“As revoluções não admitem mais o protagonismo de um único coletivo”

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18 Junho 2015

Bruno Cava participou da OcupaRio em 2011 e da Ocupa dos Povos, em 2012, além de ter contribuído com a luta da Aldeia Maracanã e as jornadas de junho a outubro de 2013, no Rio de Janeiro. Pesquisador associado à rede UniNômade, trabalha segundo o método da copesquisa, um tipo de pesquisa-ação participante diretamente com as lutas e movimentos urbanos. Autor do livro A multidão foi ao deserto (2013), bloga no Quadrado dos loucos e escreve em várias mídias. Atualmente, participa dos Círculos de Cidadania, uma experiência de auto-organização em várias cidades, voltada a produzir novas formas de organização, ação e mobilização política em rede, cujas referências são as várias pedagogias da autonomia praticadas pelos movimentos do comum na América do Sul e, mais recentemente, na Espanha do pós-15M.”

A entrevista foi publicada no sítio Futura Media e faz parte da pesquisa #TecnopolíticaLATAM, 11-06-2015.

Eis a entrevista.

As jornadas de Junho quebraram as lógicas das ruas e das redes no Brasil. Que pontos disruptivos você destacaria?

Junho de 2013 foi o levante da multidão. Mas a multidão, enquanto rede transversal de singularidades que cooperam entre si, já vinha se formando há vários anos no Brasil. Um processo que é ao mesmo tempo político e existencial, porque expressão de formas de vida e modos de existência que não cabem mais nos escaninhos da esfera representativa. O vazio de partidos, sindicatos, empresas, de uma vida submetida à exploração e violência na metrópole foi ocupado por uma convergência de desejos, de afetos, de imaginação, e isso tudo atingiu o ponto de ebulição ao longo de 2013. Certamente, mais do que uma lógica, existe uma emergência que é plena de vida e amor, e que fortalece uma multiplicidade de lógicas de envolvimento com a cidade, a política e a luta social.

Você participou na onda Occupy no Brasil. Até que pontos os movimentos globais de 2011, especialmente o 15M espanhol e Occupy Wall Street, foram influentes no Brasil e concretamente em junho de 2013?

Já virou um senso comum querer separar tudo em caixinhas e dizer que há particularidades e especificidades nas diferentes regiões do mundo. Como se a geografia do território se definisse pelo espaço físico. Na verdade, as Jornadas de 2013 são parte de um ciclo global de lutas cujos primeiros momentos foram as insurreições em Túnis e na Praça Tahrir, em dezembro de 2010 e janeiro de 2011, nas ditas “primaveras árabes”, ao que se seguiram o outuno do 15M e o verão do Occupy. Com a globalização e a virada digital e maquínica, o conceito de geografia mudou. As mobilizações são globais e, simultaneamente, locais, porque funcionam com a formação de um território em rede, ou “ecossistema”, que conecta redes e ruas, internet e praças, mídias e corpos. Sem levar em consideração essa disjunção, global e local, não é mais possível compreender (nem organizar) o local nem o global. Falando das revoluções no século XIX, Marx usava a imagem da marmota, como se houvesse túneis subterrâneos por onde passam os rios revolucionários, que em determinados momentos vêm à superfície. Hoje, numa era de contágio ultraveloz, as coisas acontecem todas às claras, com rápida disseminação pelo globo.

Os estudos de redes realizados sobre as jornadas de junho mostram que o MPL perdeu o protagonismo das conversas depois do dia 13 de junho, depois da viralização das imagens da violência policial. Como você explica o fenômeno?

O MPL é parte importante do fenômeno de junho de 2013. É preciso lembrar que, nesse mesmo ano, aconteceu uma forte primavera ativista em Porto Alegre, já indicando uma mobilização de novo tipo, além de revoltas e movimentos proliferando pelo país, destacando-se, por exemplo, a ocupação por indígenas do Congresso, em abril, contra os ruralistas e os desenvolvimentistas. O MPL vem de um processo muito rico de organização da greve da metrópole, bem diferente do sindicalismo de categoria, cujos marcos históricos são a Revolta do Busu, em Salvador e as Revoltas da Catraca, em Florianópolis.

A ação do MPL na maior cidade brasileira, com uma cobertura irrestrita por parte das mídias, funcionou antes como estopim, porque os ventos já semeavam pólvora desde as ocupas de 2011, a mobilização indígena e a intensificação das culturas de resistência na metrópole. A questão da mobilidade urbana é um gargalo terrível para o direito à metrópole, afetando a população como um todo, e serviu para catalisar o levante que assumiu muitas pautas, muitas lógicas, muitas formas de se exprimir. Não é que o MPL tenha perdido o protagonismo; é que as revoluções deste ciclo global não admitem mais o protagonismo de um único coletivo, ainda que ele tenha uma relevância significativa. Assim como não há mais Palácio de Inverno a conquistar, já que o capitalismo financeiro é pervasivo, também não é mais possível ter um “centro de comando ideológico” dos levantes da multidão, no século XXI. A força da multidão é, precisamente, não ser controlável. É uma delícia e um drama.

Os partidos e organizações políticas clássicas, especialmente das esquerdas, tentaram chegar juntos nas manifestações, sobre tudo a partir do dia 20 de junho. Porém, não foram bem vindos. Alguma explicação?

O sistema representativo está desacreditado e não é apenas por falha na estratégia de comunicação. Reina a percepção que os partidos, políticos e órgãos estatais não apenas não conseguem dar resposta aos problemas que afetam a população (transporte, moradia, custo de vida, segurança pública etc), como também não estão interessados em enfrentá-los minimamente. As diferenças são mínimas entre os grupos, antes de discurso e roupagem, do que efetivas. O grito “Não nos representa”, desse modo, atinge indistintamente quem se identifica como esquerda ou direita, porque voltado à radicalização da democracia, para além da democracia representativa. Quando grupos ligados a partidos ou sindicatos aparecem com bandeiras nas ruas, são vistos como tentando cooptar ou reivindicar manifestações que não apenas não participaram, como também elas se autoconvocaram para protestar contra esses mesmos partidos e sindicatos. Então isto é encarado como uma provocação, como uma contradição incompatível. Em vez de tentar dialogar com amplos setores sociais que se levantam em lutas legítimas, grupos de esquerda preferiram chamá-los de fascistas ou “coxinhas”, apegando-se a símbolos que, para muita gente, significam apenas aparelhamento, corrupção e obsolescência.

O ecossistema das esquerdas defende a teoria de que junho foi uma revolta conservadora, de direita. Faz sentido, especialmente falando do Rio de Janeiro?

O que seriam revoltas de direita? Ou de esquerda? São categorias com sérias limitações, talvez inúteis, para compreender um levante multitudinário como de Junho, ou as revoluções árabes, ou o 15M, ou o Occupy. Aparatos partidários maniqueístas e velhos intelectuais (velhos não pela idade, mas pela esclerose da análise política) repetiram fórmulas e receitas sem qualquer tipo de pesquisa, apenas para confirmar seus preconceitos e achismos sobre um fenômeno complexo e gigantesco, como foi Junho de 2013. O dispositivo esquerda/direita nos últimos tempos, aliás, vem se tornando um dispositivo de desqualificação sistemática e paralisia da organização extrapartidária. Tem sido usado de cima pra baixo, como num julgamento: se defende o meu grupo, é interessante, do contrário, é coxinha, fascista, perigoso. Essa lógica da “desconstrução” é marcante na época das eleições e não é prerrogativa da grande mídia corporativa, como também dos grupos governistas de blogueiros e sites. Junho de 2013 foi um levante da multidão, o resultado da cooperação transversal pela metrópole que conquistou uma expressão política, e que se determinou a enfrentar a ordem constituída nas cidades de grande, médio e pequeno porte. O pano de fundo são lutas por direitos, por empoderamento cidadão, pela renovação dos métodos.

Os movimentos sociais clássicos, o ecossistema do PT, também tentaram explicar as revoltas de junho como uma consequência lógica da era do Fórum Social Mundial, lutas do MST, mobilizações sindicais….

Os FSMs tiveram várias tendências em suas múltiplas edições. Por um lado, houve uma ocupação pelo dito “terceiro setor”, através da teoria da sociedade civil, que acaba funcionando perfeitamente bem em “parcerias” com o estado, e que não apenas são recuperáveis pelo capitalismo, como protagonizam as formas de sua exploração. Exemplo disso é a pacificação “soft power” realizada por grupos governistas nas favelas do Rio de Janeiro, ou então o Fora do Eixo, expressão máxima desse altermundismo que, na prática, é um altercapitalismo 2.0.

Mas, por outro lado, o FSM também embutiu a força viva das mobilizações alterglobalização que tem, no zapatismo do subcomandante Marcos, sua maior síntese. Essa fração minoritária dos FSMs, ligada às lutas e práticas do comum e da autonomia na América do Sul, certamente contribuiu na genealogia do ciclo global de lutas deflagrado com as revoluções árabes. Isso foi um fator, entre muitos outros, mas não pode ser descartado. Já o MST e um sindicalismo que já era velho nos anos 1980, lamentavelmente, não tiveram qualquer participação neste novo momento de mobilização social e nem querem ter. Quando podiam participar, não souberam compor e se reinventar: preferiram portar-se como “vacas sagradas”, imunes à crítica.

Dilma Rousseff apareceu na mídia oferecendo diálogo e tentando parecer estar escutando as redes-ruas. O governo entendeu alguma coisa?

Os movimentos e coletivos não podem funcionar a partir do que está na cabeça do governante. A lógica é inversa. Junho de 2013 foi uma mobilização de tal potência que o medo mudou de lado. Os fracos se mostraram fortes e os “fortes” se sentiram ameaçados e tiveram de tentar entender o que estava acontecendo. Isto vale também para os intelectuais: os explicadores não explicaram mais nada, eles é que foram explicados. Mas a resposta foi péssima, ou melhor, saída foi pelo estado, pelo fortalecimento do biopoder. Os governos deram sinais claros não apenas ao desqualificar os protestos, como também coordenaram uma repressão qualificada, que no Rio de Janeiro significou mortes na favela, repressão generalizada e esmagamento de coletivos e ativistas. Boa parte da falta de entendimento consiste no fato que, no ecossistema de Junho-outubro de 2013, não existem lideranças, programas unificados ou grupos representantes: não há “cabeça”, ou melhor, a cabeça opera como um “general intellect”: a inteligência difusa, em rede, das singularidades que produzem na cooperação social, mas que nem por isso é menos organizada ou menos inteligente em suas decisões.

No Rio aconteceram algumas mutações de junho interessantes (outubro 2013), greve dos garis…. Até que ponto foram relevantes?

No Rio, a emergência da multidão requalificou lutas sindicais, por exemplo, com os professores da rede pública, de agosto a outubro de 2013, e na greve dos garis do carnaval de 2014. Um antecedente dessa nova dinâmica já apareceu com a mobilização dos bombeiros, em 2011-12. Em vez de organizadas verticalmente, numa relação corporativa dirigentes-bases, essas foram greves biopolíticas, que exprimem formas de vida diretamente implicadas na produção da metrópole e em dinâmicas imediatamente políticas, de reapropriação do político. E que, por isso, tem capacidade de contagiar transversalmente a cidade, através do amor pelo comum e pela produção do comum, tão marcante quando professores e garis vão às ruas e redes e protestam. Isto teve grande relevância porque foi um saldo organizativo de Junho que se desdobrou nos últimos anos, quando grupos começam a se organizar em busca de um sindicalismo de novo tipo, um sindicalismo metropolitano ou biopolítico. Os garis, os bombeiros e os professores, no Rio, são vetores que protagonizam essas inovações de alta intensidade democrática.

Quais são as diferenças da nova onda de protestos do Brasil (março-abril 2015) e as jornadas de junho?

Tem algumas semelhanças e algumas diferenças. O ano de 2014 foi de restauração geral dos velhos aparelhos e partidos, tanto pela dinâmica do megaevento, da Copa do Mundo, quanto pela eleição de outubro, que produziu uma polarização ortopédica, sem deixar lugar para a nuvem de singularidades que havia explodido no ano anterior. Some-se a isso que a repressão histórica a mobilizações e organizações políticas no Brasil, foi desta vez dirigida contra grupos e o próprio imaginário de Junho de 2013, contando com a participação por vezes debochada de parte da esquerda, principalmente a governista. Muitos que participaram de junho-outubro de 2013 voltaram às ruas em 2015, e as estratégias de autoconvocação foram bastante parecidas, com uso intensivo de redes sociais, memes, chamadas abertas e um sentimento de tomar a política para si.

Uma primeira diferença é que, em 2015, três movimentos que não estavam em junho, o Vem Pra Rua, o MBL e o Revoltados Online, embora respondam por cerca de 6% das convocações, conseguiram formular a comunicação desses protestos. Isto significou fazer convergir a crise da representação na crise do PT e do governo do PT, com foco na corrupção, uma pauta onipresente no noticiário, na sequência das investigações da operação LavaJato. Outra diferença foi a redução da multiplicidade de Junho.

O movimento ligado à pauta da moradia, do transporte, da autodefesa dos manifestantes, nada disso aconteceu em 2015. Ironicamente, em 2013, os setores governistas reclamavam que as jornadas de junho-outubro não tinham pauta unificada, que os manifestantes não sabiam o que queriam (o que era falso, porque havia pautas, só que muitas), a agora a pauta unificou contra a corrupção, mas também no “Fora PT” e no “Fora Dilma”.

Seria irônico não fosse trágico: ao repetir infindavelmente que são “protestos de direita”, setores mais conservadores abraçaram a ideia e unificaram o alvo não só no PT, mas na esquerda como um todo. Com a eleição de 2014, quando a esquerda, partidária ou não, de uma forma ou de outra, aderiu à campanha eleitoral do governo, acabou contribuindo para essa associação entre esquerda e PT. Como parte da esquerda associou símbolos, lideranças e discursos, especialmente no segundo turno, num momento em que o país estava debruçado sobre a disputa eleitoral, o repúdio ao PT terminou por se tornar, na figura da sinédoque, um repúdio à esquerda.

O “apoio crítico” afinal é apoio, de maneira que existe um certo direito na percepção que boa parte da esquerda é, nalguma medida, governista. O caso se agrava se pensarmos que, uma vez empossado, o governo adotou o mesmo programa econômico que criticou sem clemência durante o período eleitoral. Ou seja: além de antipopular, o governo ficou com a imagem de mentiroso, e quem está pagando o preço é toda a esquerda que confiou sua imagem ao processo da reeleição. Apesar disso tudo, dessa redução da multiplicidade de 2013 ao longo de 2014-15, nessa perda da heterogeneidade, e se analisarmos para além da comunicação articulada pelos grupos citados; o ciclo de protestos contra a corrupção mostra que Junho de 2013 continua produzindo expressões políticas, vontade de participar e protestar, e que os hábitos democráticos desenvolvidos se incorporaram de maneira duradoura.

Alguns estudos recentes mostram que o ecossistema de junho não entrou nem na polarização política dos últimos tempos, nem defende o Governo nem participa nos novos protestos. Como você explica isso?

Depende do que é chamado de “ecossistema”. Usar a ecologia para descrever mobilizações políticas me parece fecundo, desde que não seja usada metaforicamente. Felix Guattari, por exemplo, usava o conceito de ecologia para qualificar a análise política de organizações de novo tipo, que não assumem confinamentos claros na forma dos velhos coletivos com identidades e bandeiras rígidas. A ecologia se apresenta, dessa maneira, como possibilidade de analisar biopoliticamente a “nuvem” de mobilização ao mesmo tempo afetiva e política. Isto significa tratar os coletivos não como sólidos, numeráveis, geometricamente discretos, mas como fluidos, inumeráveis (singulares) e contínuos, como um gás.

Por isso, ao falar em “ecossistema de junho”, é preciso ir além do campo de ativismo que reivindica Junho mais diretamente. Ser fiel a um evento constituinte, muitas vezes, significa livrar-se daquilo que se torna consenso a respeito desse próprio evento. Se existe a desqualificação sistemática por parte de partidos e intelectuais velhos, também existe uma desqualificação feita pela mistificação, quer dizer, pela criação de fronteiras claras entre o que é e não é o sentido originário de um determinado acontecimento com força de irrupção. Dito isto, é preciso compreender que boa parte dos protestos de 2015 já estavam presentes, enquanto pauta e forma de organizar, em Junho de 2013.

As Jornadas também foram protestos contra a corrupção, de verde e amarelo, e também tiveram um contingente grande de pessoas que não participava de lutas, movimentos ou grupos de esquerda, que sequer se identificam como “de esquerda”. Esses grupos que insistem em se organizar para além dos consensos e dicotomias — inclusive os consensos e dicotomias do campo da esquerda — por vezes podem ser mais dinâmicos e continuam em processo de reorganização do que, aliás, movimentos velhos, sindicais ou de esquerda, que não têm interesse em se renovar porque estão confortáveis na situação de correia de transmissão de fundos, aparelhos e benefícios existentes. É claro que recompor em meio aos protestos de 2015, que também tem grupos como MBL, Vem pra Rua e setores bem conservadores na disputa, é difícil. E é difícil recomeçar de outros lugares, noutros formatos, noutras composições. Em 2015, está mais difícil.

Mas não há outro jeito. Entre imergir apologeticamente nas ruas e mobilizações (opção movimentista) e isolar-se receosamente delas (opção da impotência), é preciso traçar uma diagonal, e assim não se render a frentes meramente defensivas, de conservação do existente, para também afirmar, para reaprender a ousar. É preciso desprender linhas de fuga, modos inteligentes e até “malandras”, para continuar se relacionando com o movimento real de mobilizações e poder continuar produzindo subjetividades.

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