Para OMS, sul-americano deve cortar em 60% ingestão de açúcar

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06 Março 2015

Alimentos processados têm muito açúcar "escondido", afirma a OMS, que recomenda que a indústria reveja o uso do ingrediente em seus produtos.

A reportagem é de Assis Moreira, publicada pelo jornal Valor, 04-03-2015.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez nova recomendação ontem para que adultos e crianças reduzam substancialmente o consumo diário de açúcar - o Brasil é o maior produtor mundial do ingrediente. A entidade afirma que a América do Sul tem o consumo mais alto no mundo e deveria cortar em pelo menos 60% a ingestão diária de açúcar.

A entidade global aconselha fortemente os países a manterem o objetivo atual para que o produto represente menos de 10% do aporte diário das pessoas. E destaca que "se possível'' as políticas nacionais devem levar a população a baixar a menos de 5% o açúcar no total calórico diário, para reduzir mais o risco de obesidade, diabete, cárie dentária e outras doenças.

Isso significa que os adultos deveriam limitar seu consumo de açúcar a 50 gramas ou 12 colheres pequenas, mas "se possível" baixar mesmo para 25 gramas ou 6 colheres pequenas por dia.

Atualmente todos os países excedem esses limites e o consumo de açúcar vem aumentado, ao invés de baixar, segundo a OMS. Na América do Sul, cada pessoa consome 131 gramas diárias em média, quase três vezes mais que a recomendação mais flexível da OMS.

A organização afirma que os governos podem implementar a redução recomendada por meio de medidas que já vêm sendo adotadas por alguns países, como a taxação adicional sobre determinados produtos e a regulação do marketing de refrigerantes e outros alimentos e bebidas açucarados.

Conforme a entidade, muito do açúcar consumido hoje é "escondido'' em alimentos processados que não são vistos como doces. Uma colher de ketchup, por exemplo, contém quatro gramas de açúcar. Uma única lata de refrigerante tem cerca de dez colheres pequenas de açúcar.

A recomendação não se refere ao açúcar contido em frutas e vegetais ou naturalmente presente no leite, porque não há evidências de efeitos adversos decorrentes de seu consumo. Tampouco faz referência a produtos com adoçante artificial, como a Coca-Cola Zero.

Em todo caso, a indústria de alimentos e de bebidas precisará reconsiderar e ajustar o uso de açúcar nos seus produtos, avisou o diretor de Nutrição e Saúde da OMS, Francesco Branca. Nas consultas para estabelecer a nova recomendação, a OMS recebeu 173 submissões com comentários de 24 governos, dezenas de indústrias e de outros setores.

"O Brasil não fez objeções", disse Francesco Branca, admitindo a surpresa com a posição do maior produtor e exportador mundial, mas considerando "excelente para nós, que focamos na saúde pública".

No caso específico do Brasil não haveria problema para entrar em conformidade com a futura recomendação, segundo fontes. O Ministério da Saúde tem feito acordos com a indústria alimentar no país para reduzir o uso de açúcar, sal e gorduras nos produtos.

Quanto ao impacto do anúncio da OMS no consumo mundial de açúcar, aparentemente ainda é uma questão em aberto.

Globalmente, o consumo aumentou 10% entre 2003 e 2013, de 58 para 63 gramas por pessoa por dia. Na América do Norte, é de 95 gramas; na Europa Ocidental, de 101 gramas; na Ásia, de 42 gramas; e na África Equatorial e do Sul, é de 30 gramas. Enquanto na Suécia e na Dinamarca o açúcar representa 12% das calorias diárias ingeridas por crianças, em Portugal atinge 25%.

Nesse cenário, governos em todas as regiões têm aumentado medidas para frear o consumo de açúcar por causa do seu crescente peso no orçamento nacional de saúde. A OMC calcula que o custo de tratar de problemas dentários, por exemplo, representa até 10% dos gastos de saúde em países industrializados.

No México, onde um em cada três adultos é obeso, o governo impôs taxa adicional de 8% sobre refrigerantes. O objetivo é reduzir o consumo de açúcar em 15%. No Equador, o governo impõe etiquetagem no setor, de forma que o uso de açúcar caiu 20% na indústria de alimentos e bebidas para receberem o "selo verde'' nos seus produtos, em vez do "selo vermelho''.

A obesidade afeta 500 milhões de pessoas no mundo e aumenta nos países emergentes, onde mais cresce também a indústria de refrigerantes.

A indústria preferiu acusar sobretudo o consumo de calorias e falta de exercício para problemas de obesidade. Mas, depois de resistir ao novo padrão, já mostra pragmatismo. A Nestlé, maior grupo alimentar do mundo, anunciou que vai lançar este mês uma nova versão de seu popular cereal Fitness com 30% a menos de açúcar, aumentando o volume de trigo e arroz. O novo produto estará disponível primeiro na Europa, e mais tarde na América Latina e na Ásia.

Para a OMS, uma dieta saudável deve ter só 5% de açúcar e 30% de gordura no consumo calórico total, não mais de cinco gramas de sal e pelo menos cinco porções, ou 400 gramas, de frutas e vegetais por dia.

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