COP-20: membros do Conselho Mundial de Igrejas comprometem-se com a justiça climática

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15 Dezembro 2014

O cuidado com a criação e a afirmação de valores religiosos na abordagem do impacto das mudanças climáticas foram destacados em uma série de iniciativas organizadas por membros do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), em Lima, Peru. A capital está hospedando a 20ª Conferência das Partes (COP-20) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, de 1 a 12 de dezembro.

A reportagem foi publicada no sítio do World Council of Churches, 10-12-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

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Foto: IMP/Annie Solis

Em 8 de dezembro, a Igreja Metodista do Peru (IMP), Igreja membro do CMI, organizou um painel de discussão intitulado "Cristãos comprometidos o cuidado da criação". A atividade realizada na Casa Metodista foi o destaque de um dia que gerou diálogo sobre as questões em jogo na COP-20 e a Cúpula dos Povos.

O bispo Samuel Aguilar, chefe da IMP, abriu a conferência e apresentou os palestrantes. Ele ressaltou a importância das decisões recentes da liderança da Igreja, incluindo questões de justiça climática como uma prioridade. "Este evento marca a nossa abertura para nos tornarmos uma Igreja que está plenamente empenhada em ser pró-ativa no cuidado da criação de Deus", disse ele.

O reverendo Milton Mejía, pastor presbiteriano da Colômbia e coordenador do programa Fé, Economia, Ecologia e Sociedade (FEES) do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), apresentou o painel. Ele compartilhou três documentos ecumênicos recentes que oferecem informações valiosas sobre novas interpretações das estruturas injustas que causam pobreza e prejudicam o meio ambiente. Os documentos apresentados foram: "A Confissão Accra", emitido pela Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas (CMIR), em 2004; a "Declaração de São Paulo", de 2012, uma iniciativa em conjunto da CMIR, CMI, Federação Luterana Mundial e do Conselho de Missão Mundial (CMM); e, por úlltimo, "Economia de vida: um convite à reflexão teológica e ação", emitido no dia 28 de novembro como parte do projeto do CMI sobre Pobreza, Riqueza e Ecologia.

"Recebemos o convite do CMI e estamos nos unindo à peregrinação por justiça e paz, partilhando exemplos locais e iniciativas que podem promover esperança e transformar o mundo à nossa volta", disse Mejía. "Economia de vida é um conceito que valoriza a nossa boa relação com o meio ambiente", acrescentou.

Mejía também mencionou o documento "Clima, Fé e Esperança: tradições de fé em conjunto para um futuro comum", emitido em setembro passado por representantes de diferentes credos e tradições religiosas que se reuniram em Nova York para uma consulta promovida pelo CMI.

O reverendo Pat Watkins, da Diretoria Geral de Ministérios Globais (GBGM) da Igreja Metodista Unida dos Estados Unidos, foi um dos palestrantes no painel. Ele falou sobre o quanto é importante resgatar "as relações com o meio ambiente".

"O nosso ministério histórico para os pobres do mundo deve ser estendido à terra", disse ele. "Precisamos curar o nosso relacionamento com Deus na terra que nos foi dada. Nosso relacionamento com Deus deve refletir na nossa relação com a terra ", continuou ele. Watkins é o primeiro missionário para o Cuidado da Criação de Deus da GBGM e trabalha diretamente com a Secretaria-Geral.

Apesar dos números impressionantes de atividades realizadas em Lima nestas últimas duas semanas na COP-20 e nos 5 dias de Cúpula dos Povos, o painel da IMP foi visto por muitos representantes de Igrejas como o primeiro e importante passo para um maior envolvimento das Igrejas locais sobre as questões relacionadas com o meio ambiente.

O reverendo Enrique Alva Callupe, presidente do Conselho Evangélico do Peru, expressou sua gratidão por essa iniciativa sem precedentes. "Esperamos que o exemplo da Igreja Metodista do Peru possa incentivar outras Igrejas locais a tomar medidas para incluir a questão da justiça climática em seu ministério e missão", disse ele.

Vozes de fé para a justiça climática

No dia 9 de dezembro, na Universidade Antonio Ruiz de Montoya, o executivo do programa para o Cuidado com a Criação e Justiça Climática e o chefe da delegação do CMI na COP-20, Dr. Guillermo Kerber, moderou uma mesa redonda com o tema "Eco-teologia e diálogo inter-religioso" como parte das iniciativas da conferência "COP-20 - Perspectivas do Sul". Dois membros da delegação do CMI na COP-20 estavam entre os seis participantes do debate.

A reverenda Dr. Grace Ji-Sun Kim, pesquisadora visitante na Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, e membro do Grupo de Trabalho sobre Mudança Climática do CMI, compartilhou como os seus estudos de teologia comparativa estão lhe ajudando a identificar conceitos fundamentais da fé cristã, que também são fundamentais para outras expressões religiosas, como a sabedoria e o entendimento do Espírito Santo. "Entre as questões que deveriam nos unir está também uma forte preocupação sobre a sustentabilidade como um valor de fé", acrescentou ela.

Para o reverendo Dr. Henrik Uva, diretor para o desenvolvimento sustentável da Igreja da Suécia, uma das questões importantes em Lima é como os diversos níveis da sociedade, Igrejas e organizações religiosas, podem participar no processo de mudança das estruturas que prejudicam o meio ambiente. "Chegou a hora das expressões de fé serem mais pró-ativas na discussão sobre as escolhas feitas pela humanidade", disse ele.

A COP-20 espera pavimentar um caminho sólido para a COP21-CMP11, em Paris, França, em 2015. A conferência tem como objetivo apresentar instrumentos juridicamente vinculativos a fim de regular as emissões de gases de efeito estufa, incluindo ferramentas eficazes de financiamento para a adaptação das comunidades e regiões mais vulneráveis. Igrejas, comunidades religiosas e a sociedade civil estão implorando, pedindo, exigindo: "Justiça Climática para Todos".

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