Monsanto tentou patentear tomates fraudando a lei de patentes

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: Caroline | 04 Julho 2014

A transacional Monsanto recorreu à fraude para tentar obter os direitos a um tomate que contem resistência natural a uma doença transmitida por fungos, chamada botrytis. O tomate não é modificado geneticamente, mas a Monsanto tentou manipular documentos para fazer acreditar que teria sido “inventado” pelo setor agroquímico, quando o verdadeiro criador foi a mãe natureza.

A reportagem é publicada por Observatório Sul-americano de Patentes, 03-07-2014. A tradução é do Cepat.

Fonte: http://goo.gl/glOjyA

Os tomates originalmente utilizados para esta patente vieram do banco genético internacional em Gatersleben, Alemanha, e demonstraram esta resistência durante muito tempo, muito antes de que a biotecnologia começassem suas artimanhas com a oferta de alimentos nos Estados Unidos.

As leis atuais estabelecem que “os procedimentos essenciais biológicos para a produção de plantas e animais” ficam excluídos da patentabilidade.

“Devido ao fato de que o tomate não é patenteável, a Monsanto reformulou deliberadamente a patente durante o prazo de exames para que parecesse que a engenharia estivesse envolvida. Contudo, uma leitura cuidadosa da patente demonstra que isto é simplesmente fraudulento. Estes tomates não foram produzidos mediante a transferência de DNA isolado. “O Escritório Europeu de Patentes deveria ter alertado sobre isso”, disse Christoph Then, da Não às Patentes sobre Sementes!. “Esta patente mostra o quanto é fácil para as empresas como a Monsanto evitar as proibições existentes na lei das patentes”.

A resistência natural a uma doença é uma característica de muitas variedades de plantas naturais: por exemplo, os “super” pepinos são uma antiga grande variedade de pepino que são naturalmente tolerantes a antracnosis, polvorento e mildiu, mancha angular e costra. Por acaso a Monsanto tentará patentear os pepinos também?

A biotecnologia quer que você aceite como verdadeiro que seu novo tomate transgênico púrpura trate de uma espécie de “cura” para o câncer de tudo (apesar de que várias plantas naturais, não patenteadas já fazem este trabalho) mesmo que nada disso tenha sido provado. O que é pior, a comunidade científica está recrutando pessoas doentes para provar seu novo e perigoso “alimento”.

Os jardineiros orgânicos estão bem cientes das plantas que são naturalmente resistentes às pragas e até o tempo em sua localidade. Também utilizam o plantio com pesticidas orgânicos para evitar o uso de produtos químicos cancerígenos perigosos como o RoundUp. Se a Monsanto acredita que possa patentear as práticas agrícolas que reportam há 10.000 anos, então algo está absurdamente mal.