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Crédito de carbono, um mercado de ilusões para nativos

"Manter a floresta em pé é uma coisa interessante, mas como vão fazer suas roças tradicionais, se não poderão mais derrubar árvores?", escreve Edilberto Sena, coordenador da Comissão Justiça e Paz de Santarém - PA e membro do Movimento Tapajós Vivo.

Eis o artigo

Está em negociação de crédito de carbono no município de Santarém, Amazônia brasileira. Tal iniciativa é um alerta para todos os povos da Pan Amazônia, chamado Projeto demonstrativo de carbono florestal. Estão á frente desse negócio, órgãos do governo federal, ICMBIO (Instituto Chico Mendes de biodiversidade) e organizações não governamentais, como FUMBIO (fundo de biodiversidade) e empresa madeireira, além de outros grupos interessados.

Da parte dos moradores da Reserva Extrativista (63 comunidades rurais) há um clima de desconfiança quanto aos benefícios e consequências. Por que será que os negociantes de fora estão oferecendo dinheiro aos moradores e sua organização, só para manter a floresta em pé? Quanto é? E quem vai administrar? E quais as obrigações em troca? Os negociantes andam de comunidade em comunidade falando das vantagens.

Se é comércio, por que alguns países parecem tão generosos e os intermediários tão dedicados a explicar as vantagens de tal negócio? Manter a floresta em pé é uma coisa interessante, mas como vão fazer suas roças tradicionais, se não poderão mais derrubar árvores?

Pelo que se sabe, os países que oferecem dólares aos moradores das florestas não param de poluir o firmamento com suas fábricas e milhares de veículos motorizados. Então sujam por lá e se tenta limpar por aqui. No entanto, dizem os pesquisadores que a temperatura ambiente está aumentando ano a ano.

Já o governo brasileiro apoia o crédito de carbono e até dispõe de um órgão federal para entrar no jogo, mas não consegue parar o desmatamento na Amazônia. As obras do PAC (programa de aceleração do crescimento econômico) depende da exploração das riquezas da Amazônia (minérios, madeiras, fazendas de gado, grandes plantações de soja e hidroelétricas), que explicam o aumento do desmatamento da floresta.

Em maio passado isto chegou a 389 km2 de floresta no chão, elevando o desmatamento, de agosto 2014 a maio 2015, a 2. 286 km2 (IMAZON 18.06). A situação é mais grave. Levantamento obtido com exclusividade pela Folha de São Paulo indica que a presidente Dilma Rousseff, em seu primeiro mandato, reduziu para R$ 1,78 bilhão os gastos com prevenção e combate ao desmatamento na Amazônia. Em relação à despesa do governo anterior (R$ 6,36 bilhões), uma queda de 72% (IHU 07.04.2015). Essa contradição de governos progressistas da América do Sul acontece na Bolívia, no Peru, na Colômbia, no Equador e nos outros países da Pan Amazônia. O que fazer? Cruzar os braços e chorar? O que propõe o Papa Francisco a todos?

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