Muda a presidência da Conferência Episcopal Espanhola. Sai Rouco, entra Blázquez

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Por: Jonas | 13 Março 2014

Confirmaram-se os prognósticos, e Ricardo Blázquez já é, oficialmente, presidente da Conferência Episcopal Espanhola. O atual arcebispo de Valladolid, que já presidiu a Casa da Igreja entre 2005 e 2008, substitui o cardeal Rouco. Conciliador, afável e querido por todos, Blázquez reflete a nova cara da Igreja de Francisco. Mas, quem é Blázquez?

 
Fonte: http://goo.gl/jWjtqc  

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 12-03-2014. A tradução é do Cepat.

Na primeira votação, em que 79 bispos exerceram o seu direito ao voto, Blázquez obteve 60 votos, Osoro 10, Asenjo 5, Del Río 2, Omelia 1.

“É inteligente, humilde e conciliador”, afirmam em sua diocese, onde o novo presidente do Episcopado ancorou e que amanhã fará quatro anos, após sua difícil passagem por Bilbao. O “tal Blázquez” (Villanueva del Campillo, ávila, 1942), como o denominou Xabier Arzalluz, foi deixando uma boa recordação em todas as dioceses que pastoreou: Santiago (onde foi auxiliar de Rouco), Palência, Bilbao e agora Valladolid.

Seu bem fazer e sua capacidade para conversar, escutar e chegar a acordos foram percebidos especialmente durante sua etapa em Euskadi, onde Blázquez soube se fazer querido entre a maioria do clero, nacionalista, e deixou mostras do modelo de reconciliação que, hoje, parece tão necessário para a sociedade basca.

A Santa Sé também notou a capacidade de Blázquez, e Bento XVI lhe encarregou em parte da investigação aos Legionários de Cristo e, posteriormente, da visita ao Regnum Christi, onde favoreceu a independência do ramo leigo da Legião, que hoje já é uma realidade.

Na Conferência Episcopal Espanhola, Blázquez foi o encarregado de substituir ao cardeal Rouco em um período especialmente difícil, após a morte de João Paulo II, e a ascensão ao poder, em nosso país, do Governo Zapatero. Os bispos não renovaram a confiança no cardeal de Madri, que se sentiu traído por Ricardo Blázquez e manteve, durante três longos anos, um “governo na sombra”, a partir da sede do Arcebispado de Madri.

Durante a etapa Blázquez como presidente – com Cañizares de vice-presidente -, o cardeal Rouco promoveu as famosas manifestações contra o casamento gay e Educação para a Cidadania, das quais pela primeira vez participaram bispos, assim como as concentrações na Praça de Colón, sendo a primeira delas (2007) especialmente utilizada como instrumento político contra o governo socialista.

Blázquez não participou de nenhum desses atos, e conseguiu chegar a acordos históricos para a Igreja, como o aumento em 0,7% do abatimento dos impostos e a renúncia da instituição ao complemento do IVA.

No entanto, a influência do cardeal Rouco interferiu no governo de Blázquez, que não tinha o peso do arcebispo de Madri. O novo presidente do Episcopado não soube impor seu modelo no seio da Conferência Episcopal, onde já se colocava Juan Antonio Martínez Camino. E, em 2008, pouco antes das eleições gerais, Rouco regressou à presidência.

Ricardo Blázquez foi o único presidente na história recente da Conferência Episcopal Espanhola a não ser renovado em seu cargo, e os bispos lhe “deviam uma”. Desde então, foi votado massivamente como vice-presidente – foi assim em 2008 e 2011 -, e agora como presidente.

O próprio Francisco já lançou Ricardo Blázquez, embora implicitamente, quando o recebeu em audiência por ocasião da Visita Ad Limina. Blázquez foi o único prelado com o qual o Papa conversou individualmente sobre problemas políticos e sociais de toda a Espanha, desde o desemprego até o modelo de bispos, que devem “estar muito próximo das pessoas e das periferias”, porque “um pastor não pode se dedicar a pentear as quatro ovelhas que lhe restaram no redil, enquanto o resto do rebanho está fora do aprisco e meio perdido. É necessário ir em busca do resto do rebanho, mesmo que isso supõe correr riscos”.

Bergoglio não apresentava nomes, mas tampouco pontos sem nó. E a figura de Ricardo Blázquez é, sem dúvida alguma, uma das principais para o futuro da Igreja espanhola. Por várias razões: por sua bondade, por sua capacidade de diálogo, por seu perfil de pastor e de homem de consenso, e por sua experiência (tanto em Bilbao como no caso dos Legionários agiu muito bem, além de seus talentos para a escuta e a busca de acordos).

Blázquez não é um homem de rupturas, tampouco Francisco as deseja. É alguém querido por todos os bispos, e que sem dúvida desempenhará um bom papel na nova etapa – certamente de transição, até que a mudança no episcopado espanhol vá se tornando efetiva – que se aproxima, sem o cardeal Rouco Varela.

Francisco não é homem de nomes, mas sim de estilos. E o de Blázquez se encaixa perfeitamente na nova dinâmica. Como também os de Carlos Osoro e Juan del Río, os outros dois nomes que ontem tiveram força na votação. Os três são chamados a liderar a Igreja espanhola em um futuro que se apresenta menos sombrio e com mais diálogo.

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