Mataram dois manifestantes chilenos

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Por: Jonas | 18 Mai 2015

No marco dos massivos protestos estudantis realizados em Santiago e cidades próximas, dois jovens foram baleados por um homem, em Valparaíso, porque estavam pichando a frente de sua casa. As manifestações foram convocadas pela Confederação de Estudantes do Chile (Confech), o Colégio de Professores e a Assembleia Coordenadora de Estudantes Secundários (ACES), com o lema “Que o Chile decida”, e foram encerradas com distúrbios isolados em Santiago.

A reportagem é publicada por Página/12, 15-05-2015. A tradução é do Cepat.

Quando a manifestação em Valparaíso estava chegando ao seu fim, dois jovens de 18 e 25 anos, tentaram pichar a porta de uma casa. Quando o dono do imóvel percebeu o que estava acontecendo, começou a discutir com eles e seu filho saiu com um revólver e disparou contra os manifestantes. Um deles recebeu um disparo no pescoço e o outro no tórax. Ambos foram levados com urgência para o Hospital Carlos Van Buren, de Valparaíso, mas os médicos não puderam salvá-los. A pessoa que executou os dois manifestantes, de 20 anos, foi presa pela polícia. Após os fatos se tornarem conhecidos, os próprios dirigentes universitários que convocaram as manifestações organizaram em Valparaíso um “velatín”, uma cerimônia na qual acenderam velas para homenagear os estudantes assassinados.

O ministro do Interior, Jorge Burgos, condenou o duplo assassinato e anunciou a designação de um promotor especial para investigá-lo. “O governo não tolera e nem tolerará ações desta natureza, que coloquem em risco a vida e, ao mesmo tempo, garante o livre exercício de marchas convocadas pelos cidadãos”, afirmou Burgos, que ressaltou que o autor dos disparos não possui nenhum vínculo com a polícia que cuidava da manifestação. “Não houve racionalidade alguma no autor do crime, mas uma desproporção absoluta do meio empregado”, disse.

De sua parte, a ativista e deputada pela Juventude Comunista, Camila Vallejo, repudiou o assassinato dos dois jovens em Valparaíso. “Queremos que se faça justiça, que se investigue bem o que aconteceu e que seja um aprendizado para o país de que nada justifica estes fatos”. Vallejo ressaltou que nestes casos “a ação de carabineiros” deve contribuir “para que a manifestação social aconteça de forma segura para todos” e evitar que sejam geradas ocorrências violentas. “A criminalização do protesto social não pode fazer com que os cidadãos civis ou carabineiros valorizem mais a propriedade privada ou a ordem do que a vida das pessoas”, disse a ativista.

A maior dos protestos ocorreu em Santiago, onde os carabineiros avaliaram que estiveram presentes 50.000 pessoas, enquanto que os organizadores estimaram a presença de mais de 100.000 pessoas, que percorreram a Alameda, a principal avenida da capital chilena, para se manifestar contra o governo pela tramitação dos projetos da Reforma Educacional que foi prometida. Os estudantes universitários e do ensino médio, além dos professores presentes na marcha, questionam o fato do governo não os terem convocado para discutir a reforma, além de exigir o fim do lucro no setor educacional. Valentina Saavedra, presidente da Confech, expressou seu mal-estar pela inação do governo a respeito do que foi prometido. “Temos visto a passividade e um silêncio por parte do governo, onde ninguém sabe muito suas pretensões, quais são os interesses que quer satisfazer e com quem a quer constituir”, disse. “A reforma educacional será legítima quando for construída com os diversos atores sociais”, expressou Saavedra.

De sua parte, o reitor da Universidade do Chile, Ennio Vivaldi, convidou para o diálogo para que sejam resolvidas as matérias pendentes no âmbito educacional. “Espera-se que haja um ambiente de respeito recíproco, de diálogo e de ações concretas. Talvez ações mínimas pudessem ajudar a restabelecer a confiança com os estudantes”, apontou. “Há um ambiente de desconfiança radical dos estudantes no sistema, no Parlamento, nas autoridades, em geral, e nessa situação acredito que os sinais concretos ajudam muito”, expressou Vivaldi.

Pequenos grupos com seus rostos cobertos entraram em confronto com a polícia, com coquetéis molotolov, sendo reprimidos com jatos de água e gás lacrimogêneo. Além disso, os manifestantes destruíram alguns semáforos e fachadas de edifícios da área central da capital. Os manifestantes deram o prazo de até a próxima semana para que a presidente chilena, Michelle Bachelet, ofereça uma “resposta clara e contundente” sobre o tema.

A mandatária irá ao Congresso na próxima quinta-feira, 21 de maio, para prestar conta ao Parlamento e ao país sobre a situação da nação. Caso até lá não surja uma resposta, estudantes e professores advertiram que as mobilizações aumentarão. Uma das promessas da mandatária é melhorar os salários dos professores e estabelecer gradualmente a gratuidade da educação universitária, a partir do próximo ano.

Desde a ditadura militar (1973-1990), a educação pública universitária chilena é paga com taxas que chegam a milhares de dólares anuais, sendo que quase a metade da população recebe salários mensais abaixo dos 450 dólares.

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