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Por: Caroline | 10 Julho 2014

O ex-presidente conservador francês enfrenta sete investigações judiciais, enquanto que a UMP (União por um Movimento Popular) arrasta uma trilha de dúvidas, escândalos de corrupção, brigas pela liderança e vazio político. É o que escreve Eduardo Febbro, em artigo publicado por Página/12, 08-07-2014. A tradução é do Cepat.

Fonte: http://goo.gl/ZAJerZ

Eis o artigo.

Os dias parecem contados, para melhor ou para pior. Não se sabe quem irá salvar a quem ou, talvez, quem acabará afundando o outro: se o ex-presidente Nicolas Sarkozy acabará por afundar o partido que ele mesmo fundou, a UMP, ou se a União por um Movimento Popular arrastará o ex-presidente para a ruína política. Ambos estão à beira de um colapso. A UMP arrasta uma trilha de dúvidas, escândalos de corrupção, brigas pela liderança e o vazio político que a conduziram ao pior momento de sua história após ter governado o país durante muitos anos. Em meio a sete investigações judiciais em andamento, uma prisão e a posterior acusação por “corrupção ativa”, “tráfico de influência” e “violação de segredo de justiça”, Sarkozy ativou o cronometro de seu retorno ao primeiro plano após dois anos de relativa discrição. O ex-presidente sonha em voltar, liderar a direita e ganhar as eleições presidenciais de 2017. Contudo tem muitos problemas judiciais e adversários. O primeiro é sua própria formação, a UMP, que está em colapso econômico e assediada por investigações policiais. O segundo, seus adversários, que também estão em seu partido: o ex-primeiro ministro e também o ex-chanceler Alain Juppé, ou o ex-presidenciável enquanto o partido reitra a herança de dívidas e artimanhas que Sarkozy deixou como presente após a fracassada campanha para a reeleição em 2012.

Há um clima global de fim de uma etapa, um rumor de sentença final. Por um lado, o atual primeiro ministro, Manuel Valls, adverte que “sim, a esquerda pode morrer”, por outro lado, a direita se desgasta entre escândalos, passivos financeiros e acertos de contas. Uma auditoria interna adiantada pela imprensa revelou que o partido sarkozista tem uma dívida de 80 milhões de euros e que, outra vez, não poderá fazer frente a seus compromissos bancários. O redemoinho gira em torno da mesma figura: Nicolas Sarkozy e os gastos da campanha para sua reeleição. No início de 2012, o banco Société Générale o emprestou 55 milhões de euros para a União por um Movimento Popular. Contudo Sarkozy perdeu a presidência frente a François Hollande. Logo, a comissão que se encarrega de verificar as contas das campanhas eleitorais recusou-se a reembolsar as despesas (de 11 milhões de euros) ao derrotado presidente porque havia ultrapassado os limites autorizados (de 23 milhões de euros contra os 21,3 milhões de euros fixados pela lei). Seu partido não recuperou o dinheiro e mais, está descobrindo que a multa de 363.615 euros que o Estado reclama a Sarkozy os gastos excessivos de sua campanha que foi abonada pela UMP, coisa que a lei não permite. Foi o primeiro ato. De acordo com as contas publicadas pelo portal Mediapart, Sarkozy gastou 39 milhões de euros. O segundo interveio há algumas semanas, quando descobriu-se que, para financiar a luxuosa campanha eleitoral de Sarkozy fora do permitido, a UMP recorreu a um sistema de falsas faturas e prestações inexistentes montado através da empresa Bygmalion e suas filiais. Um total de cerca de 20 milhões de euros adicionais assumidos pelo partido mediante uma bateria de contratos duvidosos.

Segundo o jornal Libération, Sarkozy gastou 1.200 euros na instalação de um banheiro particular durante um comício eleitoral realizado na localidade de Bordeaux e outros 3.400 na montagem de um camarim pessoal. Outras cifras alucinantes: 3.400 euros mensais por uma simples hospedagem de um portal na Internet (custa geralmente entre 05 e 40 euros): 172.415 euros pagos a Bygmalion pelo envio mensal de um folheto de informação via Internet: 680 mil euros abonados pelo grupo UMP na Assembleia Nacional pela concepção e o manutenção do portal da Internet. A isto se soma o salário de executivos, passagens de avião da esposa do ex-chefe da UMP, Jean-François Copé, e uma série de contratos assinados com a empresa Bygmalion cujos dirigentes são parentes de Copé (ex-presidente que teve que renunciar devido a este escândalo).

Um enorme buraco negro que se torna abrangente ao campo político. A UMP carece de chefe, de ideias, de plataforma e de credibilidade. Conserva seus militantes, convencidos de que as tribulações judiciais de Nicolas Sarkozy são o resultado de um complot orquestrado pelos juízes vermelhos e socialistas vingativos. Depois que ele foi preso por 15 horas e, em seguida, acusado, o ex-presidente se apresentou na televisão para apresentar nas telas esse argumento: o de uma vítima inocente que caiu nas garras da “instrumentalização política de uma parte da Justiça”. Seus eleitores acreditaram nele. Marc Lazar, historiador e professor em Ciências Políticas, comentou ao jornal Le Nouvel Observateur que o ex-chefe do Estado “transforma as ações judiciais contra ele em um recurso político”. Muito hábil. O mesmo fez Silvio Berlusconi na Itália. Contudo, o que sai dos tribunais é um prontuário denso: sete casos que vão desde irregularidades no financiamento de sua campanha eleitoral de 2007 e 2012, passando por contratos suspeitos com empresas que efetuam pesquisas de opinião, até o chamado arranjo de uma arbitragem privada que obrigou o Estado a indenizar com 400 milhões de euros ao empresário Bernard Tapie.

Isto custou à acusação por “corrupção ativa”, “tráfico de influência” e “violação do segredo de justiça” é o caso dos fundos com quais o desaparecido líder líbio Muammar Khadafi havia contribuído para sua campanha de 2007. Nas investigações sobre este arquivo, a Justiça interceptou as comunicações telefônicas de Sarkozy. A polícia tem a certeza de que o advogado de Sarkozy, Thierry Herzog, montou uma rede de gargantas profundas nos tribunais para obter informação de primeira mão sobre a evolução das causas nas quais o dirigente político estava sendo investigado.

Contudo nada parece deter as ambições do homem veloz. Seus argumentos sobre uma conspiração contra o ele caíram como palavras santas nos ouvidos de parte do eleitorado. De acusado pela Justiça saiu com o traje de vítima, empenhado em reconquistar o trono perdido. Pode ser ilusório ou uma aventura fantástica em um teatro que se presta a tudo: um partido que Sarkozy deixou em ruína, sem rumo ideológico, a Justiça farejando os seus passos, uma esquerda que desaparece e uma ultradireita que cresce e cresce com a brisa da crise de confiança nos partidos e as instituições, o desemprego e o medo que sempre acompanham estes momentos de final de jogo.

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/519817-o-ano-terrivel-de-hollande

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