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"Laudato sii". Uma encíclica toda franciscana

"Laudato sii". Este deverá ser, segundo algumas indiscrições, o título da esperadíssima encíclica 'ecológica" do Papa Francisco.

Não surpreende que o primeiro pontífice que se fez chamar como o santo de Assis, use um verso do célebre "Cântico das Criaturas" como incipit (início) da sua segunda encíclica do pontificado. A primeira tendo sido escrita a duas mãos, as suas, depois daquela composta a quatro mãos com Bento XVI.

O comentário é de Sandro Magister, publicado no seu blog Settimo Cielo, 31-05-2015. A tradução é de IHU On-Line.

Mais surpreendente, no entanto, é que o incipit (início) oficial de uma encíclica não seja em língua latina, mas um verso em língua italiana.

No passado, ordinariamente as encíclicas eram escritas diretamente em latim. Mais recentemente foram escritas em italiano, ou em polacao e em alemão com João Paulo II e Bento XVI, e depois traduzidas para a língua de Cícero.

E sempre tiveram o título das primeiras palavras da sua sua versão em lingua latina, que permanece como a língua oficial da Santa Sé.

Mas também é verdade que no passado houve encíclicas escritas e, portanto, intituladas, na língua não latinas.

Foi o caso de algumas encíclicas que diziam respeito ao poder temporal do papa e publicadas em momentos particulares da vida do Estado pontifício como, por exemplo, "Il trionfo" de Pio VII, em 1814 e "Le armi valorose" de Gregório XVI, em 1831.

Foi também o caso de cartas circulares endereçadas a determinados episcopados e publicadas na língua dos bispos destinatários.

Assim, se Pio IX escreveu todas suas 41 encíclicas em latim, o seu sucessor, Leão XIII, de 86 escreveu cinco em italiano e duas em francês, dirigidas aos respectivos episcopados. Por sua vez, Pio X de 16 encíclicas escreveu duas em italiano e uma em francês, sempre explicitamente endereçadas aos respectivos episcopados.

E se Bento XV escreveu 12 encíclicas todas em italiano, Pio XI, de 30, escreveu uma em italiano ("Non abbiamo bisogno" de 1931) e uma em alemão (a célebre "Mit brennender Sorge" contra o nazismo, de 1937).

Talvez é a enciclica de 1931, escrita pelo papa Achille Ratti em reação à proibição da Ação Católica feita pelo regime fascista, que é o único precedente de uma encíclica endereçada aos bispos de todo o mundo e escrita em italiano.

Todas as 8 encíclicas de João XXIII, as 7 de Paulo VI, as 14 de João Paulo II e as 3 de Beno XVI têm o título em latim.

A última encíclica que não teve o título na língua oficial da Santa Sé se deve a Pio XII, que escreveu 41. Assinada no dia 2 de julho de 1957, ela era dedicada às peregrinações de Lourdes e era expressamente dirigida ao episcopado francês.

Agora chega a esperadíssima "Laudato sii". Um título não latino para uma encíclica destinada a todo o mundo, católico e não.

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