Restauração universal: o que aconteceu no dia 7 de agosto de 1814?

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08 Agosto 2014

Há exatamente 200 anos, a Companhia de Jesus foi restaurada universalmente. O que realmente aconteceu no dia 7 de agosto de 1814?

A nota é do sítio Jesuit Restoration 1814, 07-08-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

O Papa Pio VII, que tinha sido prisioneiro de Napoleão, havia retornado a Roma no fim de maio. Sua principal tarefa era a reconstrução religiosa da Europa que estava em tumulto e caos devido a queda do Império Napoleônico. Muitas demandas foram feitas por líderes civis e eclesiásticos, pedindo por jesuítas, que tinham sido parcialmente restaurados. A intenção original era restaurar universalmente a Companhia no dia 31 de julho - festa de Santo Inácio, seu fundador. No entanto, dificuldades na composição da bula retardaram o processo. Os cardeais consultados estavam debatendo sobre assuntos delicados como a quem atribuir a culpa pela Supressão, como alguns governos civis receberiam a restauração universal dos jesuítas, se os Institutos da Companhia deveriam ser alterados e sobre o tom geral do documento. Foi com a energia do cardeal Bartolomeo Pacca que a bula, Sollicitudo omnium ecclesiarum, ficou pronta para a oitava da festa de Inácio, em 7 de agosto de 1814.

Então, nesse dia, no altar de Santo Inácio na Chiesa del Gesù, Pio VII celebrou a missa. Em seguida, na Capela dos Nobres, na presença de uma grande multidão que enchia a pequena capela, monsenhor Cristaldi leu em voz alta a bula ao lado do Papa Pio. A multidão incluía cardeais, membros da realeza e cerca de cento e cinquenta jesuítas, sobreviventes da Companhia suprimida. Com a leitura em voz alta, Pio revogava o breve de Clemente XIV que havia suprimido a Companhia e recomendava os jesuítas à "nobreza de príncipes e senhores temporais, e também aos nossos veneráveis irmãos arcebispos e bispos, e a quaisquer outros em posição de honra, esta muito mencionada Companhia de Jesus e cada um dos seus membros; suplicamos a eles e os exortamos, não somente a aceitá-los, não permitindo que eles sejam perturbados por ninguém, mas em recebê-los com bondade e caridade".

Na bula, Pio VII - um beneditino - afirmou que isso era algo que ele havia desejado ardentemente desde o início do seu pontificado. Após a leitura, Pio oferecia a bula, em um momento de intensa comoção, a cada um dos homens já idosos que tinham experimentado a dor do exílio e da repressão, que se ajoelhavam diante do papa. O sorridente Pio trocava algumas palavras com cada um. Em seguida, ele voltou para o Quirinale [palácio papal] em meio a uma multidão que aplaudia. A grande ironia foi a presença em Roma dos dois monarcas da Espanha, o rei Carlos IV e a rainha Maria Luisa, que haviam sido expulsos de seu próprio país pela revolução.

A Espanha que teve tanta eficiência em cruelmente exilar os jesuítas. Eles não compareceram à cerimônia, porém visitaram a Chiesa del Gesù vários dias depois para prestar seu respeito - muitos jesuítas espanhois reunidos para cumprimentá-los - e o filho do rei espanhol que os exilou, chorou.

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