''Paguem ou morram.'' Os cristãos de Mosul que fogem do califa

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21 Julho 2014

Pagar, converter-se ou morrer. O ultimato do califa Abu Bakr Al Baghdadi deixa três possibilidades aos poucos cristãos que ainda permanecem em Mosul. Uma pequena página para explicar que, com base nas leis corânicas, eles podem viver no ressuscitado Califado apenas sob a condição de pagar a jizya, o pesado imposto que pesa sobre os infiéis.

A reportagem é de Giordano Stabile, publicada no jornal La Stampa, 20-07-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O comunicado, divulgado na quinta-feira, dirige-se a "todos os cristãos" e lhes dava até o meio-dia do dia 18 para a escolha entre as opções, resumidas brutalmente como: um, o Islã; dois, jizya; três, espada.

Todos aqueles que não escolhessem nenhuma dessas três tinham tempo "até o meio-dia de sábado para ir embora".

A imposição da jizya havia sido anunciada logo depois da queda de Mosul, no dia 5 de junho, e reforça a política de Al Baghdadi em todas as cidades que acabaram sob o domínio do Estado Islâmico (Is, ex-Isis), a formação extremista sunita nascida como um ramo da Al-Qaeda, que conseguiu fundar o primeiro Estado Islamista fora da lei da história.

Depois de um mês, o autoproclamado califa deu o ultimato, mas o prazo havia sido preparado detalhadamente. As casas ainda habitadas por cristãos foram marcadas com um "N" vermelho (de "nazaraniy", cristão). As abandonadas, em geral requisitadas pelas novas autoridades, com um "N" preto.

Os milicianos agora batem de porta em porta. Quem resiste corre o risco da execução imediata e de ter a sua casa queimada, enquanto o arcebispado, com os seus preciosos manuscritos, já acabou em cinzas nos últimos dias.

Os cristãos em Mosul ainda eram mais de 50 mil, de uma população de 1,8 milhão, antes da queda da cidade. Reduzidos já a um terço daqueles que viviam lá nos tempos de Saddam Hussein, ditador que tinha um olho voltado para a minoria fiel à cruz.

Cerca de 90% fugiram nos primeiros dias de junho. Grande parte dos outros irão seguir o mesmo caminho. A jizya pedida, segundo alguns cristãos que permaneceram na cidade e contatados por telefone, começa em 250 dólares anuais per capita, mas pode chegar facilmente a 1.000, se o chefe de família é um médico ou um engenheiro.

Cifras muito pesadas em uma cidade devastada pela guerra e empobrecida. Só poucos poderão pagá-la. E é previsível que a "limpeza étnica" vai continuar. Uma tragédia que o Papa Francisco também acompanha "com preocupação".

A dureza da lei medieval também revela um duplo aspecto do Califado que está surgindo na metade da Síria e na metade do Iraque, uma área com 15 milhões de habitantes, em grande parte desértica, mas atravessada por dois rios importantes, o Tigre e o Eufrates.

A aplicação literal dos preceitos corânicos foi acompanhada por uma incessante propaganda nas mídias sociais, também em urdu e em inglês, para se dirigir a muçulmanos que não falam árabe.

A conta do Islamic State Media, que tem muitos seguidores, por exemplo, enfatiza que, em troca da jizya, o califa oferece "proteção" aos cristãos que permanecem ou que os muçulmanos devem pagar o seu imposto, zakat, a esmola obrigatória em favor dos mais pobres: "Se um muçulmano se recusa a pagar a zakat, ele só tem a opção de morrer, enquanto se um kaffir, infiel, não paga a jizya, sempre pode optar por ir embora".

E tuítes acompanhados por fotos mostram dinheiro e farinha distribuídos aos pobres com base na zakat. Mão de ferro, execuções sumárias, limpeza étnica, mas também medidas populistas (o preço da gasolina foi cortado em 70%) também servem para vencer a batalha ideológica de Al Baghdadi, que deve se fazer aceitar e expandir o califado.

As suas colunas motorizadas estão na ofensiva na Síria, onde conquistaram os campos ao redor de Aleppo e a jazida de gás de Al Shaer, a leste de Palmira. Ao menos 270 soldados e técnicos, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, foram mortos.

No Iraque, o Estado Islâmico rejeitou a ofensiva do governo em Tikrit, gerida de modo tão miserável pelo governo de Nouri al-Maliki. Milhares de voluntários xiitas inexperientes foram enviados para o massacre. Bagdá permanece sempre na mira.

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