Casamento gay na Irlanda, o voto que dividiu os católicos

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24 Maio 2015

Tanto no episcopado irlandês como no Vaticano a nítida vitória do sim foi acolhida com surpresa. Era conhecido pelas sondagens que o front contrário ao matrimônio gay era conspícuo, mas não em condições de obter a maioria. Setores conservadores do catolicismo irlandês haviam, na véspera da votação, atacado explicitamente as hierarquias eclesiásticas que a seu ver não se tinham empenhado suficientemente a favor do não. Na campanha a favor do sim, ao invés, se enfileiraram todos os partidos políticos e também o premiê Enda Kenny, católico praticante.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada pelo jornal La Stampa, 23-05-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

O movimento “Sim à família” reúne numerosas associações católicas e evangélicas contrárias ao reconhecimento das uniões homossexuais. Certamente – raciocina o sociólogo católico Massimo Introvigne, presidente nacional do "Sim à família" – pesou sobre o voto a tristíssima questão dos padres pedófilos que tirou autoridade à voz da Igreja irlandesa. Bento XVI havia indicado o caminho: “não à negociação diante de fatos que definia como vergonhosos e pelos quais pedia desculpas, mas um não também ao negacionismo e admitir as culpas, elaborando ao mesmo tempo uma interpretação da tragédia dos padres pedófilos que mostrasse as suas raízes num clima moral e numa teologia relativista e permissiva”.

Quanto à substância do referendum, o sociólogo observa como “o êxito foi fortemente condicionado pela decisão do governo de introduzir em janeiro de 2015 aquela que se tornou a lei de 6 de abril de 2015, a qual permite aos casais homossexuais – na época, obviamente, não casados– a adoção de crianças sem nenhuma limitação. O argumento mais forte de quem se opunha na Irlanda ao matrimônio homossexual era: “Atenção que se passa o matrimônio também chega a adoção”, e à adoção a maioria dos irlandeses era contrária. Introduzindo a adoção antes do referendum, governo e parlamento esvaziaram a consulta de grande parte de sua substância”.

Nesta questão, os comitês "Sim à família" veem “uma lição para a Itália. Em 2010 foram inauguradas na Irlanda uniões civis em tudo iguais ao matrimônio, exceto para as adoções, tempestivamente introduzidas antes do referendum. O referendum só mudou o nome, de união civil a matrimônio, a algo que já existia, as adoções incluídas. O ensinamento é claro: se não se querem os matrimônios e as adoções é preciso acabar com as uniões civis. Depois é demasiado tarde. Na Itália o desígnio de lei sobre as uniões civis está parado. Por isso combatem os movimentos 'Pro Family', e por isso vigiam as 'Sentinelas de Pé'”.

No front oposto por Aurélio Mancuso, presidente de Equality Italia, a avalanche do sim ao referendum que havia submetido ao juízo popular a modificação do artigo 41 da Constituição irlandesa que recita: “O matrimônio pode ser contraído por lei por duas pessoas, sem distinção de sexo”, demonstra, segundo Mancuso, como “ao longo das campanhas de ódio contra as pessoas Lgbt as mesmas  são derrotadas pelo bom senso popular”. O resultado de hoje “fala também ao nosso país onde alguns setores da hierarquia católica apoiam horríveis grupos integralistas que propugnam exclusão e discriminação, utilizando uma linguagem que se esperava tivesse sido derrotada pela história”.

Para Equality Italia “na Irlanda muitíssimos católicos votaram sim, contradizendo as pesadas ingerências dos bispos que estavam enfileirados pelo não: uma vez mais o povo de Deus é mais sábio em relação a uma gerontocracia que combate contra toda liberdade, sobretudo quando é responsável”.

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