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O que fizemos para merecer tudo isso?

Publicamos hoje, um apelo dramático expresso na carta das Irmãs Dominicanas que estão no Iraque. A carta é de autoria da Irmã Sherine que esteve em Porto Alegre, em 2003, participando do III Fórum Social Mundial. Na oportunidade ele deu o seguinte testemunho, no dia 27-01-2003.

Agradecemos ao Frei John Xerri, OP, pelo envio do texto que reproduzimos.

Irmã Sherine durante entrevista coletiva no III FSM.                  

Foto: Ag.Imediata

Eis o testemunho.

Para dar uma idéia da situação, gostaria de explicar brevemente quais eram as condições no Iraque antes das sanções e da Guerra do Golfo. Como vocês devem saber pela História, o Iraque é uma civilização muito antiga. É o local de nascimento de Abraão, que é o ancestral comum do Judaísmo, Cristianismo e Islã.

Antes que a atual agressão começasse, o Iraque era uma nação próspera e desenvolvida. O país oferecia e ainda oferece educação pública gratuita do primário até o nível universitário. E, no passado, apresentava o maior índice de alfabetização para as mulheres de todo o Oriente Médio.

Saúde pública gratuita e médicos profissionais qualificados fizeram do país o principal centro médico da região.

A nação era diversificada, tanto em termos éticos quanto culturais, com uma sociedade relativamente aberta e tolerante, geralmente respeitosa da diversidade religiosa e cultural.

Tinha uma infra-estrutura bastante adequada, incluindo estações de tratamento de água sofisticadas e serviços de saneamento, além de uma rede decente de eletricidade e comunicações.

A influência das Sanções Econômicas

Em função de tudo isso, as sanções são uma tragédia sem paralelos em toda a história humana. Podemos ouvir a mesma pergunta ser pronunciada dos lábios de todos os iraquianos (crianças, mulheres, jovens e idosos).

O que fizemos para merecer tudo isso?

O Iraque era um país tão próspero, mas agora seu povo está sofrendo a fome e a inanição! Será que isso é justo e aceitável?

Onde quer que se vá, pode-se ouvir os iraquianos afirmar: "As Sanções das Nações Unidas estão nos matando!"

a. O nosso povo iraquiano está passando por gravíssimas dificuldades desde a Guerra do Golfo, pelos efeitos debilitantes e devastadores dos 12 anos de sanções econômicas impostas ao Iraque pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. As sanções resultaram em terríveis sofrimentos de todas as ordens: físicos, intelectuais, morais e culturais, para milhões de pessoas. O país, que era próspero e abrigava a segunda maior reserva mundial de petróleo — foi sistematicamente desconstruído, destruído, e reduzido a nada. As restrições comerciais e para importação são um fortíssimo golpe aos iraquianos, particularmente às crianças, aos idosos e aos inválidos. Elas destruíram a habilidade do Iraque de suprir as necessidades básicas de vida ao seu povo. Se você visitar o Iraque, você imediatamente testemunhará a destruição do seu povo, sua cultura, sua terra e a deterioração das condições de vida. As sanções mataram mais de 1,5 milhões de iraquianos, a maioria deles mulheres e crianças, devido à terrível falta de remédios e alimentos, à contaminação da água potável, à poluição do ambiente, e à deficiência no teor nutritivo dos alimentos, tanto em termos da qualidade quanto da quantidade que determina a própria possibilidade de sobrevivência das pessoas. Isso resultou em crianças com peso muito abaixo da média, mães com anemia, fornecimento de suprimentos médicos inadequados e o isolamento do país e de seu povo do resto do mundo.

b. Nossas crianças são mantidas como reféns para todo tipo de doenças, facilmente curáveis por antibióticos comuns e uma dieta saudável, mas que nos são inacessíveis, Além disso, a taxa de crescimento natural de 23%, para o total de crianças iraquianas, simplesmente parou e essa taxa era o dobro, antes da guerra do Golfo. O número de crianças abaixo de cinco anos que morrem a cada mês é de aproximadamente 6.500. A média de mortalidade para crianças entre os 5-12 anos aumentou de 18.000 para 80.000. A mortalidade infantil verificou um aumento de 6 vezes, desde 1990. Em consequência disso, as taxas de mortalidade infantil no Iraque estão entre as mais altas do mundo. Isso levará à destruição completa de toda uma nova geração. Mais de 6 milhões de iraquianos (ou seja, cerca de um terço da população total) está passando fome. Os idosos estão sofrendo de doenças crônicas, tais como pressão alta, diabetes e problemas cardíacos. Eles não têm acesso aos remédios para aliviá-los de seus problemas de saúde.

c. As chamadas no-fly zones (zonas com interdição ou exclusão de vôo), impostas ilegalmente no norte e no sul criam desafios para que se possa viajar no país. Embora exista um número limitado de vôos comerciais entre as principais cidades do país, a maioria das pessoas que precisa viajar deve fazê-lo através das areias do deserto e enfrentando as inimagináveis barreiras de sanções.

d. O que dói muito é que o impacto das sanções não está confinado só a todo o tipo de escassez material. O impacto é ainda maior sobre os valores, os hábitos e a psique de uma inteira sociedade. Crimes como assassinatos, roubos, sequestros e prostituição estão aumentando.

A Saúde

O setor da saúde no Iraque, antigamente considerado exemplar, está próximo de entrar em colapso, depois de 12 anos de sanções extremamente debilitantes. Embora tenha havido uma certa melhora na disponibilidade de remédios e equipamento médico básico, os governos dos EUA e da Inglaterra empregam, frequentemente, seu direito de bloquear os pedidos de produtos, enquanto determinam a validade dos mesmos. Consequentemente, essas mercadorias, embora tecnicamente permitidas, com frequência não estão disponíveis quando necessárias. A enorme destruição da infra-estrutura e da economia do Iraque tem uma clara influência no desempenho do sistema hospitalar e da saúde. Os hospitais carecem de serviços e necessidades básicas, como anestésicos, esterilização, manutenção necessária, iluminação e água potável. Como podem funcionar os hospitais sem água limpa, sem bancos de sangue, sem laboratórios bem equipados, raios-x, instrumentos médicos e salas cirúrgicas em má condição? Como podem os bancos de sangue, os laboratórios, o raios-x, o equipamento médico funcionar sem geradores elétricos e partes de reserva? Como resultado, a capacidade dos hospitais iraquianos foi reduzida de 30%. As equipes médicas dos hospitais enfrentam uma grande insuficiência de oxigênio, o que força os médicos a colocarem mais de uma criança na mesma incubadora, e mais de um paciente compartilha o mesmo cilindro de oxigênio. Além disso, os hospitais não podem providenciar alimentos para um grande número de pacientes, de modo que as famílias dos hospitalizados precisam trazer a comida para os mesmos. Muitas mulheres grávidas chegam à maternidade para o parto com tapetes totalmente gastos para cobrir os bebês, e os empregados do hospital acabam sendo forçados a rasgar os lençóis para poder cobrir os recém-nascidos. Os cirurgiões são forçados a usar as mesmas luvas esterilizadas várias vezes, porque elas não estão disponíveis.

Alguns dias antes de ir à Jordânia, visitei uma amiga que foi também uma ex-aluna minha. Ela é responsável pela Unidade de Leucemia, e me disse que estava desolada vendo s mães soluçarem à beira da cama de seus filhos. Ela deu ênfase ao fato de que a maioria dos pacientes morre devido à falta de remédios. Alguns pacientes recebem somente a metade da dose de medicamento requerida. Às vezes, os pacientes recebem um tipo de remédio que nada tem a ver com sua doença, na tentativa de aliviar uma dor severa ou seus prantos de sofrimento. Pode-se escutar a desolação das equipes médicas que não podem ministrar antibióticos fundamentais ao combate de doenças contagiosas que provêm da água, e que atacam o povo iraquiano, especialmente as crianças e as mulheres grávidas, tais como: a anemia, a febre tifóide, a diarréia, o pólio e o sarampo. A maioria dos iraquianos sofre de doenças que poderiam ser facilmente tratadas antes da guerra do Golfo e do embargo. O bombeamento de água diminuiu aos níveis mínimos, mesmo em Bagdá, a capital do Iraque, devido à redução da força de bombeamento. Antes da guerra do Golfo, 95% da população do Iraque podia, facilmente, obter água limpa e potável. Agora, tem havido uma ligeira melhora na disponibilidade de água, mas nada que se possa comparar aos níveis anteriores à Guerra.

O embargo levou ao isolamento intelectual da comunidade científica e médica iraquiana. Nossas equipes médicas se sentem isoladas porque todas as bolsas de estudo no exterior são negadas, as publicações médicas e científicas não estão disponíveis e nossos médicos não podem participar de conferências médicas ou científicas internacionais.

Diretamente ligada à situação da saúde é a questão do sistema de esgotos inadequado, o qual foi fortemente danificado durante a guerra do Golfo, e ainda se encontra num estado de abandono devido à ausência de partes de reposição e manutenção. Quando a tubulação se racha, a água dos esgotos vaza dos bueiros porque as instalações para o tratamento dos esgotos não estão funcionando.

Um dos desastres não divulgados da guerra do Golfo foi o uso de armas com urânio empobrecido. Os EUA e a Grã-Bretanha desenvolveram essas armas porque o urânio depauperado é um metal denso que pode perfurar tanques blindados. Sob impacto, o urânio se vaporiza e permanece no solo e na atmosfera. 320 toneladas de urânio empobrecido foram utilizadas no Iraque. O resultado é que as pessoas, em certas regiões do país, tem estado expostas a essa radioatividade por 12 anos. Há um alarmante aumento de leucemia, tumor do rim, câncer do pulmão e câncer do seio. Segundo um especialista iraquiano em câncer, um estudo da Universidade de Bagdá estima que 40% das pessoas na província de Basra morrerão de câncer, ou seja, 750.000 pessoas. Quanto à quimioterapia, os medicamentos são insuficientes até para as pessoas mais ricas que podem se dar ao luxo do tratamento. O equipamento para a terapia de radiação é extremamente pobre. Embora algumas das máquinas sejam muito velhas, elas ainda estão em funcionamento. Devido ao embargo, o governo não tem a permissão de importar máquinas mais modernas ou peças sobressalentes necessárias para os reparos. Os pacientes têm que esperar dois meses para poderem receber a terapia de radiação.

Bombardeios

Os aviões e mísseis destruíram a vida e os seus sistemas de suporte. Pode-se ver o rosto das crianças congelado de medo, enquanto as sirenes sinalizam o próximo bombardeio. A devastação causada pelos bombardeios é aparente em 80% das crianças de Bagdá que perderam seus pais e parentes durante a Guerra do Golfo. Aquelas que sobreviveram aos bombardeios estão muito carentes de cuidados especiais, tratamento psicológico intensivo e reabilitação, orientação e instruções de modo a permitir que possam voltar à vida normal e natural.

Antes da guerra do Golfo e dos bombardeios dos EUA, cristãos e muçulmanos conviviam de maneira pacífica e amistosa. Eu era professora em uma escola privada. Os alunos eram cristãos e muçulmanos, e eles estudavam e brincavam juntos. As irmãs sempre foram respeitadas pelos alunos e seus pais, e merecedoras da confiança deles. As tensões religiosas existentes agora no Iraque são intensificadas pela instabilidade gerada pelas sanções e pelo crescente sentimento anti-ocidental na região. O cristianismo é associado com o Ocidente, e mais particularmente, com os Estados Unidos. Isso se traduz por um aumento das tensões nas relações entre muçulmanos e cristãos. Nós dominicanos temos experienciado um número crescente de incidentes de perseguição religiosa. Por duas vezes, a estátua de Maria, mãe de Jesus, foi coberta com uma hijab e abajah, como um modo de insultar os cristãos. Depois de uma missa numa igreja dominicana, os fiéis foram atacados. Dezesseis homens, mulheres e crianças foram feridos. Em função de nosso hábito religioso, como sinal de nosso compromisso, as irmãs podem ser facilmente identificadas, e já foram vítimas de abusos verbais e até mesmo de ameaças, especialmente as irmãs mais jovens que frequentam a universidade.

O incidente mais sério envolveu uma irmã de setenta anos da Caldéia, brutalmente assassinada em seu convento, em Bagdá. Nada foi levado da casa, mas os objetos sagrados foram profanados. É importante observar que em cada um desses incidentes, o governo iraquiano defendeu devidamente a comunidade cristã ofendida.

A situação da educação

A educação tem sido uma das grandes vítimas, sob o regime de sanções. A desnutrição resultante das sanções tem um grande efeito sobre a habilidade mental. Além disso, muitas famílias não mandam mais suas crianças para a escola, porque não podem comprar os livros e o material didático. Em consequência, o nível de alfabetização caiu de 90% para 50%. As crianças não vão para a escola para poderem ir mendigar nas ruas, vender jornais ou trabalhar como engraxates para ajudar suas famílias. Ao mesmo tempo, está havendo uma fuga de cérebros. Muitos especialistas, peritos, médicos especializados e pessoas de excelente formação educacional da classe média estão fazendo parte do processo de migração em massa. Simplesmente devido ao índice de desemprego de 70% e aos salários extremamente baixos. Nosso povo não tem a esperança de um futuro melhor. As sanções têm sido aplicadas por um período de tempo excessivamente longo e há uma impressão geral de que seja o que for que o Iraque fizer, as sanções nunca serão suspensas ou abrandadas.

Nosso país era altamente estimado pelo seu sistema educacional avançado. Mas agora, nas nossas universidades, colégios e escolas faltam até mesmo os requisitos mais básicos, tais como equipamento de laboratório. Quando há algum disponível, as paradas no fornecimento de energia elétrica acabam de arruiná-los. A impressão de livros e revistas é quase impossível, seja devido à falta de papel que aos altos custos de impressão. É muito triste ver as salas de aula com as janelas quebradas, as rachaduras nos tetos, a falta de eletricidade, de assentos, de água e até mesmo a ausência de quadros-negros e giz. Muitos estudantes precisam de livros didáticos atualizados. A maioria das instituições foram vítimas de danos terríveis. Segundo a UNICEF, 540 escolas foram reparadas. Mas outras 5.000 precisam ser reparadas. Devido ao crescimento da população do Iraque, 40% da mesma tem menos de 15 anos, e o país precisa de 5.000 escolas adicionais.

Depois da guerra do Golfo, um grande número de alunos e estudantes universitários tiveram que abandonar seus estudos. Embora a educação seja gratuita, o custo de roupas, livros e material didático é proibitivo. E eles precisam ajudar suas famílias a ganhar algum dinheiro para sobreviver, além das altas despesas incorridas com o transporte. Ao mesmo tempo, a educação superior não se traduz num reconhecimento monetário. Pessoas com mestrado e doutorado preferem trabalhar como motoristas de táxi, ou em hotéis e restaurantes. Não podemos importar nada que tenha relação com o processo de aprendizagem.

A situação econômica

Em 1981, viajei por um mês pela Europa com 400 Dinars iraquianos, e ainda sobrou algum dinheiro para comprar lembranças. Agora, um quilo de farinha no mercado negro custa 400 DI, um quilo de açúcar 600 DI, e um quilo de arroz 500 DI. Um quilo de carne custa 4.000 DI. Além disso, não se deve esquecer que os salários mensais diminuíram dramaticamente. Segundo uma organização humanitária européia que atua no Iraque, em 1988, antes de Guerra do Golfo, o salário mensal médio era de US $1.200. Depois da guerra, abaixou para $450. Agora, o salário médio é de US $4 por mês.

Uma das consequências disso é que um grande número de menores sem-teto está trabalhando nas ruas. Antes da guerra do Golfo, a moeda iraquiana valia US$ 3. Hoje são necessários 2.500 D. iraquianos para se comprar US$ 1, e a moeda continua desvalorizando, com o perigo de uma guerra iminente.

Eu gostaria de levantar uma outra questão crítica: 70% das pessoas no Iraque não tem dinheiro para comprar comida ou outras necessidades básicas. Portanto, as famílias da classe média não somente começaram a vender, como já venderam seus pertences: móveis, como geladeiras, televisores, vídeos, roupas e até mesmo seus livros, para poder fornecer comida a seus filhos. No momento, essas famílias não têm mais nada para vender, e por isso, são vítimas da pobreza e da fome. Os pesadelos da pobreza e da fome abriram uma ferida profunda no coração de cada iraquiano e esta ferida se torna maior a cada dia. A pobreza e a fome levam a assaltos, assassinatos, exploração, imigração forçada e à destruição das famílias iraquianas.

Estamos sofrendo de fome e inanição, embora o Iraque seja um país de grandes riquezas e esteja flutuando num oceano de ouro negro. Nosso petróleo deveria ser uma bênção para o país e seu povo, mas tornou-se uma praga e uma fonte de sofrimento.

A situação política

A situação instável, os bombardeios e ameaças contínuos são o pesadelo que deixa o nosso povo preocupado e vivendo em pânico. Nossas crianças têm distúrbios durante o sono, e acordam chorando, repentinamente.

A migração de jovens homens tem causado muitos problemas sociais. Entre esses, o mais urgente é o aumento do número de mulheres com relação ao número de homens, e esta proporção é de 8 mulheres para 1 homem. Assim, muitas jovens mulheres não se casam, abandonam sua religião e fogem com muçulmanos. Os jovens homens também são atraídos para o Islã, devido a problemas financeiros.

Agricultura

Antes do embargo, o Iraque importava 70% de sementes, fertilizantes, equipamentos agrícolas e remédios veterinários. A agricultura está enfrentando muitos perigos nunca enfrentados pelo Iraque no passado. Centenas de milhares de ratos e camundongos invadiram seis governorados do Iraque e arruinaram a maioria das safras agrícolas que constituem a fonte principal de comida dos cidadãos iraquianos.

Além disso, os EUA usaram armas biológicas. Segundo um relatório da Carita International para 2000, eles introduziram a larva da mosca lesma - Snail Worm Fly - no Iraque, causando grandes danos aos seres humanos e ao gado. A mosca espalhou-se em seis governorados do Iraque. Igualmente, em 1997, aviões dos EUA jogaram larvas de insetos que infestaram as palmeiras, matando muitas delas. Isso provocou um aumento no preço do quilo das tâmaras, de 50 DI a 1200 DI. Outro governorado no sul foi atacado por lagartas e aranhas estranhas que causaram grandes danos.

• Será que as sanções são impostas por motivos válidos?

• Será que as sanções atingem as pessoas certas?

• Será que as sanções alcançaram suas metas e objetivos?

• Será que o limite de duração das sanções é razoável?

As sanções são genocídio. Elas destróem o povo do Iraque (especialmente as mulheres e crianças), assim como a cultura e a terra iraquianas. As consequências das sanções são piores que as consequências de todos os bombardeios que ocorreram durante a guerra. O embargo e as sanções econômicas nos privaram de nossos direitos de aprender e nos desenvolvermos. Elas não podem ser justificadas. Os inocentes, fracos e sem voz não deveriam ter que pagar pelos erros de que não são responsáveis. As sanções deveriam ser suspensas de modo que o país possa recuperar sua dignidade, verificar um desenvolvimento normal e estar na posição de restabelecer relações boas e frutíferas com os demais povos.

Eu lanço um apelo a cada um dos presentes, aqui, para que pressionem os líderes mundiais, particularmente o Presidente Bush para suspenderem essas sanções destruidoras e impostas injustamente, e prevenir que o pesadelo de uma nova guerra continue assombrando as crianças, e mulheres iraquianas, assim como todos os inocentes e as pessoas vulneráveis do Iraque, para que elas possam recuperar sua dignidade.

Nossas atividades

Sob essas circunstâncias tão difíceis, será que a presença de 200 irmãs, irmãos e padres dominicanos e de 1.000 leigos quer dizer alguma coisa? Na qualidade de uma ordem baseada no Evangelho, pregamos a verdade, o amor, a esperança e a compaixão. Somos compelidos a compartilhar o sofrimento do nosso povo. Humildemente, confesso que fazemos isso apesar das duras circunstâncias que estamos atravessando. Nosso Carisma Dominicano nos permite ler os sinais de nossos tempos de uma maneira profética e ouvir os prantos de nosso povo com compaixão. Fazemos o possível para sermos o sinal de esperança para o povo, identificando suas necessidades mais urgentes e respondendo a elas repartindo o amor e a compaixão de Deus.

Durante esses difíceis momentos nos esforçamos para estar com os pobres e para os pobres. Nossa congregação abriu dez centros de costura para oferecer cursos gratuitos de corte e costura e tricô, para as donas de casa e as jovens mulheres que não têm trabalho. Procuramos achar trabalho para os jovens homens para que reencontrem sua auto-estima.

Devido à falta de esperança e às dificuldades que enfrentam os jovens, há um aumento evidente no número de jovens homens e mulheres que estão com depressão, temos que acompanhá-los e tentar aliviar seu desespero. Nossa congregação converteu dois de seus conventos em orfanatos, para cuidar dos órfãos e das jovens meninas vítimas de uma situação social muito dura. Também, convertemos outro convento em uma maternidade, oferecendo cuidados e um serviço distinto aos recém-nascidos e às jovens mães. Ensinar a religião a crianças de todas as idades. Algumas das irmãs ensinam cursos de teologia em Bagdá e em Mosul, ajudando na formação de outros educadores religiosos. Abrimos nossos centros educacionais para servir estudantes e outras pessoas que, de outro modo, não teriam acesso aos livros para leitura pessoal, pesquisa e material para escrever.

A Família Dominicana

Nós, irmãos e irmãs dominicanos do Iraque, expressamos nosso sincero agradecimento e gratidão a todos os irmãos e irmãs dominicanos, por todos os esforços e as ações que fizeram em nosso nome e em nome de nosso povo. Apreciamos profundamente suas calorosas preces e jejuns, isso certamente expulsará os demônios. Somos encorajados em nossos esforços pelos dominicanos em todo o mundo que nos apoiam com suas orações, jejum e solidariedade. Nossa esperança é de que nossos irmãos e irmãs dominicanos dobrarão seus esforços para dirigir o poder de nosso Carisma para o desespero e o isolamento do povo iraquiano.

Eles precisam levar o pranto das crianças iraquianas a cada púlpito, paróquia, sala de aula e em qualquer lugar onde a Palavra de Deus despertar compaixão. Como dominicanos, a a Ordem dos Pregadores, profundamente arraigada no Evangelho e na pregação dos Direitos Humanos, somos compelidos a demandar o fim das sanções e do embargo contra o povo iraquiano, de modo a pôr um fim à angústia e à morte das crianças. Naquele momento, o mundo não ouvirá mais: "Estamos sofrendo".

Será que isso é legal? É justo? É aceitável?

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