''Finalmente, reabriu-se o discurso sobre Igreja e modernidade.'' Entrevista com Francesco Peloso

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22 Outubro 2014

O sítio Il Sismografo, 20-10-2014, dirigiu-se a alguns colegas vaticanistas para pedir-lhes uma contribuição de análise e de comentário sobre a importância Assembleia extraordinária sinodal dedicada à família.

Francesco Peloso, vaticanista do sítio Secolo XIX, nos ofereceu a sua reflexão em resposta a esta pergunta: "Sem entrar em complexos aprofundamentos, qual a característica ou reflexão que mais lhe chamou a atenção ou que você considera de notável relevância desse Sínodo?". A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a resposta.

Acho que é injusto julgar esse Sínodo extraordinário somente pelos documentos finais: os textos são importantes, é claro, e revelam a amplitude e a intensidade do debate, mas o que me parece mais significativo é a abertura de uma discussão que realmente há não muito tempo parecia inimaginável.

E não só pelos temas abordados e, portanto, pelo duelo entre reformadores e conservadores, que também houve, mas, eu diria, sobretudo porque, finalmente, colocou-se a mão na relação entre Igreja e modernidade, voltando, inevitavelmente, a muitas das temáticas conciliares.

Assim, emergiram vozes e sensibilidades que existiam há muito tempo, mas permaneciam como potencialidades sempre latentes e nunca totalmente expressadas.

Agora, muda profundamente o cenário em que se movem a Igreja e o pontificado. O próprio Francisco não sai ileso dessa cúpula: não há apenas o vasto consenso popular que o acompanha, mas também uma parte – embora minoritária – do episcopado que obstaculiza e contesta pela raiz o seu processo reformador.

Não há nada de trágico e de dramático nisso, no entanto, a Igreja não parece ainda totalmente pronta para metabolizar diferenças e divisões internas. Aqui, talvez, viram-se os maiores limites do Sínodo. Passou muito tempo sem que houvesse uma discussão livre.

Por outro lado, pela primeira vez, diversos bispos e cardeais que apoiam o papa também tiveram que assumir responsabilidades importantes, expressando, assim, a sua liderança.

As tensões, em certos momentos, pareceram excessivas, assim como algumas resistências se revelaram desproporcionais em relação aos sentimentos gerais, não só da sociedade como um todo, mas também do povo cristão (sobre contracepção, divórcios, reconhecimento dos direitos homossexuais em particular).

Paralelamente, foi interessante o desenvolvimento do debate sobre a relação entre Evangelho e sociedade, entre verdade da Igreja e história, entre teologia em evolução e contemporaneidade, passando também pelas contradições e pelos problemas que tudo isso envolve.

Muitas das temáticas que surgiram, por fim – incluindo os grandes nós sociais e humanos que investem contra a família nas várias latitudes –, deram um quadro abrangente original e profundo da questão. O caminho rumo ao Sínodo de 2015, portanto, parece particularmente rico e interessante.

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