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18 Julho 2014

"A censura a uma obra artística, concebível outrora num regime de cristandade, é indevida e contraproducente", afirma Ney Brasil Pereira, padre, biblista e compositor, ao comentar veto da Arquidiocese do Rio de Janeiro ao curta de José Padilha, em comentário que nos enviou e publicamos a seguir.

Eis o comentário.

Estranhei o veto da Arquidiocese do Rio de Janeiro ao curta de Padilha, que deveria fazer parte do filme “Rio, eu te amo”, de lançamento próximo. O motivo seria porque o personagem (Wagner Moura) desabafa, diante do Cristo do Corcovado, “solta alguns palavrões”  e cobra do Redentor uma participação maior na sociedade”. Estranho o veto, por vários motivos:

1) O Cristo é um monumento público, integrado à paisagem do Rio, e não entendo como a Cúria pode ter direitos exclusivos à sua imagem. Quanto à capela/santuário na base do monumento,  essa, sim, é espaço religioso, não laico.

2) A censura a uma obra artística, concebível outrora num regime de cristandade, é indevida e contraproducente. Quisesse ou não quisesse a Igreja, a minha Igreja – pois sou padre católico, graças a Deus – ninguém pôde impedir, felizmente, o lançamento e o sucesso de “Jesus Christ Superstar”, nem, na literatura, o Evangelho “segundo Saramago”.  Também para a fé, é importante o discurso do contraditório.

3) Quanto à “cobrança de uma participação maior do Redentor”, os Salmos e Profetas na Bíblia o fazem repetidamente, sem qualquer censura! E não a uma estátua, mas ao próprio Deus, p.ex., no início do livro de Habacuc: “Até quando, Senhor, ficarei clamando sem que me dês atenção? [...] Por que me fazes ver tanta crueldade e só ficas olhando a perversidade?” (Hab 1,2-3)

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