Primavera na Igreja da Espanha. Carlos Osoro será nomeado o novo arcebispo de Madri

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Por: André | 22 Agosto 2014

Carlos Osoro Sierra (na foto com o Papa Francisco) será o novo arcebispo de Madri, em substituição ao cardeal Rouco Varela. Religión Digital teve acesso exclusivo a fontes vaticanas que confirmaram que, na quarta-feira, dia 20 de agosto, aniversário de Rouco, que fez 78 anos, a Santa Sé comunicou ao interessado e ao Governo espanhol a nomeação, que se tornará pública nos próximos dias.

 
Fonte: http://bit.ly/1ohuMwZ  

A reportagem é de Jesús Bastante e publicada por Religión Digital, 21-08-2014. A tradução é de André Langer.

Com esta nomeação, Francisco coloca à frente da Igreja madrilense o prelado que, sem sombra de dúvida, melhor exemplifica a “primavera” para a Igreja na Espanha. Uma escolha que, além disso, respeita o sentir da maioria dos bispos espanhóis, que, no mês de março passado, escolheram por ampla maioria a dupla Blázquez-Osoro para liderar a Conferência Episcopal.

Uma demonstração de uma Igreja “em saída” e que aposta numa comunicação maior com a sociedade, afastada da ideia da “resistência firme” acaudilhada por Rouco Varela. Carlos Osoro já foi bispo de Orense e arcebispo de Oviedo, antes de chegar a Valência, a segunda maior diocese em número de fiéis da Espanha e com um crescente potencial pastoral, educativo e em número de vocações.

O cardeal Rouco, por sua vez, tentou, até o último momento, postular tanto o seu auxiliar Fidel Herráez, como os arcebispos de Sevilha, Juan José Asenjo; e de Toledo, Braulio Rodríguez, para a sede de Madri. Ao menos um deles, apontam fontes vaticanas, teria estado na terna final. A decisão, contudo, é fruto de uma escolha pessoal do Papa Francisco.

Rajoy pediu “segredo pontifício”

Fontes de Moncloa admitiram ao Religión Digital o recebimento da citada comunicação. No Executivo popular se mantém a postura de absoluto silêncio. “Segredo pontifício”, destacam, incidindo em que foi o mesmíssimo Mariano Rajoy que ordenou que não haja nenhum tipo de vazamento.

As tensas relações entre o presidente do Governo e o cardeal Rouco, que beiram a animosidade pessoal, teriam levado a solicitar – inclusive a ordenar, especialmente ao ministro do Interior, Jorge Fernández Díaz – que o cardeal não soubesse o nome de seu sucessor até que este fosse público. O próprio Rouco Varela tentou, em vão, conhecer seu sucessor através da Nunciatura, encontrando-se com o silêncio como resposta.

Com a nomeação de Osoro, desfazem-se as dúvidas sobre o futuro do cardeal Antonio Cañizares, que, salvo surpresa maiúscula, se converterá no segundo cardeal valenciano no século XXI, após o falecido Agustín García-Gasco. Osoro também poderia receber a púrpura no próximo consistório, uma vez que desde o sábado passado a Espanha conta com um cardeal eleitor a menos (Carlos Amigo completou 80 anos, ficando fora de um eventual conclave).

“Tenho um nome para você: o peregrino”

“Tenho um nome para você, Carlos; o peregrino”, teria dito Francisco a Osoro quando o recebeu em março passado. A sintonia entre o Papa e o ainda arcebispo de Valência é total, a ponto de Osoro ser conhecido como “o Francisco espanhol”.

Parecidos inclusive fisicamente, Carlos Osoro é um desses prelados com cheiro a ovelha, e com demonstrados dotes para o governo eclesiástico. Sua idade (69 anos) é a ideal para um governo na diocese de Madri que seja de transição e que, ao mesmo tempo, permita o encontro e a busca de consensos com todas as sensibilidades de uma comunidade eclesiástica fragmentada, mas com um inegável potencial educativo, congregacional e em nível de movimentos.

Na diocese de Valência, por sua vez, insiste-se em que não se recebeu nenhuma notificação oficial sobre o assunto, razão pela qual o arcebispo continua com sua agenda, alterada apenas pela suspensão da peregrinação à Terra Santa, que deveria começar no próximo dia 23 de agosto e que foi postergada por causa da violência em Gaza.

Neste momento, Osoro encontra-se na praia de Jávea, participando do “Festival Anúncio”, que se realiza em diferentes dioceses francesas e espanholas. O prelado celebra na Paróquia de N. Sra. de Loreto com centenas de jovens que estão se dedicando a evangelizar nas praias, e rezará com eles o rosário. Após a exposição e adoração do Santíssimo, celebrará a eucaristia e conversará com os participantes.

A última ocasião na qual Osoro falou de seu futuro foi durante um café da manhã organizado pelo Fórum Europa, em 28 de maio passado. Perguntado sobre sua então hipotética ida a Madri, o prelado manifestou sentir-se “muito à vontade” em Valência. O arcebispo apontou que desconhecia o que lhe poderia ocorrer, embora tenha afirmado que “certamente sei que sou arcebispo de Valência. Além disso, nota-se que estou à vontade”.

Um perfil biográfico

Carlos Osoro Sierra nasceu em Castañeda (Cantábria) no dia 16 de maio de 1945. Cursou, entre outros, estudos de magistério, pedagogia e matemática, e exerceu a docência até sua entrada no seminário para vocações tardias Colégio Maior Salvador de Salamanca para realizar, na Pontifícia Universidade, os estudos de Filosofia e Teologia. Foi ordenado sacerdote no dia 29 de julho de 1973 em Santander, diocese na qual desenvolveu seu ministério sacerdotal.

Durante os dois primeiros anos de sacerdócio trabalhou na pastoral paroquial e na docência. Em 1975, foi nomeado Secretário-geral de Pastoral, Delegado do Apostolado Secular, Delegado Episcopal dos Seminários e da Pastoral Vocacional e Vigário-geral de Pastoral. Um ano mais tarde, em 1976, foram unificados o Vicariato Geral de Pastoral e o Administrativo-jurídico e é nomeado vigário-geral, cargo que ocupou até 1993, quando foi nomeado canônico da Santa Igreja Catedral Basílica de Santander, e um ano mais tarde presidente.

Além disso, em 1977 foi nomeado Reitor do Seminário de Monte Corbán (Santander) e exerceu esta missão até ser nomeado bispo. Durante seu último ano na diocese, em 1996, foi também Diretor do Centro Associado do Instituto Internacional de Teologia a Distância e Diretor do Instituto Superior de Ciências Religiosas Santo Agostinho, dependente do Instituto Internacional e da Pontifícia Universidade de Comillas.

Em 22 de fevereiro de 1997 foi nomeado bispo de Orense. No dia 07 de janeiro de 2002, foi designado arcebispo metropolitano de Oviedo, de cuja diocese toma posse no dia 23 de fevereiro do mesmo ano. Além disso, de 23 de setembro de 2006 até 09 de setembro de 2007 foi o Administrador Apostólico de Santander.

Sua Santidade o Papa Bento XVI o nomeia arcebispo metropolitano de Valência em 08 de janeiro de 2009.

Na Conferência Episcopal Espanhola (CEE) foi presidente da Comissão Episcopal do Clero durante dois triênios, de 1999 a 2005. Atualmente, e também no segundo triênio consecutivo, é membro do Comitê Executivo. No dia 12 de março foi eleito vice-presidente da Conferência Episcopal.

Representou a Comissão Internacional de Justiça e Paz em Lima (Peru) no primeiro encontro de trabalho para fixar as bases do plano docente da disciplina de Doutrina Social da Igreja na sua aplicação nas universidades que a Igreja latino-americana possui no continente. Desde novembro de 2008, é patrono vitalício da Fundação Universitária Espanhola e diretor de seu seminário de Teologia.

Na Conferência Episcopal Espanhola foi presidente da Comissão Episcopal do Apostolado Secular de 2011 a 2014. Também foi presidente da Comissão Episcopal do Clero de 1999 a 2002 e de 2003 a 2005. Foi membro desta Comissão desde 1997.

Foi membro do Comitê Executivo da CEE entre 2005 e 2011.

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