Papa Francisco apoia petição contra as mudanças climáticas

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19 Maio 2015

Uma petição pedindo aos líderes mundiais que enfrentem as alterações climáticas e “reduzam drasticamente as emissões de carbono” recebeu, semana passada, um apoio importante de Roma.

A reportagem é de Brian Roewe, publicada pela National Catholic Reporter, 15-05-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Participantes do Movimento Católico Global pelo Clima se reuniram com o Papa Francisco no dia 6 de maio deste ano em Roma para planejar encontros em torno da encíclica papal sobre o meio ambiente a ser publicada em breve. Durante a audiência semanal do papa na Praça de São Pedro, eles apresentaram-lhe a petição e pediram por sua bênção.

“O papa foi bastante apoiador”, disse por email Tomás Insua, natural de Buenos Aires e cofundadora do grupo. “Ele até brincou, dizendo que nós estávamos competindo contra a sua encíclica antes de ela ser publicada”.

A petição, emitida no final de março e endereçada aos líderes mundiais, diz assim:

“A mudança do Clima afeta a todos, mas especialmente os mais pobres e vulneráveis. Impulsionados por nossa fé católica, imploramos que reduzam drasticamente emissões de carbono para que o aumento da temperatura global não supere o perigoso umbral de 1,5° C, e que ajudem os países mais pobres para que resistam aos impactos da mudança climática”.

No dia 7 deste mês, o Monsenhor Guillermo Karcher, mestre de cerimônias papal, assinou a petição em nome do papa, já que o protocolo impede de os papas assinarem tais documentos por eles mesmos. Karcher também presenteou os seis representantes do Movimento Católico Global pelo Clima com o livro sobre a energia solar no Vaticano, um presente do papa para ilustrar o compromisso da Igreja pelas energias renováveis como uma solução para as mudanças climáticas.

“O apoio do Papa é uma coisa enorme para nós, pois estamos recém começando a divulgação desta petição do clima na comunidade católica e o seu apoio legitima o nosso movimento”, disse Insua.

O Movimento Católico Global pelo Clima formou-se em janeiro deste ano na dianteira da viagem do papa às Filipinas. Ele cresceu para se tornar uma rede de mais de 100 organizações católicas do mundo inteiro. Entre os seus parceiros estão o Ministério da Ecologia da Arquidiocese de Manila (Filipinas), o Acción Católica Argentina, e a Rede de Jovens Católicos para a Sustentabilidade Ambiental na África – CYNESA (na sigla em inglês). Entre as organizações participantes americanas estão a Catholic Climate Covenant, a Catholic Charities USA, a Catholic Rural Life e a Conferência de Liderança das Religiosas – LCWR.

A rede está buscando reunir 1 milhão de assinaturas para apresentar aos líderes mundiais em dezembro, durante as negociações do clima em Paris, onde eles deverão finalizar e assinar um potencial acordo para uma ação internacional no enfrentamento das mudanças climáticas.

“As mudanças climáticas atingem os mais pobres primeiro e deixará um legado terrível para as futuras gerações”, disse em um comunicado Allen Ottaro, diretor da CYNESA/Quênia. “Nós católicos precisamos nos colocar contra as mudanças climáticas, precisamos ser uma voz poderosa pedindo aos líderes políticos para que ajam com urgência”.

As reuniões em Roma, realizadas entre os dias 6 e 8 de maio, reuniram 45 líderes católicos engajados com os problemas ambientais. O objetivo era produzir estratégias e propor ações colaborativas de promoção da encíclica.

Além dos membros do Movimento Católico Global pelo Clima, os encontros contaram com a presença de vários bispos brasileiros, junto com representantes da Caritas, da CAFOD (agência católica para o desenvolvimento social na Inglaterra e País de Gales), da CIDSE (aliança de agências católicas de desenvolvimento social), das Irmãs da Misericórdia e da Ordem das Columbanos.

“Queremos ter certeza que a encíclica e tudo o mais não deixem a impressão de que as mudanças climáticas sejam o principal”, disse Patrick Carolan, diretor executivo da Franciscan Action Network, que participou das reuniões. “Há uma questão maior que é a nossa falta de inter-relação, é que nós nos ver como algo separados da criação, em vez de sermos parte dela”.

Quanto às ações, as reuniões se focarem em três eventos: a divulgação da encíclica do papa, atualmente em processo de tradução para as várias línguas em que será publicada; a visita do pontífice aos EUA no final de setembro, quando ele discursará ao Congresso e às Nações Unidas; e as negociações do clima em Paris, no mês de dezembro.

Em 28 de junho, líderes ambientalistas católicos estarão pedindo às igrejas ao redor do mundo para soarem os sinos como uma forma de dizer obrigado ao papa pela encíclica. Além disso, estão planejando uma marcha em Roma para este mesmo dia e vigílias de oração a serem realizadas em outras partes do mundo.

Outras ideias incluem uma campanha de sexta-feira sem carne e peregrinações a Roma e Paris em defesa do clima, bem como outras peregrinações menores em outras localidades. Uma vigília de oração em Washington irá acontecer em 23 de setembro, um dia antes de Francisco se dirigir a uma sessão conjunta do Congresso, com vigílias acontecendo em outros lugares do globo.

O Movimento Católico Global pelo Clima espera que eventos como estes ajudem a conscientizar as pessoas não só para a encíclica do papa como também para uma série de outras questões ecológicas.

“Na Argentina, as coisas estão começando a ficar animadas, embora eu diria que muitos católicos ainda não sabem que uma encíclica sobre o meio ambiente está prestes a ser publicada”, falou Insua.

Nos EUA, muitos debates vêm sendo feitos nos últimos meses em torno da encíclica, o que acabou gerando um interesse mesmo fora dos círculos católicos. Carolan disse que planeja se reunir com os representantes do Fundo Mundial para a Vida Silvestre para falar sobre o documento papal, e que outros grupos ambientalistas o contataram para uma possível colaboração.

“Eles chegaram até nós e disseram que achavam que a encíclica do Papa Francisco é um daqueles momentos definidores na história. Compreendem que ele é um documento importante, até mesmo para uma organização secular”, disse ele.

Carolan considera muito bom este interesse por parte de grupos não religiosos – é um ambiente potencial para se expandir a visão pública sobre as mudanças climáticas: de uma simples questão de ciência ou ambiental para uma questão concernente à fé e à moralidade.

“Se eles conseguirem usar a mensagem do papa para, realmente, levá-la aos seus membros, alguns dos quais são católicos mas muitos dos quais não são nem mesmo pessoas de fé (...), mostrando que se trata de uma questão moral, ética e espiritual, então esta encíclica poderá estar nos aproximando, todos nós”.

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