“Não se conformem com uma teologia de gabinete”, pede Francisco aos futuros teólogos

Revista ihu on-line

Grande Sertão: Veredas. Travessias

Edição: 538

Leia mais

A fagocitose do capital e as possibilidades de uma economia que faz viver e não mata

Edição: 537

Leia mais

Juventudes. Protagonismos, transformações e futuro

Edição: 536

Leia mais

Grande Sertão: Veredas. Travessias

Edição: 538

Leia mais

A fagocitose do capital e as possibilidades de uma economia que faz viver e não mata

Edição: 537

Leia mais

Juventudes. Protagonismos, transformações e futuro

Edição: 536

Leia mais

Mais Lidos

  • Adaptando-se a uma ''Igreja global'': um novo comentário internacional sobre o Vaticano II. Artigo de Massimo Faggioli

    LER MAIS
  • Livro analisa os teólogos, a virada ecumênica e o compromisso bíblico do Vaticano II

    LER MAIS
  • Assim arma-se a próxima crise financeira

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

Por: André | 10 Março 2015

“Não se conformem com uma teologia de gabinete. O lugar das reflexões de vocês são as fronteiras. E não caiam na tentação de pintá-las, perfumá-las, ajustá-las um pouco e domesticá-las”. O Papa Francisco marcou o caminho para o estudo da teologia, clamando para “viver na fronteira” e prevenindo contra “uma teologia que se esgota na disputa acadêmica ou que contempla a humanidade desde um castelo de vidro”.

 
Fonte: http://bit.ly/1KMDeFB  

A reportagem é de Jesús Bastante e publicada no sítio espanhol Religión Digital, 09-03-2015. A tradução é de André Langer.

Em uma carta escrita ao cardeal-arcebispo de Buenos Aires, Mario Poli, por ocasião do centenário da Pontifícia Universidade Católica Argentina (UCA), o Papa afirma que “o aniversário coincide com os 50 anos do encerramento do Concílio Vaticano II, que foi uma atualização, uma releitura do Evangelho na perspectiva da cultura contemporânea”, o que produziu “um movimento irreversível de renovação que vem do Evangelho. E agora é preciso seguir em frente”.

“Mas, como seguir em frente?”, pergunta-se Bergoglio, que insiste em que “ensinar e estudar teologia significa viver em uma fronteira, essa na qual o Evangelho encontra as necessidades das pessoas às quais se faz o anúncio, de maneira compreensível e significativa”.

“Devemos precaver-nos de uma teologia que se esgota na disputa acadêmica ou que contempla a humanidade desde um castelo de vidro. Aprende-se para viver: teologia e santidade são um binômio inseparável”, constata o Papa, que pede que a teologia, junto com o respeito à Revelação e à Tradição, saiba “acompanhar os processos culturais e sociais, especialmente as transições difíceis”.

“Atualmente – acrescenta a carta –, a teologia também deve encarregar-se dos conflitos: não apenas daqueles que experimentamos dentro da Igreja, mas também daqueles que afetam todo o mundo e que são vividos nas ruas da América Latina”.

“Também os bons teólogos, como os bons pastores, cheiram a povo e a rua e, com sua reflexão, derramam unguento e vinho nas feridas dos homens”, assinala o Pontífice, que pede que a teologia seja “expressão de uma Igreja que é ‘hospital de campanha’, que vive sua missão de salvação e cura no mundo”, pois “a misericórdia não é apenas uma atitude pastoral, mas a substância mesma do Evangelho de Jesus”.

“Sem misericórdia, a nossa teologia, o nosso direito, a nossa pastoral, correm o risco de cair na mesquinharia burocrática ou na ideologia, que, por sua própria natureza, quer domesticar o mistério. Compreender a teologia é compreender a Deus, que é Amor”, assinala Bergoglio, que alerta contra o “teólogo ‘de museu’, que acumula dados e informações sobre a Revelação, mas que não sabe muito bem o que fazer com isso. O teólogo não deve ser alguém que vê a história da sacada”.

Ao contrário, o teólogo “deve ser uma pessoa capaz de construir em torno de si a humanidade, de transmitir a divina verdade cristã em uma dimensão verdadeiramente humana, e não um intelectual sem talento, um moralista sem bondade ou um burocrata do sagrado”.

Eis a íntegra da carta.

Ao estimado Irmão

Cardeal Mario Aurelio Poli

Grão-Chanceler da Universidade Católica Argentina

Querido Irmão:

A celebração dos 100 anos da Faculdade de Teologia da Universidade Católica é um momento importante para a Igreja na Argentina. O aniversário coincide com os 50 anos do encerramento do Concílio Vaticano II, que foi uma atualização, uma releitura do Evangelho na perspectiva da cultura contemporânea. Produziu um movimento irreversível de renovação que vem do Evangelho. E agora é preciso seguir em frente. Mas, como seguir em frente? Ensinar e estudar teologia significa viver em uma fronteira, essa na qual o Evangelho encontra as necessidades das pessoas para as quais se faz o anúncio, de maneira compreensível e significativa. Devemos precaver-nos de uma teologia que se esgota na disputa acadêmica ou que contempla a humanidade desde um castelo de vidro. Aprende-se para viver: teologia e santidade são um binômio inseparável.

Portanto, a teologia que desenvolvem deve estar baseada na Revelação, na Tradição, mas também deve acompanhar os processos culturais e sociais, especialmente as transições difíceis. Atualmente, a teologia também deve encarregar-se dos conflitos: não apenas daqueles que experimentamos dentro da Igreja, mas também daqueles que afetam todo o mundo e que são vividos nas ruas da América Latina.

Não se conformem com uma teologia de gabinete. O lugar das reflexões de vocês são as fronteiras. E não caiam na tentação de pintá-las, perfumá-las, ajustá-las um pouco e domesticá-las. Também os bons teólogos, como os bons pastores, cheiram a povo e a rua e, com sua reflexão, derramam unguento e vinho nas feridas dos homens.

A teologia deve ser a expressão de uma Igreja que é ‘hospital de campanha’, que vive sua missão de salvação e cura no mundo. A misericórdia não é apenas uma atitude pastoral, mas a substância mesma do Evangelho de Jesus. Animo-os para que estudem como, nas diferentes disciplinas – dogmática, moral, espiritualidade, direito, etc. –, se pode refletir a centralidade da misericórdia.

Sem misericórdia, a nossa teologia, o nosso direito, a nossa pastoral, correm o risco de cair na mesquinharia burocrática ou na ideologia, que, por sua própria natureza, quer domesticar o mistério. Compreender a teologia é compreender a Deus, que é Amor.

Quem é, então, o estudante de teologia que a U.C.A. está chamada a formar? Certamente, não um teólogo ‘de museu’, que acumula dados e informações sobre a Revelação, mas que não sabe muito bem o que fazer com isso. E também não alguém que vê a história da sacada. O teólogo formado na U.C.A. deve ser uma pessoa capaz de construir em torno de si a humanidade, de transmitir a divina verdade cristã em uma dimensão verdadeiramente humana, e não um intelectual sem talento, um moralista sem bondade ou um burocrata do sagrado.

Peço à Virgem Maria, Sede da Sabedoria e Mãe da Divina Graça, que nos acompanhe na celebração deste centenário. Peço-lhe que saúde os alunos, os funcionários, professores e autoridades da Faculdade e, por favor, que não se esqueçam de rezar por mim. Que Jesus o abençoe e a Virgem Santa o proteja.

Fraternalmente,

Vaticano, 03 de março de 2015.

Francisco

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

“Não se conformem com uma teologia de gabinete”, pede Francisco aos futuros teólogos - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV