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21 Maio 2015

"Procurar um bom confessor também pode ser difícil, disse ele. Quando se vai a uma confissão, um religioso (ou religiosa) não precisa de um “bate-papo legal entre amigos”, mas ele (ou ela) não precisa de “uma conversa rígida também”.", escreve Cindy Wooden, em artigo publicado por Catholic News Service, 18-05-2015. A tradução de Isaque Gomes Correa.

Eis o artigo.

As mulheres podem ser nomeadas chefes de alguns dicastério da Cúria Romana, disse o Papa Francisco, mas isso não será o suficiente para “recuperar o papel” que elas deveriam ter na Igreja Católica.

“As mulheres deveriam ser promovidas”, disse ele em 16 de maio durante uma audiência com um grupo internacional de religiosos e religiosas que trabalham na Diocese de Roma. Mas designar um certo número de mulheres a cargos de liderança é um “simples funcionalismo”, disse o pontífice.

O importante é garantir que elas tenham voz e sejam ouvidas, segundo ele, pois a Igreja necessita das contribuições específicas delas.

“Quando nós homens estamos lidando com um problema, chegamos a uma conclusão, mas se lidarmos com o mesmo problema com a ajuda de uma mulher, a conclusão pode ser diferente. Este processo poderia percorrer um mesmo trajeto, porém seria mais rico, forte, intuitivo”, disse ele. “As mulheres na Igreja devem ter este papel”, porque a Igreja precisa do “gênio feminino”.

Durante o longo encontro do papa com os religiosos e as religiosas, ele respondeu de improviso a perguntas feitas por duas mulheres e dois homens. Mas ele também ressaltou as histórias e os ministérios dos religiosos (e religiosas) que ele conheceu durante estes seus dois anos como Bispo de Roma e as experiência que teve quando era arcebispo de Buenos Aires.

O padre amigoniano Gaetano Greco perguntou ao papa como a diocese e as ordens religiosas masculinas poderiam ajudar as religiosas a encontrarem bons diretores e confessores espirituais.

O Papa Francisco respondeu que encontrar um bom diretor espiritual, tanto para as religiosas quanto para os religiosos, pode ser um problema – seja porque um sacerdote “não compreende o que é a vida consagrada, seja porque ele quer se envolver no carisma e dar a este a sua própria interpretação”.

Procurar um bom confessor também pode ser difícil, disse ele. Quando se vai a uma confissão, um religioso (ou religiosa) não precisa de um “bate-papo legal entre amigos”, mas ele (ou ela) não precisa de “uma conversa rígida também”.

“Na outra diocese que eu tive”, disse o pontífice referindo-se a Buenos Aires, “sempre perguntei às irmãs que vinham até mim em busca de conselho: ‘Mas me diga, em sua comunidade ou congregação não há uma irmã sábia, uma irmã que vive bem o seu carisma, uma boa irmã com experiência? Peça-a para ser a sua diretora espiritual’”.

O papa disse que certa vez ouviu: “Mas ela é uma mulher!”

A orientação espiritual, disse Francisco, “não é um carisma exclusivo aos sacerdotes. É um carisma dos leigos”.

O papa disse que está lendo um livro sobre a obediência, de São Siluane Atonita, que era carpinteiro. “Ele não foi nem mesmo diácono, mas era um grande diretor espiritual”.

O Papa Francisco incentivou os superiores religiosos (e as superioras religiosas) a identificarem membros em suas congregações que são bons, sábios e pacientes, treinando-os para a orientação/direção espiritual.

“Não é fácil”, disse o papa. “Um orientador espiritual é uma coisa, e um confessor é outra. Eu vou a um confessor, digo quais são os meus pecados, me sinto condenado, e então ele perdoa tudo e eu sigo em frente.

“Mas um com orientador espiritual, tenho de falar sobre o que se encontra em meu coração. O exame de consciência não é o mesmo na confissão e na orientação espiritual”, falou o pontífice. “Na confissão, preciso olhar para onde eu estive em falta, onde eu perdi a paciência, se fui ganancioso – esse tipo de coisa, aquelas coisas concretas que são pecaminosas".

“Mas na orientação espiritual, devo examinar o que está acontecendo em meu coração, para onde o Espírito está se movendo, se senti desolação ou consolo, se estou cansado, por que razão estou triste: são essas as coisas a se falar com a pessoa que é a minha orientadora espiritual”, disse ele.

“Quando encontrarem um religioso ou religiosa que não consegue discernir o que está acontecendo em seu coração, que não consegue discernir uma decisão, temos uma falha na orientação espiritual”, segundo o papa. “Isso é algo que somente uma mulher ou um homem sábio consegue fazer”.

Iwona Langa, virgem consagrada, perguntou ao papa como pessoas casadas e pessoas consagradas podem ajudar um ao outro a perceber que ambos têm uma vocação ao amor e que eles podem se apoiar, uns aos outros, na fidelidade a este amor.

A chave, disse o papa, é lembrar que o amor é concreto.

“O seu amor como uma mulher é um amor concreto, maternal”, disse Francisco. O capítulo 25 do Evangelho de Mateus resume como deve ser o amor cristão real: entre outras coisas, ele envolve alimentar os famintos, vestir os despidos, visitar os encarcerados.

O padre scalabriniano Gaetano Saracino, pastor de uma paróquia que o Papa Francisco visitou em março, perguntou como as ordens religiosas, os novos movimentos, as associações católicas e a diocese poderiam trabalhar juntos e melhor, valorizando a identidade e os dons de cada um.

Dizendo que responderia a esta pergunta de forma clara e direta, pois “eu sou um bispo e um religioso”, o papa jesuíta contou aos religiosos e religiosas: “Uma das coisas mais difíceis para um bispo é criar harmonia na diocese”.

Às vezes, continuou, pode ser verdade que os bispos veem os religiosos como “tapa-buracos”. “Mas se coloquem no lugar deles. Vocês têm uma paróquia com um grande religioso como pastor; três anos depois o provincial vem e diz: ‘Estou trocando este e mandando um outro para você’. Os bispos sofrem com este tipo de atitude”.

Os religiosos dizem ao bispo: “Temos um Capítulo, e este decidiu assim”, disse ele. O bispo está tentando administrar uma diocese e, às vezes, parece que “muitos religiosos e religiosas passam suas vidas se não em Capítulos, ao menos em versos”, disse ele fazendo uma brincadeira com as duas palavras ao mesmo tempo lembrando, jocosamente, das intermináveis reuniões.

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