Laudato si': uma encíclica esperada, antecipada e discutida

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26 Junho 2015

A esperada encíclica sobre a relação homem/ambiente foi publicada no dia 18 de Junho. Já se sabia há muito tempo que Francisco estava trabalhando nela, e o documento certamente não decepcionou aqueles que esperavam um texto rico em intuições.

A reportagem é de Claudio Furlan, publicada no sítio Mente Politica, 25-06-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A análise do texto requer tempo e reflexão, mas há algumas considerações relevantes a se fazer sobre as antecipações e as reações à "Laudato si'. Sobre o cuidado da casa comum".

A publicação antecipada

A divulgação não autorizada do texto italiano da encíclica no site da revista L'Espresso custou ao vaticanista Sandro Magister a sua suspensão por tempo indeterminado da Sala de Imprensa vaticana. Tratava-se de um esboço, mas, como Magister não deixou de evidenciar no seu blog, um esboço realmente muito próximo ao original. O que induziu um jornalista de grande experiência a arriscar uma flagrante violação da regra do embargo, que exige que não se publique um documento oficial concedido em visão antecipada? Há duas respostas possíveis.

A primeira se resolve na simples referência ao "furo" e à capacidade de informar antes que os outros. Na verdade, não ocorreria nenhuma violação, já que o documento teria sido enviado à L'Espresso por fontes vaticanas. Essa é a tese do Magister, defendida por alguns dos seus colegas e proposta nas breves notas de apresentação do próprio Magister, segundo a qual a encíclica "apareceu de repente no site da L'Espresso... desencavada sabe-se lá de onde". A argumentação não é das mais fortes, mas mesmo assim pareceu convincente para muitos.

A segunda resposta, ao contrário, delineia panoramas mais complexos e se baseia na identificação (justificada) de Magister como um expoente da oposição interna a Bergoglio, de marca conservadora.

A publicação antecipada do esboço da encíclica teria pretendido sabotar a apresentação oficial e poderia encontrar a sua origem em ambientes da secretaria vaticana hostis ao papa. Magister negou o fundamento dessa tese.

Silêncios e palavras

Que Francisco se encontra a navegar em meio a obstáculos é algo bem conhecido, assim como também se sabe que os percalços são representados não só pelos católicos mais conservadores, mas também por uma parte não muito pequena do clero, incluindo cardeais e bispos. Não são só as vozes fora do coro que fazem barulho; também existe o silêncio.

Despertou espanto a total ausência de referências aos temas ambientais no documento produzido pela assembleia primaveril dos bispos estadunidenses. Alguns deles alertaram explicitamente sobre o risco inerente a possíveis alianças com os ambientalistas, que, em nome da proteção do planeta, defendem a lógica do controle demográfico; lógica, porém, que foi abertamente contestada por Francisco.

Segundo o texto da Laudato si', de fato, "o crescimento demográfico é plenamente compatível com o desenvolvimento integral e solidário" (parágrafo 50, citando o Compêndio da Doutrina Social da Igreja elaborado pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz).

A prudência dos bispos norte-americanos se deve também às posições dos seus ricos benfeitores, em grande maioria relutantes à ideia de colocar na agenda iniciativas voltadas a combater o risco ambiental. O candidato à Casa Branca, Jeb Bush, católico convertido, por ocasião do primeiro dia de campanha eleitoral, disse claramente que certamente não serão o papa, os cardeais ou os bispos que irão ditar a sua política econômica. Uma declaração feita às vésperas da publicação (oficial) da encíclica que deixa pouco espaço para interpretações.

Notas mais frequentes de discordância com as diretrizes do pontificado atual também vêm da Polônia, um país presa talvez da nostalgia de um Vaticano diferente. Os comentários negativos à encíclica não tardaram muito a chegar, o primeiro dos quais do jornal Rzeczpospolita (República). O início do parágrafo 165, segundo a publicação de Varsóvia, constituiria um ataque antipolonês: "Sabemos que a tecnologia baseada nos combustíveis fósseis – altamente poluentes, sobretudo o carvão mas também o petróleo e, em menor medida, o gás – deve ser, progressivamente e sem demora, substituída". E, no carvão, a Polônia baseia uma parte fundamental da sua economia.

O papa lida com questões pouco relevantes para a Igreja, prestando atenção aos sofrimentos da Terra e não aos das pessoas, afirma o Rzeczpospolita, repetindo uma argumentação difundida também nos ambientes católicos conservadores.

O caminho de Francisco está repleto com obstáculos, não há dúvida. Se não fosse assim, não estaríamos comentando a operação do sucessor de um papa renunciante. Mas parece que não falta a Bergoglio aquela que os argentinos chamam de "garra", uma mistura de determinação, dedicação e vontade de ir até o fim, que estamos acostumados a reconhecer nos campos de futebol, mas que, agora, se joga em gramados de outras dimensões.

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