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02 Outubro 2014

Entre os temas difíceis, banalizados no discurso público, o celibato dos padres tem um lugar especial. Da amante de Usimbalda de Boccaccio a a mulher do padre de Dino Risi há uma literatura alta que se interroga sobre o “matrimônio dos padres”: um problema que em si não existe. Na Igreja católica quem faz uma escolha celibatária tem todo o direito de renunciar a ela (e sai com preços frequentemente inferiores àqueles que paga quem sai de um matrimônio ou da sublimação da própria homossexualidade).

A reportagem é de Alberto Melloni, publicada pelo “La Lettura” – Corriere della Sera,  28-09-2014. A tradução é de Benno Dischinger.

Assim que um padre que tenha cumprido um percurso de “redução” (sic!) ao estado laical, conserva todos os direitos dos fiéis, mas não o exercício do ministério, que muitos lastimam ou desejam reaver. Mas isto é um nó da disciplina: aquilo sobre que a Igreja católica de hoje se interroga não é se fazer casar os padres, mas se continuar a escolhê-los (deixando de parte a questão de ministérios não preclusos aos batizados e da idade das escolhas hoje deslizada para frente) entre cristãos com uma vocação ao celibato ou também entre desposados.

Na história do catolicismo a vocação ao celibato como critério de seleção do clero, de fato, não é realmente uma constante. A Igreja antiga dava o ministério a homens com mulher, como ainda o fazem as Igrejas ortodoxas e as Igrejas católicas de rito oriental. E, além dos homens de boa conduta aos quais o Concílio Vaticano II deu o restaurado ministério de diáconos, Bento XVI, com o motu próprio anglicanorum coetibus, acolheu na Igreja latina padres e bispos anglicanos desposados, que tem deixado a sua confissão inconformados com as aberturas sobre os gay.

A escolha de procurar os candidatos ao presbiterado entre os célibes aparece, de fato, como uma opção existente desde a primeira Igreja (Paulo não toma mulher e relativiza fortemente o matrimônio), mas isso tende a tornar-se regra somente desde o século VIII e depois se consolida como norma com a reforma gregoriana do século XI, tornando-se chave da formação com os seminários do Concílio de Trento.

Debatida teologicamente por diversas vezes – desde Lutero que lhe opõe a figura do pastor como marido exemplar, ao Vaticano II que não o discute porque Paulo VI pensa poder decidir melhor sozinho – aquela auto-limitação é hoje considerada com olhares diversos: não por uma questão de disciplina ou de moral ou de terapia da sublimação neurótica da corporeidade do célibe, e menos ainda porque as amantes dos padres encontram dilemas e tormentos talvez não tão diversos daqueles de outros casais clandestinos. Mas, por uma questão de ministério.

Para fazer que a celebração eucarística seja realmente universal quanto à extensão, é necessário ter um número adequado de pastores de ânimo para pequenas greis: grandes reuniões, meetings, organizações espetaculares podem existir ou não, na Igreja; mas alguém que retire a vida cristã do individualismo e do temor, que lhe dê forma eucarística, exige uma escolha: limitar o discernimento aos machos com uma vocação celibatária (hoje, encerrada uma cultura repressiva, com uma vivência que pode ser tanto homossexual como heterossexual) ou procurar um discernimento também entre os desposados. Mas, que seja para a comunidade, não para uma dignidade ou funcionalidade ou um temor.

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