do Syriza convocou uma consulta popular para que o povo decida se aceita o ajuste que a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional propõem. Segue, abaixo, a histórica convocação de Alexis Tsipras, publicada pelo jornal Página/12, 29-06-2015. A tradução é do Cepat.

Eis a convocação.

 
Fonte: http://goo.gl/zyI6ST  

Compatriotas, há seis meses, o governo grego tem travado uma batalha em condições de asfixia econômica sem precedentes, com a finalidade de implementar o mandato que o povo nos legou no dia 25 de janeiro.

O objetivo pelo qual estávamos negociando com os nossos parceiros buscava acabar com a austeridade e permitir que a prosperidade e a justiça social regressassem ao nosso país.

Era uma aposta em um acordo sustentável que respeitasse tanto a democracia, como as leis comuns da Europa, e que conduzisse à saída definitiva da crise.

Ao longo deste período de negociações, fomos convidados a implementar os acordos pactuados pelos governos anteriores, mediante os memorandos, embora estes tenham sido categoricamente condenados pelo povo grego nas recentes eleições.

Apesar disso, em nenhum um momento pensamos em nos render. Isso seria trair a confiança de vocês.

Infelizmente, após cinco meses de duras negociações, os nossos parceiros lançaram, na reunião do Eurogrupo de anteontem (quinta-feira), um ultimato à democracia grega e ao povo grego.

Um ultimato que é contrário aos princípios e valores fundamentais da Europa, aos valores do nosso projeto comum europeu.

Pediram ao governo grego que aceitasse uma proposta que representa um novo fardo insustentável para o povo grego e que boicota a recuperação da economia e da sociedade gregas, uma proposta que não só perpetua o estado de incerteza, como também acentua ainda mais as desigualdades sociais.

A proposta das instituições inclui medidas que conduzem a uma maior desregulamentação do mercado de trabalho, cortes nas aposentadorias, mais reduções nos salários do setor público e um aumento do IVA sobre os alimentos, restaurantes e turismo, ao mesmo tempo em que elimina alguns benefícios fiscais das ilhas gregas.

Estas propostas violam diretamente os direitos sociais e fundamentais da Europa: demonstram que em relação ao trabalho, à igualdade e à dignidade, na mira de alguns dos sócios e instituições, não existe um acordo viável e benéfico para todas as partes, a não ser a humilhação do povo grego.

Estas propostas destacam, principalmente, a insistência do FMI na austeridade severa e disciplinar e tornam mais oportuna do que nunca a necessidade de que as principais potências europeias aproveitem a oportunidade e tomem iniciativas que permitirão o fim definitivo da crise da dívida soberana grega, uma crise que atinge outros países europeus e que ameaça o próprio futuro da integração regional.

Compatriotas gregos, neste momento está sobre os nossos ombros uma responsabilidade histórica frente às lutas e sacrifícios do povo grego para a consolidação da democracia e da soberania nacional, a responsabilidade pelo futuro do nosso país.

E essa responsabilidade nos obriga a responder a um ultimato baseado na vontade soberana do povo grego.

Há pouco, na reunião do Conselho de Ministros, sugeri a organização de um referendo, para que o povo grego decida de forma soberana. A sugestão foi aceita por unanimidade.

Amanhã (sábado), será convocada uma reunião de urgência no Parlamento para ratificar a proposta do gabinete de um referendo no próximo domingo, dia 5 de julho, sobre a aceitação ou rejeição das propostas das instituições.

Já informei a minha decisão ao presidente da França, à chanceler da Alemanha e ao presidente do Banco Central Europeu, e amanhã farei seguir, por carta, um pedido formal aos líderes e às instituições da União Europeia, para que estendam por alguns dias o programa atual de liquidez, com o objetivo de que o povo grego possa decidir livre de qualquer pressão e chantagem, como é exigido pela Constituição do nosso país e pela tradição democrática da Europa.

Compatriotas gregos, diante da chantagem do ultimato que nos exige aceitar uma severa e degradante austeridade sem fim e sem qualquer perspectiva de recuperação social e económica, peço que vocês respondam de forma soberana e orgulhosa, como a história do povo grego exige.

Ao autoritarismo e à dura austeridade, responderemos com democracia, calmamente e de forma decisiva.

A Grécia, o berço da democracia, irá enviar uma ressonante resposta democrática à Europa e ao mundo.

Estou pessoalmente comprometido a respeitar o resultado da escolha democrática de vocês, independente de qual for.

E estou absolutamente confiante de que a escolha de vocês honrará a história de nosso país e enviará uma mensagem de dignidade ao mundo.

Nestes momentos críticos, todos nós precisamos recordar que a Europa é a casa comum dos povos. Na Europa, não há donos, nem convidados.

A Grécia é e continuará sendo parte integrante da Europa e a Europa é parte integrante da Grécia. Mas, sem democracia, a Europa será uma Europa sem identidade e sem rumo.

Convido vocês a demonstrar unidade nacional e calma para que sejam tomadas as decisões certas.

Por nós, pelas gerações futuras, pela história do povo grego.

Pela soberania e a dignidade do nosso povo.

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