Papa Francisco e Pietro Parolin falam sobre casamento gay

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31 Maio 2015

"Caso a votação na Irlanda sirva para provar alguma coisa, isto é que tanto Francisco (“o bom moço”) quanto Parolin (“o rebelde”) irão fracassar em seus esforços", escreve Jamie Manson, mestre em Teologia pela Yale Divinity School, onde estudou teologia católica e ética sexual, em artigo publicado por National Catholic Reporter, 28-05-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o artigo.

Aqueles que acham que o Vaticano está recuando quanto ao que diz sobre o casamento homoafetivo podem ter sido pegos de surpresa pelos comentários do Cardeal Pietro Parolin feitos durante uma coletiva de imprensa na Cidade do Vaticano nessa última na terça-feira (26) à noite.

Quando lhe pediram para falar sobre o referendo na Irlanda em que se legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, Parolin disse:

“Fiquei profundamente entristecido com o resultado. A Igreja deve ter em conta esta realidade, mas no sentido de que ela deve reforçar o seu compromisso com a evangelização. Creio que podemos falar não apenas de uma derrota dos cristãos, mas de uma derrota da humanidade”.

Secretário de Estado do Vaticano, Parolin é considerado por muitos o principal assessor do Papa Francisco.

Com efeito, quando Francisco nomeou, em agosto de 2013, Parolin para o cargo que hoje ocupa, John L. Allen Jr. escreveu nas páginas do National Catholic Reporter: “Nada diz mais sobre aonde um papa quer ir do que as pessoas que ele escolhe para ajudá-lo a chegar lá, e a principal entre estas escolhas é a de secretário de Estado, que por tradição é um ‘primeiro-ministro’ do papa”.

Embora o próprio Francisco não tenha falado diretamente sobre a votação na Irlanda, na manhã seguinte à coletiva de imprensa concedida por Parolin o papa apresentou exortações poéticas sobre a beleza divina do casamento entre um homem e uma mulher.

Em sua audiência geral semanal na quarta-feira, Francisco centrou-se sobre a relação entre o envolvimento e o casamento.

Segundo um artigo publicado no sítio Catholic News Service, Francisco disse: “A aliança de amor entre o homem e a mulher para toda a vida não se improvisa, não se faz de um dia para outro. Embora seja ‘belo’ que as pessoas hoje possam escolher com quem se casar, a ‘liberdade desta relação’ não pode se basear simplesmente na atração física ou em sentimentos”, disse o papa.

Ao manter-se alinhado com o ensinamento católico tradicional sobre a moralidade sexual, o papa também sugeriu aos jovens cônjuges heterossexuais a evitarem a intimidade sexual antes do casamento. Segundo o sítio Catholic News Service, em uma referência oblíqua à intimidade física que alguns casais partilham antes do casamento, o papa falou que “os símbolos fortes do corpo conservam as chaves da alma: não podemos tratar os vínculos da carne com ligeireza, sem abrir ferida alguma duradoura no espírito”, disse ele.

Estas declarações são as últimas das recentes exultações do Papa Francisco sobre o casamento homoafetivo. Há três semanas ele chamaria os homens e mulheres de a “obra-prima” de Deus, acrescentando que Jesus “começa os seus milagres com esta obra-prima, em um casamento, em uma festa de núpcias: um homem e uma mulher”.

“Assim, Jesus nos ensina que a obra-prima da sociedade é a família: o homem e a mulher que se amam”, acrescentou Francisco. “Esta é a obra-prima!”.

Por que é importante a comparação entre o que diz Parolin e o que diz Francisco? Porque ela dá insights para a nova abordagem do Vaticano para com a evangelização dos católicos marginados.

Francisco claramente concorda com a opinião de Parolin sobre a “derrota da humanidade”, em referência ao resultado votação na Irlanda a favor do casamento gay. Lembremos que, em janeiro, o papa aproximou a “teoria do gênero” (que fornece a base intelectual para o casamento homoafetivo e uma série de outras ideias progressistas relacionadas à sexualidade) à “colonização ideológica” e mesmo à “Juventude Hitlerista”. “Por quê? Porque, Francisco explicou, a teoria do gênero “não reconhece a ordem da criação”.

Mas, em vez de responder diretamente à votação na Irlanda, desta vez o Papa Francisco está deixando a linguagem severa, condenatória para o seu secretário de Estado enquanto ele faz o trabalho de evangelizar os jovens sobre a verdade e a beleza dos ensinamentos da Igreja sobre o matrimônio.

Parolin está assumindo o papel antiquado de censurador enquanto Francisco assume a abordagem nova, mais misericordiosa, catequética. Mas, em última instância, os dois concordam com a oposição à igualdade do casamento tomada pela Igreja institucional. Os dois acreditam que as relações homoafetivas violam a compreensão tradicional do direito natural e da complementaridade dos gêneros.

E o que é mais importante: ambos creem que estes ensinamentos da Igreja sobre o matrimônio estão corretos e não deveriam mudar. O problema, pensam eles, é que a Igreja institucional não fez um bom trabalho de comunicar as verdades da Igreja. Como o próprio Parolin disse em suas declarações sobre a Irlanda: a Igreja deve “reforçar o seu compromisso com a evangelização”. Francisco tentou fazer exatamente isso na sua audiência geral no dia seguinte.

Caso a votação na Irlanda sirva para provar alguma coisa, isto é que tanto Francisco (“o bom moço”) quanto Parolin (“o rebelde”) irão fracassar em seus esforços. A Irlanda demonstra que o entendimento do papa em agir com misericórdia junto aos gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros não será a forma apropriada para trazê-los aos bancos das igrejas.

Com certeza, o Papa Francisco acredita que a Igreja deva ministrar, com amor, às pessoas LGBTs, mas ele também acredita que estas pessoas jamais deveriam ter a impressão de que os seus relacionamentos [afetivos] têm o mesmo potencial para a bondade e santidade que os relacionamentos heterossexuais. O traço de misericórdia do papa sugere que a Igreja tolere os católicos LGBTs, mas que ela não os recebe com uma justiça genuína.

A votação na Irlanda demonstra que as pessoas LGBTs estão buscando viver em comunidades onde elas não sejam meramente acolhidas e toleradas, mas tratadas com igualdade. Com efeito, enquanto os nossos líderes eclesiais continuarem a dizer que “vocês podem vir até nós, poderão até mesmo serem alimentados, mas não poderão se casarem aqui”, nem o “rebelde” tampouco o “bom mocinho” nessa história toda convencerão muitos católicos LGBTs distanciados a cruzarem os limiares da Igreja.

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