“Aqui não mandam os gringos, mas os índios”, avisa Evo Morales

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Por: André | 26 Janeiro 2015

O líder aimara prometeu reduzir a extrema pobreza para um dígito e recordou que em 2005 ela era de 37% e agora é de 18,8%. Pressente-se um restabelecimento de relações entre o governo de Morales e o de Obama.

 
Fonte: http://bit.ly/1xOoiLQ  

A reportagem é de Sebastián Ochoa e publicada no jornal argentino Página/12, 23-01-2015. A tradução é de André Langer.

O presidente Evo Morales começou seu terceiro mandato consecutivo com dois dias de festa, que incluíram uma cerimônia indígena e outra urbana com a participação de convidados de governos e organizações sociais de 40 países. Depois da sua vitória nas eleições presidenciais de outubro passado, com 61,3%, o líder aimara está com tudo preparado para governar a Bolívia pelo menos até 2020. Disse que seguirá impulsionando a construção de obras públicas em todo o país amparado pelos ingentes recursos deixados pelas empresas exploradoras de hidrocarbonetos e minérios desde a sua chegada ao poder, em 2006. Mesmo que seja afetado pela queda dos preços do petróleo, que Morales atribui a um complô entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita para desestabilizar os governos da Rússia e da Venezuela. Como final feliz, pressente-se um restabelecimento de relações entre o governo de Morales e o de Barack Obama, que enviou uma comissão de “alto nível” aos festejos transcorridos nesta cidade.

Na quarta-feira, dia 21, Morales realizou em Tiwanaku (Tiahuanaco) uma cerimônia de posse presidencial de acordo com os usos e costumes dos povos indígenas andinos. No templo de Kalasasaya, diante da Porta do Sol, o presidente recebeu dois bastões de comando das mãos de amawtas, guias espirituais da cultura inca. Usava um chu’ku, que é um gorro em cuja frente trazia uma peça de ouro com o rosto de Wiracocha. Cobriu seu corpo com um unku, uma vestimenta feita de lã de vicunha, em cujo peito repetia o rosto da deidade, também em ouro. “Aqui não mandam os gringos, mas os índios. Esse é o orgulho que temos”, disse ali Morales. Abaixo, entre a multidão, a comissão enviada por Obama aplaudia, aprendia a dizer “jallalla” e tomava chá de coca para rebater os sofrimentos causados pelo sorojchi.

“Estamos fazendo gestões para ter um encontro de alto nível e, além disso, temos muito em repor os nossos embaixadores. A única coisa que pedimos é que haja muito respeito”, disse Morales na segunda-feira passada, dia 19 de janeiro, em uma entrevista coletiva. Aproveitou para enviar uma saudação à “vontade política” de Obama por enviar representantes.

Entre eles estava o subsecretário de Estado para a Democracia, Direitos Humanos e Trabalho dos Estados Unidos, Tom Malinowski. “Manifestei ao chanceler (David Choquehuanca) o grande respeito e admiração que nós temos nos Estados Unidos pelo grande progresso e a inclusão social que se registra na Bolívia”, disse.

Desde 2008, a Bolívia não tem embaixador nos Estados Unidos e vice-versa. Em setembro desse ano, Evo Morales havia acusado a embaixada do país do Norte de tramar um golpe de Estado contra ele, razão pela qual expulsou o seu representante, Philip Goldberg, e a DEA, a agência antidrogas estadunidense. Em resposta, Obama fez o mesmo com o seu acreditado em Washington, Gustavo Guzmán. Para dar outro golpe de frio às suas relações, em 2013 a Bolívia expulsou do seu território a USAID, a agência de cooperação para o desenvolvimento do país do Norte.

Agora, a chancelaria boliviana trabalha para conseguir uma reunião entre ambos os presidentes. Apesar da troca de sorrisos, Morales acusou os Estados Unidos de estarem por trás da queda do preço do petróleo, cujo barril está cotado a 48 dólares, quando em 2008 custava 147 dólares.

“A aliança entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita rebaixa o preço do petróleo com finalidades geopolíticas”, disse o presidente em alusão ao prejuízo que a queda brusca causa às economias administradas por Vladimir Putin e Nicolás Maduro.

O venezuelano foi um dos sete presidentes que participaram dos atos oficiais. Também estiveram presentes a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff; do Equador, Rafael Correa; do Paraguai, Horacio Cartes; da Costa Rica, Luis Guillermo Solís; e de Trinidad y Tobago, Anthoni Carmona. Como representante da Argentina foi o vice-presidente, Amado Boudou. Também havia delegações da Colômbia, Peru e China, entre outras nações que entregaram a Morales cerca de 50 presentes. Um grupo da Argentina deixou-lhe um quadro com a figura do ex-presidente Néstor Kirchner e outro com uma imagem da escola de Salta, onde estudou o presidente boliviano de 55 anos.

Na quinta-feira, dia 22, no ato realizado na Assembleia Legislativa Plurinacional, o presidente usou um traje como aquele usado pelos presidentes, embora com alguns motivos andinos. Ali, uma vez mais, reiterou suas intenções de recuperar o mar para a Bolívia.

“Encaminhamos a nossa demanda para a Corte Internacional de Justiça com solidez e consistência. A nossa demanda está bem encaminhada. Por história, por justiça e por direito, um dia vamos voltar ao Oceano Pacífico com soberania”, disse Morales. A presidenta do Chile, Michelle Bachelet, enviou em sua representação o presidente da Suprema Corte desse país, Sergio Muñoz.

Morales fez um relatório da gestão, que durou somente 55 minutos. Muito menos que o de 2012, por exemplo, quando o fez em quatro horas e 45 minutos. Disse que era em “respeito” aos convidados de outros países.

Indicou que, entre 2005 e 2014, os investimentos do Estado aumentaram 795%, a maioria destinada à construção de estradas, escolas, hospitais e até campos de grama sintética. Também inclui as três linhas de teleférico que inaugurou no ano passado na cidade de La Paz para melhorar ostensivamente o transporte público.

Acrescentou que continuará com a construção de quatro hospitais de quarto nível, que ainda não existem na Bolívia. E serão asfaltadas estradas que liguem regiões da Amazônia, embora – disse – nenhuma passará pelo Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), diante da oposição das comunidades locais.

“Até 2020 vamos reduzir a extrema pobreza a um dígito, para 8% ou 9%. Vamos cumprir [essa promessa] e já aprendemos nesses nove anos. Não é muito problema”, assegurou. E recordou que, em 2005, a extrema pobreza era de 37,2%, ao passo que agora é de 18,8%.

Também realizará um referendo para reestruturar o Judiciário, razão pela qual terá modificado a Constituição antes do final do ano. Para isso já conta com dois terços do total de parlamentares.

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