Cardeal Burke responde à apresentação do casal australiano no Sínodo sobre família com filho gay

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13 Outubro 2014

Em uma entrevista exclusiva com o sítio LifeSiteNews, o cardeal Raymond Burke (foto) comentou sobre uma apresentação controversa feita por um casal australiano diante de 191 bispos e cardeais, líderes da Igreja Católica, no Sínodo Extraordinário sobre a família que está em curso durante o mês de outubro.

A reportagem foi publicada no sítio LifeSiteNews, 09-10-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.burke

Durante a sua intervenção, que acabou sendo uma das intervenções mais amplamente noticiadas do Sínodo, os Pirola perguntaram e responderam a uma pergunta sobre o que os pais devem fazer no caso de um de seus filhos querer trazer o seu parceiro homossexual para um jantar de natal, no qual seus netos estarão presentes.

A resposta dos Pirola, que eles consideraram como um modelo para a maneira pela qual a Igreja Católica deve lidar com as pessoas do mesmo sexo, foi a de que os pais devem aceitar a participação do filho e de seu parceiro homossexual sabendo que "seus netos iriam vê-los acolher o filho e seu parceiro na família".

O cardeal de Westminster, Vincent Nichols, revelou depois que alguns padres sinodais responderam à curta intervenção do casal "muito calorosamente, com aplausos".

Em declarações feitas durante um curto intervalo durante o Sínodo, o cardeal Burke, prefeito da Assinatura Apostólica do Vaticano, caracterizou a questão dos Pirola como "delicada", que precisa ser tratada de "forma calma, serena, razoável e cheia de fé".

As preocupações do cardeal Burke foram compartilhadas pela organização Voice of the Family [Voz da Família], uma coalizão de 15 grandes grupos pró-vida e pró-família de todos os continentes, que consideraram a intervenção dos Pirola "prejudicial".

"A acolhida sem ressalvas dos casais homossexuais em ambientes familiares e paroquiais, efetivamente, prejudica a todos, servindo para normalizar a desordem da homossexualidade", disse a porta-voz do Voice of the Family, Maria Madise, em um comunicado de imprensa.

Em entrevista à Aleteia, o padre Paul Check, presidente do Courage [Coragem], grupo católico que trabalha para ajudar as pessoas com atração pelo mesmo sexo a viver uma vida casta, respondeu à questão, observando: "Nós nunca podemos ser mais pastorais do que Jesus".

Ele acrescentou: "Acolher as pessoas na Igreja, em nossas casas, na conversação ... 'aceitá-los' de uma forma autenticamente cristã nunca significa comprometer a verdade". Um exemplo desse comprometimento, disse ele, seria "de alguma forma, dizer a alguém: 'Bem, isso é o melhor que você pode fazer".

Publicamos a seguir a entrevista completa com o cardeal Burke.

Eis a entrevista.

Como os pais católicos devem lidar com uma situação difícil como esta: ao planejar uma reunião familiar de natal com os netos presentes, os pais são perguntados por seu filho, que está em um relacionamento homossexual, se ele pode trazer seu parceiro homossexual? Utilizando esses princípios, como as paróquias devem lidar com casais homossexuais que se aproximam para receber a Santa Comunhão e que buscam cargos de liderança dentro da paróquia?

Essa é uma questão muito delicada, e é ainda mais delicada pela agressividade da agenda homossexual. Mas é preciso abordar isso de uma maneira muito calma, serena, razoável e cheia de fé. Se as relações homossexuais são intrinsecamente desordenadas, o que de fato são - a razão nos ensina isso e também a nossa fé - então, o que significaria para os netos ter presente em uma reunião familiar um membro da família que está vivendo [em] uma relação desordenada com outra pessoa?

Nós não iríamos permitir, se fosse outro tipo de relacionamento - algo que fosse profundamente desordenado e prejudicial - não iríamos expor nossas crianças a esse relacionamento, à experiência direta do mesmo. E também não devemos fazê-lo no contexto de um membro da família que não só sofre de atração pelo mesmo sexo, mas que optou por viver essa atração, para agir sobre ela, cometer atos que são sempre e em todo lugar errados, nocivos.

E assim, as famílias têm que encontrar uma maneira de estar próximos de um filho nesta situação - um filho ou neto, ou quem quer que seja - a fim de tentar levar a pessoa para longe de um relacionamento que é desordenado.

E nós sabemos que com o tempo, esses relacionamentos deixam a pessoa profundamente infeliz. E por isso é importante manter-se próximos o máximo possível. Mas, essa forma particular de relação não deve ser imposta aos membros da família, e especialmente às crianças que são impressionáveis​​. E eu conclamo os pais ou avós - quem quer que seja - para serem muito, muito prudentes nesta matéria e não escandalizar os seus filhos ou netos.

Há tantas coisas em nossa sociedade hoje que estão passando a mensagem de que qualquer forma de relação sexual, se esta lhe agrada de alguma forma - ou se você fica atraído por ela - está bem, está correta. E nós não queremos que nossos filhos tenham essa impressão, aparentando tolerar atos gravemente pecaminosos por parte de um membro da família.

Certamente é uma fonte de grande sofrimento, mas o esforço para fazer o que é certo e bom sempre envolve sofrimento. E, neste caso, ele certamente o fará. Mas esse sofrimento será realmente redentor no final.

Já com relação às paróquias, a situação é muito semelhante, porque a paróquia é - creio que foi São João Paulo II, que disse uma vez - 'a família das famílias'. E assim, se você tem um membro da paróquia, que está vivendo em pecado público em um relacionamento homossexual, bem, o sacerdote deve tentar ficar perto desse indivíduo - ou de ambos os indivíduos se eles são católicos - e tentar ajudá-los a deixar o relacionamento pecaminoso e começar a levar uma vida casta. O pastor deve incentivá-los também a rezar e a participar da Missa dominical e de outras formas adequadas para tentar superar o pecado em suas vidas.

Essas pessoas que estão vivendo dessa forma certamente não podem ter qualquer papel de liderança na paróquia, porque daria a impressão aos paroquianos que a forma como eles estão vivendo é perfeitamente adequada. Porque, quando somos líderes em uma paróquia, de uma certa forma, estamos dando testemunho de uma vida católica coerente. E às pessoas que não são coerentes com a sua fé católica não são dadas funções de liderança. Não lhes é pedido, por exemplo, ser um leitor na Santa Missa - ou assumir outra posição de liderança - até que eles tenham retificado sua situação e tenham passado por uma conversão de vida e estejam prontos para assumir esse tipo de liderança.

Por um lado, certamente, isso escandaliza os paroquianos no que diz respeito a uma parte muito importante da nossa vida, a nossa sexualidade e sobre o que ela significa. Por outro lado, não é bom para as duas pessoas envolvidas no relacionamento desordenado porque também lhes dá a idéia de que a Igreja, de alguma forma, aprova o que eles estão fazendo.

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