Bispos dos EUA discutem sobre complacência, e não sobre prestação de contas nos abusos sexuais em sua reunião anual

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16 Junho 2014

Instados a não serem complacentes com o clero acusado de abuso sexual de menores, os bispos católicos dos Estados Unidos falaram pouco sobre responsabilizarem-se por falhas na proteção das crianças em sua reunião anual de primavera em Nova Orleans.

A reportagem é de Brian Roewe e Joshua J. McElwee, publicada no sítio National Catholic Reporter, 12-06-2014. A tradução é de Cláudia Sbardelotto.

O diretor do Conselho Nacional de Análise da Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCB), que aconselha os bispos em matéria de proteção de menores, disse aos que estavam reunidos na quarta-feira em Nova Orleans que a Igreja "continua a progredir lentamente" sobre o tema dos abusos e pediu aos bispos presentes a "resistir à complacência" e a "permanecerem comprometidos" com o trabalho que ainda há pela frente.

"Toda vez que ficamos sabendo a respeito de uma situação que resulta de uma decisão que não está em conformidade com a Carta para a Proteção de Crianças e Jovens, os louváveis esforços dos bispos para abordar a questão do abuso sexual ficam comprometidos", disse Francesco Cesareo. "Essas instâncias corroem ainda mais a credibilidade dos bispos".

Quase no fim do seu discurso de 20 minutos, Cesareo disse que os católicos devem "assegurar que as pessoas responsáveis respondam por quaisquer ações ou decisões contrárias" à carta que os bispos da Conferência adotaram em 2002. Contudo, Cesareo não especificou quem precisa ser responsabilizado e para quem deve ser feita a acusação.

O tópico não recebeu nenhuma discussão mais ampla nas sessões gerais da quarta-feira, em que o bispo emérito de Erie (Pensilvânia), Donald Trautman, fez a única pergunta sobre o assunto: "Somos capazes de dizer se todas as dioceses e eparquias [dioceses católicas de rito oriental] estão implementando a Carta?".

"Nós não somos capazes de dizer isso", respondeu Cesareo, mencionando que uma diocese (Lincoln, Nebraska) e três eparquias, ainda necessitam submeter suas auditorias dos procedimentos adotados para a proteção de menores, conforme prescrito nos termos da Carta de 2002.

Apesar da falta de discussão em Nova Orleans, os dias e semanas que antecederam a reunião dos bispos ofereceram muito para animar a acusação de Cesareo. A bordo do avião papal, no seu regresso da Terra Santa, em maio, o Papa Francisco disse aos jornalistas que o Vaticano está investigando três bispos por má conduta em relação ao abuso sexual por parte do clero, sendo que um já foi considerado culpado e está aguardando punição.

O cardeal Sean O'Malley de Boston, um dos oito cardeais que aconselha o papa sobre a reforma da Igreja Católica e que também atua em uma nova comissão papal sobre os abusos, abordou várias vezes nos últimos meses a necessidade de fazer com que os bispos sejam responsabilizados por suas ações na questão dos abusos sexuais.

Terence McKiernan, chefe de uma organização sem fins lucrativos que documenta a resposta da Igreja aos abusos sexuais, disse na última quarta-feira que a apresentação de Cesareo "não foi adequada diante da dramática situação em que a USCCB se encontra". Ele destacou que os escândalos de abuso em Kansas City, Missouri, Milwaukee e St. Paul-Minneapolis colocam "em crise" os desenvolvimentos positivos feitos até agora. Ele disse que os bispos deveriam votar pela censura dos bispos nessas dioceses.

"Embora Cesareo adverta contra a complacência, ele acha impossível pressionar os bispos sobre a questão mais urgente - o seu próprio desempenho", disse McKiernan, presidente e codiretor do BishopAccountability.org. "Este é um momento para uma ação substantiva, não para agir como sempre".

Na reunião dos bispos, Cesareo exortou os prelados a participarem de um processo de revisão da Carta de 2002, que está em curso, a fim de compartilhar uns com os outros as melhores práticas e avaliar a eficácia da auditoria anual de procedimentos contra abusos sexuais realizados nas dioceses de todo o país.

Cesareo também pediu que mais dioceses incluam auditorias paroquiais, como parte do processo de auditoria, algo que 26 dioceses já decidiram fazer no ciclo de auditoria anterior.

Entre as centenas de prelados que ouviram a mensagem de Cesareo no salão na quarta-feira, estavam o arcebispo John Nienstedt, de St. Paul-Minneapolis, e Robert Finn, bispo de Kansas City.

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