Irlanda e o casamento gay. Líder católico irlandês diz que a Igreja precisa fazer uma “revisão da realidade”

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25 Maio 2015

O principal líder católico na Irlanda disse que a Igreja precisa fazer uma “revisão da realidade” enquanto os resultados preliminares neste sábado mostravam que um referendo sobre o casamento gay havia aprovado aquilo que ele chamou de uma “revolução social”.

“Eu acho que a Igreja precisa fazer uma revisão da realidade (...) Será que nós nos afastamos por completo dos jovens?”, perguntou-se Diarmuid Martin, arcebispo de Dublin, em entrevista a uma rede de televisão local.

“É uma revolução que não começou hoje”, disse o religioso, que fez campanha pelo “Não” no referendo, argumentando que os direitos dos gays deveriam ser respeitados “sem mudarmos a definição do casamento”.

A informação é publicada pelas agências de notícias internacionais, 23-05-2015. A tradução de Isaque Gomes Correa.

“Há um grande desafio sobre como iremos apresentar a mensagem da Igreja. Estamos nos transformando numa Igreja para pessoas que já partilham de uma mesma opinião, estamos nos tornando um lugar seguro – e não aquela Igreja de que o Papa Francisco fala, uma Igreja que estende a mão”, disse Martin.

A Igreja Católica chegou a controlar praticamente todos os aspectos da vida na Irlanda, porém esta influência foi reduzida pelo impacto da secularização e por uma onda de escândalos que envolveram abusos sexuais infantis, desacreditando o clero.

A Irlanda tem seguido uma narrativa mais secular nos últimos anos, com destaque para o ataque mordaz feito pelo primeiro-ministro Enda Kenny em 2011 contra a forma vaticana de lidar com os casos de pedofilia.

Esta incapacidade de lidar adequadamente com o problema mostrava a “disfunção, a desconexão, o elitismo” da cultura vaticana, disse ele na época.

A frequência às missas caiu drasticamente nas últimas décadas, embora 84,2% da população ainda se identifique como católico no último censo, realizado em 2011.

Mesmo fazendo oposição no referendo, os bispos enquadraram os seus argumentos sob uma maneira conciliatória, admitindo que as pessoas gays e lésbicas foram tratadas de uma forma severa pela Igreja no passado.

Esta postura segue comentários semelhantes feitos pelo Papa Francisco, que fez a seguinte pergunta: “Quem sou eu para julgar?”, quando perguntado sobre as suas opiniões a respeito da homossexualidade. Desde então, no entanto, ele vem repetindo uma oposição aos casamentos homoafetivos.

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