Mudanças Climáticas, Variabilidade Climática ou Bizarrice Global?

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06 Março 2015

"Essa variabilidade climática que é uma característica inerente do clima pôde ser observada no verão de 2014 que foi o mais quente dos últimos 30 anos", escreve Williams P. M. Ferreira, meteorologista, pesquisador da Embrapa Café e pesquisador colaborador da Epamig UREZM-MG, em artigo publicado na edição 219 da Revista Eco21.

Eis o artigo.

Em tempos de escassez de água ou de excesso de chuvas os termos “Mudanças Climáticas e Aquecimento Global” voltam a ser destaque na mídia, uma vez que é comum a associação do atual momento as ações predatórias do homem sobre o seu hábitat.

Certo é que esses termos por vezes soam como se fossem a mesma coisa, principalmente para o cidadão comum, mas para os meteorologistas, climatologistas e outros estudiosos do clima, enquanto o termo “Aquecimento Global” faz referência ao aumento da temperatura média do Planeta como consequência principal das ações antropogênicas, o termo “Mudanças Climáticas” faz referência as mudanças que ocorrem em determinado local, ao longo de várias décadas, em diferentes elementos que compõem o clima, sendo os mais estudados a temperatura e as chuvas.

Como consequência das mudanças no conjunto dos elementos que compõem o clima, eventos tais como incêndios florestais, secas, furacões, tempestades tropicais, nevascas, enchentes etc., antes observados esporadicamente passam a ser observados com maior frequência de ocorrência e intensidade.

Diante da previsão acerca da mudança dos padrões climáticos no futuro, realizada com base nos atuais modelos climáticos, de acordo com alguns cientistas é esperado aumento nos desastres naturais, até então pouco conhecidos na história dos últimos dois séculos.

Numa escala de tempo menor do que as Mudanças Climáticas, eventos naturais tais como El Niño e La Niña, e a Oscilação Decadal do Pacífico (ODP) ganham destaque, pois influenciam de modo mais marcante na variabilidade do clima atual que apresenta como maior efeito colateral grande instabilidade no comércio internacional, devido a variabilidade na produção de alimentos e, consequente impactos na economia mundial.

Essa variabilidade climática que é uma característica inerente do clima pôde ser observada no verão de 2014 que foi o mais quente dos últimos 30 anos, na falta de chuva no início estação chuvosa e no excesso de chuva no pico da atual estação chuvosa em algumas regiões no Brasil; fortes nevascas no Leste e Centro Oeste norte-americano e temperaturas acima da média na Costa Oeste dos Estados Unidos.

Muitos dos efeitos atribuídos às Mudanças Climáticas estão efetivamente associados as mudanças aceleradas no uso e cobertura da Terra e a própria variabilidade climática que de acordo com o Dr. Thomas Wilbanks, da Divisão de Ciências Ambientais do Oak Ridge National Laboratory, seria, na atualidade, melhor descrita como “Weirding Global”, ou seja, Bizarrice Global.

Como consequência dos efeitos do que estão acontecendo com o clima da Terra foi publicado recentemente o “Climatic Risk and Distribution Atlas of European Bumblebees” que apresenta uma discussão sobre o declínio na população das abelhas em uma região da Europa, declínio esse que é atribuído e um “coquetel” de estressores ambientais decorrentes das Mudanças Climáticas.

As condições ambientais do hábitat das abelhas, capitaneadas pelo clima atual, ainda ameaçam o futuro de toda a população desses insetos polinizadores. O atlas, publicado como uma edição especial do jornal BioRisk, que permite acesso aberto ao público (http://phys.org/news/2015-02-decline-pollinators-europe.html) apresenta a possibilidade da ocorrência de um “Apocalipse da Abelhas” no futuro. Todavia, os pesquisadores acreditam que soluções baseadas na natureza ainda são possíveis, levando-se em consideração, certamente, as condições atuais e futuras do clima no continente europeu.

Outros eventos atuais são também atribuídos às Mudanças Climáticas, um exemplo disso foram as declarações feitas pelo Dr. Deepak Sawant, em Nagpur na Índia, que ao ser questionado sobre uma possível epidemia de gripe suína na região afirmou: “o Aquecimento Global e as Mudança Climáticas estão causando o aumento do número de casos de gripe suína”. Ele acrescentou que a disseminação da doença foi antecipada já que as ocorrências são normalmente registradas em Maio ou Junho, mas que em 2015, devido ao inverno prolongado do Hemisfério Norte e as Mudanças Climáticas, os casos de gripe suína têm aumentando quando comparado aos anos anteriores.

Questões conceituais, necessárias às ciências e tecnologias para identificar formalmente seu objeto de estudo a partir da percepção dos fatos reais, associadas ao emprego dos termos “Mudanças Climáticas” – que ocorrem ao longo dos séculos ou milênios, e “Variabilidade Climática” – que pode ocorrer desde uma escala de tempo anual, até uma de ciclo mais longo (como a ODP que pode levar em média de 20 a 30 anos), são de fato aspectos que podem contribuir para que um evento assuma a responsabilidade de outro, e até mesmo a terminologia empregada para descrever um ou outro evento da natureza se torne um termo “tendência” utilizado de forma indiscriminada para publicidade e promoção de toda e qualquer natureza criando uma nuvem de confusão sobre os termos científicos, desapropriando o seu real sentido, embaralhando os conceitos até que se perca o real sentido deste.

Indiferente ao emprego dos termos, as secas, nevascas e desastres naturais continuam a acontecer cobrando do Homem, membro da comunidade biótica do Planeta, mudanças na relação Homem-Planeta, quebrando o paradigma do progresso, que constitui o pilar fundamental sobre o qual estão assentados os principais valores da sociedade que hoje escreve a história do futuro da humanidade sobre o Planeta Terra. Viva Gaia!

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